domingo, 7 de outubro de 2007

Rede Catitu em Minas Gerais, a resgatar tradições.







Sobre as fotos (flashs de Marco Llobus, exceto ,é óbvio,a própria fotografia)

A viola ,presenteada por Artur Bernardes ao Senhor Guiga, é carinhosamente preservada pela família.


Os Griôs e os Cavucos, da Serra do Cipó, projeto levado por Fernando Fabrini e a Rede Catitu, resgatando todo o acervo da cultura mística e folclórisa dos quilombos.


Na aprazível ,secular e bela Lagoa do Nado, estou aqui, no espaço de entrevistas que a rede Catitu intitulou "Clevane Pessoa entre pessoas", entre o Sr.Xisto Guiga ,fotógrafo, violeiro, cantador,e seu filho, o conhecido Celinho Guiga, com formação em música pela UFMG.Os dois e outros memebros da família, mantém toda a tradiçaõ dos bailes da roça, levados pelo patriarca Sr.Guiga, educador, daqueles que ia de fazenda em fazenda, de casa em casa, ensinando aos jovens e às crianças da casa.Nos intervalos, compunha, organizava os bailes, cantava.

Maravilha, essa tradição e o projeto,apoiado pela lei de Incentivo á cultura.





Marco Lobbus, Presidente da Rede Catitu e um dos Cônsules, em Belo Horizonte, de poetas del Mundo.Fotógrafo de aguçada sensibilidade para o cotidiano e o empoderamento das pessoas do interior, das periferias, artistas natos, Llobus é também Poeta,músico, artista plástico e de teatro, enfim, dono de múltiplos dons.Para mim , sei maior dom é ser "O" amigo de seus amigos.
Pela Intenet, Llobus mantém vários jornais virtuais e posters- poemas (faz os meus ,inclusive):Des/Classificados;Poetus;Hus manos;



Com ele, farei o livro-álbum "Poietisas", cujo Projeto foi selecionado pela Prefeitura Municipal.O Memorial da Famíla Guiga, que resgata a historia de uma tradição familiar, obteve o apoio do MINC e se lançou no trabalho de busca.
Há dias, Celinho (Célio Guiga, neto do patriarca) e Marco Llobus foram para o interior de Minas, pela Equipe Catitu, parceira do Projeto Família Guiga, foi buscar raízes e registrar fotograficamente , captar e filmar imagens condizentes com as letras de música.No You Tube, você e encontra , por exemplo, um movie encantador.Foram filmados um moinho, carros de boi.

Pela rede catitu, na Lagoa do nado, estive conversando com os Guiga (Sr Xisto, fotógrafo e violonista e seu filho Celinho, que tem formação musical pela UFMG) e foi uma beleza, ouví-los a interpretar as músicas do professor que levou o baile ao interior mineiro,uma forma de acontecer social e cultural,marcante e singular.


O patriarca foi agraciado e reconhecido pelo Governo Brasileiro, mas, após seu falecimento,apenas a família manteve a memória, embora antigos moradores e amigossempre tenham o que contar, á moda simples da gente interioriana, mas contribuindo, de forma rica e precisa,para que oacervo fosse ampliado.
O Sr>Xisto lembra-se , pequeno, ouvindo seu pai compor e quando íamos à Lagoa do Nado para gravar as entrevistas e sermos fotografados naturalmente, cantou,enquanto dirigia sua KOMBI, várias dessas músicas singelas e pungentes.

Por excelência, os memoriais muito me atraem , pois a história de vida de alguém não deve ser esquecida, em especial, quando foi importante em seu meio, um exemplo a ser rememorado, seguido.

Existe o velho adágio de que o Brasil é um país sem memória.Não é bem assim.Corações e mentes narram fatos, músicos fazem , nas letras, a poesia da histórias pessoais e de outros...Quando a equipe da Rede Catitu entrevistou homens e mulheres idosos, verificaram que ,nos compartimentos do velho computador mental, tudo fica arquivado.Psicóloga, sei que os compartimentos mentais não são estanques e que basta abrir um, que, por associação livre de idéias, vão se desencadeando as vivências, as explicações, as saidades.A memória imediata , no idosos, é mais frágil, para a memória retrógrada é uma bênção - e , por isso, entre indígenas, os anciãos são respeitosamente ouvidos, assim como é preciso ouvir as parteiras, as lavadeiras (no Jequitinhonha, a cantoria dessas, ganhou espaço, discografia, através do trabalho do cantor e psicólogo Carlos Faria ), os barqueiros, os barranqueiros.Os velhinhos do lugar registram as acontecências, em especial depois que sossegam a empolgação juvenil, viram bancos de dados humanos e ainda enriquecem suas histórias com a filosofia de vida, os ditados, as músicas...No Nordeste, por exemplo, é comum que os reprentistas sejam verdadeiros repórteres de sua época.Chega-se a uma praça, a uma praia e lá estão eles, com seus instrumentos e voz forte, narrando fatos políticos, crimes, eventos, de forma metrificada ,rimada e melódica.Em Minas, por exemplo, na Serra do Cipó, os griôs,mestres das sabenças e das curas, são respeitosamente considerados em suas comunidades.Os dramaturgos de taquaraçu, cujo histórico de atividades teatrais, conta que o Teatro começou em um curral, tudoisso e muito mais, vem sendo estudado e vivido, por exemplo , por Fernando Fabrini, ator, autor, que há mais de dezessete anos, faz um belo trabalho artístico e comunitário com esse protagonismo e esses dons.Também o entrevistei longamente - para mim , uma conversa antológica-em "Clevane Pessoa e outras pessoas",um espaço que ocupo a convite da Rede Catitu.

Quero continuar a ouvir a família Guiga, deverei ir à Serra do Cipó e a Taquaraçu, para sentir de perto a beleza desses projetos.

Llobus, fotógrafo que vê a alma e consegue registrá-la, já bateu centenas e centenas de fotos.

Um trabalho de fõlego, para Minas Gerais se orgulhar...E os brasileiros também.Exemplo a ser seguido.


Publicado originalmente por clevane pessoa de araújo lopes em 26/06/2007 às 12h36

http://www.clevanepessoa.net/blog.php

Vânia Diniz:Primavera em Verso e Prosa




23/09/2007 21h29


Vânia Moreira Diniz:"Elegia à Primavera" (em prosa e versos)

Pelo sorriso latgo e primaveril,pode-se entrever a floração de sua alma linda.Vânia Diniz, autora de textos e livros tanto em versos quanto em prosa, oferece, á entrada da primavera, dois exemplos de sua prolífera lavra(Clevane):



Elegia à primavera,
em prosa e verso


Por Vânia Moreira Diniz, poetisa e prosadora.

http://www.vaniadiniz.pro.br

Eis que chega a primavera (prosa)
Vânia Moreira Diniz



"Eis que está chegando a primavera bela e colorida, a estação mais festejada do ano com sua luminosidade, alegria, doçura e trazendo-nos o canto dos pássaros, convidando-nos a festejar. Esperança na natureza colorida, na dança das folhas verdes, nas flores multicores, nas árvores robustas, na beleza que nos foi legada, fonte de vida e amor. Mistérios na energia do universo e que nos é transmitida.

Cada estação tem seus segredos escondidos magicamente no desenvolver de seu ritmo de duração, todos eles legam a esperança do seu reinado nas alegrias características e intrínsecas seja o verão, inverno, outono ou primavera.



A estação das flores carrega perene alegria e tudo se faz mais intenso, sentimos sensações renovadas e fascinantes, os pássaros voam a intervalos de distância como se quisessem avaliar seu tempo e potencialidades, o céu é mais azul, as estrelas brilham com tanto fulgor que nos encantam e o sol dourado nasce precioso e acolhedor.

Quando o dia amanhece a despeito de qualquer tristeza que possamos guardar a graça e o enlevo que experimentamos é tão suave e maravilhoso, que nos convida à concentração, reflexões e ao olhar admirativo e respeitoso frente ao que se nos apresenta de magnífico o nosso planeta.




E a melancolia de saber que temos irmãos aqui ou em lugares perto ou distantes sofrendo a miséria, o desconforto ou brutalidades imensas nos faz pedir à mãe-natureza que propicie uma vida melhor com o mínimo de dignidade porque todos merecem usufruir o encanto da alegria e da felicidade.

Apelamos para a primavera em cores tão esfuziantes, para que unam os homens e todas as criaturas, hóspedes temporários deste mundo, necessitando usufruir a beleza e o mistério que trazem sensações sedutoras, enriquecendo a alma que faz uma passagem pela terra e depois se renderá à felicidade plena levando memórias de imagens e amor.




Contemplo e ouço com ternura todos os elementos criados, flores em profusão de tons, árvores gigantescas carregando os mais variados frutos, a terra que guardará raízes contendo húmus fertilizador, o gorjeio dos pássaros e o silencioso caminho dos rios e lagos, o eco do mar majestoso em ondas avassaladoras, tão brancas e espumentas, o bramir do vento em sua onipotência, a voz harmoniosa do ser humano e mais me convenço do poder da esperança nesse dias em que se inicia a primavera.

E com o perfume das rosas, despertam sonhos que pareciam adormecidos, mas estavam simplesmente descansando de sua ânsia de realização e entoam canções de fé, certos de que não podemos viver sem eles. A primavera os ressuscitou e então caminhamos na certeza de um futuro abraçando-os como única maneira de acreditar em nós mesmos.

Seja bem-vinda primavera gentil, que vem para reinar nesses meses de ventura, com seu ar tépido e enfeitiçador, e cujo horizonte longínquo se reveste de todas as cores transformando o limite do real e do irreal. Venha, nós lhe esperamos seduzidos de carinho e esperançosos do regozijo que deveria ser a sensação mais duradoura da humanidade.

Eis que chega a primavera."

Primavera em orgia (verso)
Vânia Moreira Diniz

Sinto em meu peito a natureza a se expandir,
Farta, bela, suave no horizonte colorido,
E me detenho em cada espaço de vida e de canção,
Que em orgia festejam delirantes a primavera.

As cores que se multiplicam em arco-íris,
Expressando em nuances a paixão do universo,
Explodindo em orgasmo de beleza a estação,
Que o planeta comemora esplendoroso.

O sol a chamejar em luz diáfana e amarelada,
Iluminando as flores aveludadas do caminho,
O céu azul como um manto diáfano e belo,
E a primavera a eclodir em gritos naturais.

Os corações dos habitantes do planeta em vibração,
fascinados transidos de amor em evolução aconchegante,
A alegria que conduz à namoros e romantismos,
E a paixão a circular intensa liderada pela primavera.

Primavera, rosa, azul, dourado, sol. Luz e estrelas,
Todo um conglomerado das riquezas do universo,
Circulando como um tesouro de brilhos e fulgor,
E a magia transcendendo qualquer eventual tristeza.

S.Francisco:Trovas, bio, canto-Recados de Macedo, Graça


Trovas sobre S.Francisco, recado de Ademar Macedo,de Graça Campos,letra de hinário.




Fazer o mal, não me arrisco,
porque Deus logo percebe,
penso igual a São Francisco:
é dando que se recebe!
(Ademar Macedo/RN)


Bendigo a pessoa honrada
que guarda, na alma, a raiz
da humildade ilimitada
de São Francisco de Assis.
(José Maria Machado Araújo/RJ)


Se São Francisco de Assis,
fosse o herói da mocidade,
dos corações juvenis
transbordaria humildade!
(Luiz Antonio Cardoso/SP)


Em meus versos, de alma nua,
a ti, eu canto louvores,
São Francisco, Irmão da Lua,
do Sol e dos Trovadores!
(Marisa Vieira Olivaes/RS)


Meu São Francisco de Assis,
irmão do sol e da lua,
leve a um destino feliz
essas crianças de rua.
(Neoly de Oliveira Vargas/RS)


Francisco de Assis, teu nome
tem pouca rima, é verdade...
Mas rima bem com a fome
que eu sinto em mim, de bondade.
(Thalma Tavares/SP)



"Cântico das Criaturas"

de São Francisco de Assis


Louvado seja Deus na natureza,
Mãe gloriosa e bela da Beleza,
E com todas as suas criaturas;
Pelo irmão Sol, o mais bondoso
E glorioso irmão pelas alturas,
O verdadeiro, o belo, que ilumina
Criando a pura glória - a luz do dia!

Louvado seja pelas irmãs Estrelas,
Pela irmã Lua que derrama o luar,
Belas, claras irmãs silenciosas
E luminosas, suspensas no ar.

Louvado seja pela irmã Nuvem que há de
Dar-nos a fina chuva que consola;
Pelo Céu azul e pela Tempestade;
Pelo irmão Vento, que rebrama e rola.

Louvado seja pela preciosa,
Bondosa água, irmã útil e bela,
Que brota humilde. É casta e se oferece
A todo o que apetece o gosto dela.

Louvado seja pela maravilha
Que rebrilha no Lume, o irmão ardente,
Tão forte, que amanhece a noite escura,
E tão amável, que alumia a gente.

Louvado seja pelos seus amores,
Pela irmão madre Terra e seus primores,
Que nos ampara e oferta seus produtos,
Árvores, frutos, ervas, pão e flores.

Louvado seja pelos que passaram
Os tormentos do mundo dolorosos,
E, contentes, sorrindo, perdoaram;
Pela alegria dos que trabalham,
Pela morte serena dos bondosos.

Louvado seja Deus na mãe querida,
A natureza que fez bela e forte:
Louvado seja pela irmã Vida
Louvado seja pela irmã Morte.

Amém.





Já bastante doente, compôs São Francisco o
"Cântico das Criaturas". Até ao fim de sua vida, queria ver o mundo inteiro num estado de exaltação e louvor a Deus.
No outono de 1225, enfraquecido pelos estigmas e enfermidades,
ele se retirou para São Damião.
Quase cego, sozinho numa cabana de palha, em estado febril, deixou para a humanidade este canto de amor ao Pai de toda a criação.

A penúltima estrofe, que exalta o perdão e a paz, foi composta em julho de 1226, no palácio episcopal de Assis, para pôr fim a uma desavença entre o bispo e o prefeito da cidade. Estes poucos versos bastaram para impedir a guerra civil. A última estrofe, que acolhe a morte, foi composta no começo de outubro de 1226, pouco antes de São Francisco morrer - aos 44 anos de idade.


SÃO FRANCISCO DE ASSIS,
rogai por todos nós!



Porto Alegre, 03 de outubro de 2007.

2007 - TROVABELA - Ano 2

______________________________________________

Querida Clevane,

Que nosso Grande Irmão, FRANCISCO DE ASSIS, Interceda por nós sempre, junto a Jesus.

Eu, que o recebi de presente, no banner, ontem mesmo coloquei -o sobre minha cama e

li o poema e já escolhi uma moldura especial.

Obrigada muito!(eu)
Graça Campos



Canto essa musiquinha quase todos os dias:

Irmão Sol e Irmã Lua

Ó Irmão Sol e Irmã Lua,
Abra meus olhos,
Quero ver a Luz!
Ó Irmão Vento e Irmã Chuva,
Cantem pra mim,
Canções que tragam paz!
Eu amo o mundo,
Gosto de viver,
Vivo nos campos entre meus irmãos...
Sempre cantando,
Com muita alegria
Passo os meis dias
Pregando o amor!...

( DEsculpe, mas não sei a autoria. Aprendi com o grupo espírita do Centro Espírita
Casimiro Cunha ).

Beijos...
(Graça)

S.Francisco de Assis


No dia de S.Francisco de Assis, 04/10/2007

Almas
Humberto Rodrigues Neto


Ah... quão estranha faz-se a alma humana
nos multifários prismas que apresenta:
se em fúria muitas vezes se arrebenta,
em outras, quanto bem de si promana !

Por mais que se a interrogue e mais se a estude,
traz de ancestres passados cada indício:
no mesmo afã com que disfarça um vício,
realçar procura, sempre, uma virtude.

Quantas delas no amor andam imersas!
Quantas outras ruminam maus instintos!
Provêm do mesmo Deus, mas quão distintos
são os fluidos que as concebem tão diversas!

Pois foi assim que o mesmo eflúvio prisco
- no ver do autor destas modestas odes –
plasmou de ira o coração de Herodes,
e o plasmou de bondade em São Francisco!

_______________________Imagem:túmulo de S.Francisco de Assis._




A Francisco


Maria J Fortuna

Vem, Irmão Francisco

Aninha-te em meu coração

Pois és a cotovia

Que louva o senhor com seu canto



E com ele quero estar em comunhão

Do alvorecer ao crepúsculo

Quero seguir teus pés chagados

Em direção ao Senhor da Beleza



Concede-me, irmão de Jesus

Um pouco do teu vinho

Com sabor de sol e lua

Destilado no teu coração

Para que eu embriagada

Do teu louco Amor

Esteja consumada em fogo ardente

Para sempre



Assim, Irmãozinho

Sorvo o mel da Graça

O pão da Santa Pobreza

A dança do despojamento total

BH 05.11.1983



Francisco e Clara

Francesco , Chiara

Nos olhos de Francesco,
a clara luz de Chiara,
mescla-se à luz mais rara,
do sol interior, da lua dourada
que são a fé e o inconficional amor...
Além do desejo carnal , a caridade.
Além da necessidade pessoal,
o amplo espectro da humanidade
fazem arco de arco-íris
no céu da alma compassiva
dos dois bem-amados...

A natureza murmura
quando os pés empoeirados
em sandálias rudes
passam pelos caminhos.
Trinam maviosos ,os passarinhos.
As águas cantantes
revelam segredos do Universo.

E Francesco e Chiara
transcendem
o relativo amor terreno,
embalados pelo absoluto
e dançam loucos de amor pleno.

Clevane Pessoa de Araújo Lopes.
(04/10/2007)
Belo Horizonte, Brasil

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Mulheres de Sal ,Água e Afins, no site do CLESI,de Ipatinga


No site do CLESI, as palavras de meu editor, João de Abreu Borges,sobre meu livro de contos(http://www.clesi.com.br/talentos/talentos4.html)


Mulheres de Sal,
Águas e Afins




MULHERES DE SAL, ÁGUAS E AFINS

Clevane Pessoa Lopes

Contato: pessoaclevane@gmail.com



Por João de Abreu Borges - Poeta, músico e editor

A fruta virgem

As mulheres, enquanto gênero da humanidade, possuem peculiaridades extraordinariamente contraditórias, ao mesmo tempo que fundamentais para nossa compreensão masculina do mundo. E mais: cada uma delas, em particular, possui suas idiossincrasias, enquanto indivíduos. Mais ainda: se formos falar de mulheres escritoras - como é o nosso caso aqui - mais do que peculiaridades, mais do que idiossincrasias, podemos então falar sem medo de intimidades, já que nos contos de Clevane Pessoa encontramos elementos quase mínimos (quasínimos), quase imperceptíveis da condição feminina em nosso meio social.

A começar pelos títulos "A Nuca", "Os Pés...", "O Moço que Amava...", "A Moça..." Só um título destoa dos outros, porém é o melhor para quem os lê; esse título é "A Pokã", fruta que ao ser aberta por um jovem sedutor com o dedo indicador dele penetrando em seu interior, alicia sensivelmente o sonho antes virgem e agora aberto de uma moça. É tão clara a simbologia da fruta deflorada simultaneamente à vagina frutificada, que qualquer pessoa mesmo de imaginação menos fértil se sensibilizaria ao ler esta passagem.

A palavra vertigem

Eu prefiro chamar de "poeta" todo aquele que verseja sobre o que somos em essência, já que, essencialmente, não se pode dividir nada, não se pode classificar em gênero, número ou grau aquilo que ainda se encontra em estado bruto, aquilo que penetra nos mares mais profundos ou alcança as montanhas mais altas com o poder de sua criatividade. Não pode ser ela, nem pode ser ele; somos todos um só ente criador-criado por alguém ainda bem maior que também é pai-mãe, deus-deusa, indivisíveis porque eternos.

Nesse sentido, Mulheres de Sal, Água e Afins não é um livro feminino, muito menos erótico, menos ainda pornográfico. É tudo isso junto num movimento permanentemente criador, numa dança em que os pares surgem de um só elemento que de si mesmo extrai seus opostos, tal como o sol sentindo-se chuva... e vice-versa

J.S. Ferreira concede-me entrevista.


>> ÍNDICE
05/10/2007 16h06
Entrevista com o autor de Jenipapo,J.S.Ferreira,aldravista, de Mariana,MG
Foto:J . S Ferreira , com a romancista Maria Luiza Falcão, entre ele e o r.J.B.Dinadon, escritor, poeta e professor na UFOP.



NOTA BIOGRÁFICA

J.S.Ferreira, nome literário de José Sebastião Ferreira, nasceu em 17/02/1954, em São Gonçalo do Rio Abaixo, Minas Gerais.
Poeta e escritor, formado em Letras. Recebeu várias premiações em Concursos estaduais, nacionais e internacionais de Literatura.

Participou de várias antologias poéticas a nível nacional e feiras de livros e de exposições de poemas nas cidades de Belo Horizonte, Montes Claros, Mariana - MG.

Detentor da “Medalha E. D’Almeida Vitor” – Revista Brasília-DF.

Autor dos livros de poesia :

“Lixos & Caprichos” – Editado pela CMC Consórcio Mineiro de Comunicação Ltda – BH, em 1991,
“Bateia Lírica” – Gráfica Ouro Preto-MG, em 1996.

Participação no Livro “Aldravismo – A Literatura do Sujeito”- pela Editora Aldrava Letras e Artes – MA-MG. Obra analisada em J.B. Donadon-Leal “Leituras, Ciência e Arte na Linguagem” – Editora UFOP, 2002.

Participação na série “Poesia de Bolso, 2003”- do CLESI – Circuito de Literatura – Ipatinga-MG. Participação no Livro “Poesia de Bolso” volume -03, CLESI-Ipatinga-MG, 2004.

Criaturas & Caricaturas (Textos J.S.Ferreira e Caricaturas de Camaleão) – 1ª Exposição – SESI-Mariana-MG, de 10 à 31 de maio/2005 e 2ª Exposição de 06 à 10 de Junho /2005 no (Patronato) - 1ª Semana de Letras – UFOP- Santa Bárbara-MG.

Co-autor do Livro “Nas Sendas de Bashô”, 2005, pela Editora Aldrava Letras e Artes – MA-MG.

Recebeu “Menção Honrosa” no 4º Prêmio Nacional de Poesias Cidade de Ipatinga-MG/2006 e 5º Lugar no 21º Festival Estadual de Poesia, em Ipatinga-MG. E 4º Lugar no “XIV Concurso de Poesias, Contos e Crônicas” da Academia de Letras de São João da Boa Vista-SP/2006.

Título de “Mérito Cultural” – UBE – Rio de Janeiro/2006.

Possui publicações esparsas em diversos jornais do país. Atualmente é Vice-Presidente, Tesoureiro e colaborador do Jornal Aldrava Cultural, em Mariana-MG. É membro do Movimento “Poetas del Mundo” e membro efetivo da Academia Marianense de Letras – Cadeira nr. 12.

ENTREVISTA



1) Você, que é poeta há tantos anos, por que sente afinidades com o aldravismo? O que é ser aldravista, para você?

- Sou um dos fundadores do aldravismo e, por isto, comungamos os mesmos ideais literários e educacionais. Trabalhando com vários textos curtos, exploro a metonímia que privilegia a parte como o todo, o que caracteriza bem o nosso aldravismo. Sinto-me bem à vontade no grupo aldravista, cujo movimento insiste em abrir portas para interpretações inusitadas dos acontecimentos cotidianos, em relatos de só aquilo que o artista viu. Para mim, ser aldravista é usufruir de uma convivência com vários autores de vários níveis culturais, sem prejuízos à minha produção cultural ou preconceitos.

2) Na próxima Feira do Livro de Ipatinga, você lança seu livro para público infantil, JENIPAPO". Desde quando, você escreve para crianças?

- Desde que me interessei pela Literatura, procuro escrever textos compreensíveis pelas crianças, que são um dos meus alvos preferidos, porque tive uma infância privilegiada e diferenciada, tendo um convívio sadio com os livros e com a natureza, que sempre estiveram presentes em minha vida.

3) O que o motivou ao título, à história?

- Dentre os textos inseridos no livro, alguns dos temas desenvolvidos citam o jenipapo, árvore nativa da região em que nasci. Essa árvore sempre esteve presente em minha memória, porque quando eu ainda criança sentia uma certa atração pela aparência dela e pelo sabor de seu fruto. Tive bons momentos junto a uma jenipapo e dela guardo as melhores recordações.



4) É comum, por exemplo, em dinâmicas de grupo, que profissionais de saúde, de educação, usem literatura infantil. Jenipapo vai se prestar á multiplicidade de leituras e atingir até ao público adulto? Qual a lição de "Jenipapo", se puder falar, sem contar o enredo, claro...



- Espero que o livro venha a despertar nas pessoas, especialmente nas crianças, o gosto pela leitura e a conscientização quanto à conservação da natureza, tão depredada nos dias atuais.



5) De que forma aconteceu a parceria que lhe possibilitou editá-lo?

- Ao longo dos anos, venho participando de vários concursos literários realizados pelo Clube dos Escritores de Ipatinga – CLESI, nos quais venho obtendo sucesso. Agora, com a parceria da Aldrava Letras e Artes com o CLESI, foi-me possível a edição do livro Jenipapo, o que considero como um prêmio de reconhecimento ao meu trabalho literário.



6) Como a capa e as ilustrações foram criadas? Você recebeu um desenho para aprovação, ou inferiu diretamente no processo criativo?

- Não inferi nem interferi em nada e nem tive participação na criatividade da artista ilustradora, que se inspirou nos textos que escrevi. Assim, deu nova roupagem e uma plasticidade perfeita ao que propus nos textos.

7) Pretende escrever mais livros para crianças?

- Claro. Tenho novos projetos em andamento, no aguardo de novos patrocínios, para serem editados.

8) Onde está o poeta no contador de histórias para a infância? Há um entrosamento (entre Poesia & Prosa) ou o processo acontece separadamente?

- No meu caso, não há interferências da prosa em minha criatividade poética. Expresso o que sinto, em poesia, e não me preocupo em contar estórias, porque a proposta do livro Jenipapo e totalmente poética, apesar de estar direcionada ao público infanto-juvenil.

9) Quando publicará novamente um livro de poemas? Algo em vista?

- Como disse, anteriormente, tenho outros livros escritos e aguardo patrocínios, para editá-los.

10)Deixe uma mensagem...

- Estamos em Mariana, Minas Gerais, buscando fazer Cultura sem verba. Graças a Deus, temos conseguido alguns pequenos patrocínios de pessoas físicas e jurídicas sensíveis à nossa causa, cujos resultados vêm sendo notados em todo o país, visto que a nossa Aldrava Letras e Artes tem sido merecedora de aplausos nos diversos meios em que atua.

Eu, particularmente, tenho três livros editados: dois, sob o patrocínio da Companhia Vale do Rio Doce e o Jenipapo, apresentado pelo CLESI e sob patrocino da USIMINAS.

Na foto, Sebastião, em primeiro plano,com Maria Luiza Falcão (autora de "Afonso") entre ele e o Dr.J.B.Donadon, escritor ,poeta,e professor da UFOP.

Resta dizer que a nossa Editora Aldrava Letras e Artes é a Editora responsável pelo ISBN dos vários lançamentos do CLESI, para o 2º Salão do Livro de Ipatinga-MG.

Agradeço-lhe a oportunidade de poder manifestar-me a respeito do meu trabalho e peço a Deus que lhe dê muita saúde e disponibilidade para dedicar-se às nobres causas literárias, com você sempre vem fazendo.
Parabéns a você pelas perguntas inteligentes e muito obrigado por tudo quanto vem fazendo por mim e por nós da Aldrava Letras e Artes.

José Sebastião:Obrigada e meu especial abraço para vc.Saiba que conhecer você pessoalmente, e aos aldravistas, foi um dos grandes ganhos,para mim , em 2007.O trabalho de vocês é constante e tenaz e , em relação às crianças e adolescentes marianenses, sem preço: levar-lhes , na Escola, a beleza das Artes e das Letras.Com Jenipapo, você afiança essa transmissão necessária.Parabéns.

Clevane





Publicado por clevane pessoa de araújo lopes em 05/10/2007 às 16h06

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

JENIPAPO, de J.S.Ferreira

s


Sebastião, poeta aldravista de Mariana,MG, que assina seus poemas como "J.S.Ferreira', autor de "Lixos & Caprichos", é autor apurado, de grande capacidade de síntese no seu dizer poético.

Acreditamos que essa característica deva influenciar seu novo fazer Literário:um livro para crianças, ao qual denominou "JENIPAPO".

Trata-se de uma das edições do CLESI (Clube dos Editores de Ipatinga) e que será lançado na na Feira do livro daquela cidade, sob os auspícios sempre consistentes da Usicultura.Marília Siqueira, a secretária do CLESI, falou-me entusiasmada, ao telefone, sobre a obra, fadada a agradar ao público leitor não apenas infantil, mas também o adulto.

Quando fui ministrar palestra sobre Alphonsus de Guimaraens, o poeta simbolista por excelência, natural de Ouro Preto, mas que passou muitos anos ( até falecer e continuar redivivo!) em Mariana,Sebastião mobilizou-se, nos enviou subsídios, mesmo sabendo que o tempo não seria hábil para a chegada pelos Correios, mas que irão enriquecer meu acervo pessoal, a xeroteca facilitadora às minhas palestras.J.S. Ferreira prometeu-me um exemplar, que vou resenhar e publicar em meus blogs.Inclusive, espero fazer uma entrevista com ele.

Natural de S.Gonçalo do Rio Abaixo, Sebastião está radicado na cidade primaz de Minas, onde participa das atividades do movimento Aldravista e tem seus versos publicados no seletivo Jornal Aldrava...

Para concluir, transcrevo , do autor:

"O melhor tesouro
é aquele que guardas
no fundo da alma."

O terceto dá margem a muitas reflexões...

Clevane Pessoa de Araújo Lopes