domingo, 20 de janeiro de 2008

ESTUDO GERAL DO CANSAÇO





Publicado originalmente, por Cath Roos em
http://br.geocities.com/clevanehomepage/cansacoclevane.htm,
site que ela me deu de presente em 2002,pelo que serei sempre grata.

Clevane Pessoa em ASAS DE BORBOLETAS agradece sua visita!




Estudo geral do cansaço



Das facas de dois gumes,

livrem-me, por favor!

Dos inúteis ciúmes,

escondam-me

(talvez no seio da flor)...

Das balas perdidas,

desviem-me a cada instante

(pois sou inocente

de qualquer acusação indevida)...

Dos falsos amores,

mandem-me um documento

para que os rasgue

e fuja deles, contida,

endurecida

sem olhar para o desejo!

Ando cansada da deslealdade

dos que representam

e fingem-se leais...

O cansaço me abate,

com tiros mortais,

quando, triste, vejo

plágios,roubos,mediocridade:

quero uma zona de conforto,

cercada de gente do BEM

para, confiante, ter e dar colo,

relaxar e ser alguém,
enfim, poder DESCANSAR...


Clevane Pessoa de Araújo Lopes



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webdesigner e editora:
Catherine Roos.
www.bonecadetrapo.com
Copyright ©2004 Clevane Pessoa
Asas de Borboletas
Todos direitos reservados.


Blocos Online para mim:


"Coloquei seu belo poema em Blocos, querida, está já em sua página individual.
Beijos,
Leila"(Leila Miccolis, por quem tenho muita admiração, do consagrado site BLOCOS ONLINE, e que dotou-me lá de uma página própria,pelo que sempre agradeço.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Traseirominissais e tend~encias

Traseiros & Minissaias,Pernas & Mamas,tendência...
Assunto: Traseiros & Minissaias,Pernas&Mamas, Tendências.../Clevane Comenta(com chantilly,sal e pimenta.. .)

Se quiser falar comigo,pode usar este e-mail: casasazuis@yahoo.com.br ou clevaneplopes@gmail.com


Mais Transparências ?!

Essa é uma nova tendência de Moda japonesa.Minha amiguinha e paciente Tininha, enviou-me uma seleção de fotos mas resevando para o final a "surpresa",o que repito,pra vocês:"não é transparência".
Trata-se de pintura,sobre o tecido das vestes,atrás,apenas,simulando as roupas de baixo e pernas,à perfeição.
Já vi muita mulher com blusa de crochê ou tricô,em pontos bem vasados, sem soutien e homens apressando o passo para ultrapassá-las e olhar a frente.Em vez de seios desnudos,encontram uma faixa de ponto bem fechado,ou outro recurso que tampe as mamas,aliás ,a palavra "seios",em anatomia,significa buraco:depressões(por exemplo,os seios da face,onde a sinusite se instala:inflamação a acumular secreções e provocar edemas,dores,mal estar porque o ar inspirado passa mal,obrigando as pessoas a ficarem de lábios entreabertos para resprar melhor)...
Temos de dizer mamas,peitinhos.Aliás,na adolescência,o nome é poético,mimoso:"brotos mamários"...
Mas voltando ao dernier cri japonês,os brasileiros(no masculino)irão adorar,"se a moda pega",pois bumbum,apesar dos silicones mamários,ainda é a grande fonte de atração dos olhares masculinos.
Isso me faz lembrar de quando Mary Quant lançou a "mini-saia",rompendo com as tradições de elegância:saias abaixo do joelho pelo menos dois dedos e,para as ousadas,dois dedos ACIMA.Escrevi uma crônica,na Gazeta Comercial ou na revista O Lince a respeito e recebi uma carta deliciada do Desembargador Vasques Filho,sonetista,aquarelista,trovador.Louvou a tendência,desejando que num futuro próximo,as mulheres andassem desnudadas.Obvio:pensava que "Clevane" era um jornalista.Respondi em papel cor-de-rosa.Perfumada.Disse-me uma senhorita.E a apartir daí,nos tornamos muito amigos,ele era missivista contumaz,daqueles de longas e deliciosas cartas,cheias de reminiscências,pois já morara em Juiz de Fora...
Nessa época,líamos que um certo motorista atacara uma garota,a "beliscões apaixonados",culpando-a depois,por estar usando minissaia .Os pais proibiam,com medo das filhas ficarem na boca do povo...Meu pai,sempre avançado e nordestino,acostumado a ver e conviver com pernas de fora(dizia-se que as de mamãe eram imbatíveis e como casaram-se"com um mês e doze dia de namoro",na véspera do casamento,ele pediu à noivinha de quinze anos andar para lá e para cá.Ficou a observá-la.Depois lhe contou:não tivera tempo de observar suas panturrilhas e tornozelos.Se fossem finas,bye!Apesar de minha irmã termos boas pernas,para padões,costumava dizer, meio brincando,mas falando sério,que as nossas não chegavam aos pés da dela.Realmente,eram bem torneadas,lisas,bronzeadas e sem varizes,até sua morte,por acidente,aos 67 anos(1996).
As freiras de vários colégios onde estudei,(do Santa Catarina,e dos Santos Anjos,em Juiz de Fora e do Colégio do Sagrado Coração de Jesus,em Itajubá,MG)em certas ocasiões ficavam no portão,com uma fita métrica e tínhamos de ter o comprimento da saia medido.Mal as freiras nos liberavam,quando íamos para a rua,dobrávamos o cós das mesmas,que eram pregueadas e ficavam lindas curtinhas.Meu pai achava graça no veto."O que é bonito é para ser mostrado"dizia.Quando ia conoso à costureira(ele era muito exigente com postura e comportamento e certamente roupa não entrava no seu rol de exigências),mamãe muitas vezes ocupada com os menores ou seus bordados,respondia à profissional sobre decotes,cinturas e comprimentos,que encurtasse(as saias),baixasse(os decotes,as alcinhas),apertasse e colocasse cintos(nas cinturas).Assim,fomos das primeiras a usar calças saint-tropez(de cós baixo,embora,naquela época,não usássemos barriga de fora,exceto nos biquines lançados por Brigitte Bardot,inspirados na ousadia das banhistas de Saint Tropez,famosa praia francesa,muitos em xadrezinho miúdo verde alface ou rosa...
Na minha época de minha formatura de primeiro grau,meu vestido,segundo as escandalizadas e meigas freirinhas,era decotado demais.Eu tinha busto pequeno e estava sem soutien.Os pais não participariam dessa cerimônia,não sei porque.Elas queriam que alguém me emprestasse um bolero.Bolero!Pecinha destinada a despistar os vetidinhos de alças e os "tomara-que -caia"(o cito desembargador Vasques Filho,anos depois:"Tomara que as mulheres adotem a moda de nada usar"...rsss),donde deduzo que os homens inventaram a expressão,ou os estilistas,para deixá-los intrigados,espectantes...Meu decote "V",onde uma faixa drapeada se cruzava,teve de ser aceito,pois as meninas de bolero ou casaquinho não quiseram tirar os delas para me emprestar.Papai e mamãe acharam muito graça de que eu provocasse tal discussão,uma garota de catorze anos magrinha,com a bainha da saia abaixo do joelho,para não chocar...
Nos meus tempos de Gazeta Comercial,comecei a atender a uns telefonemas de um rapaz que lá escrevia,em outro horário,ocasião em que eu lecionava Desenho e "Educação Moral e Cívica" para cabos e sargentos e primeira série para uns pequerruchos encantadores,na escola da ASE,em Juiz de Fora.Não nos conhecíamos pessoalmente e as secretárias inventavam feiuras físicas sobre um e outro...Marcamos encontro na tradiçional Feira das Nações,no Bom Pastor.Ele disse que ia num carro esporte vermelho.Eu ficara dentro da barraca dos artistas e num dado momento,o Lacerda resolveu fazer uma caricatura crayon de meu rosto(fez só olhos imensos,cercados de olheiras e longa cabeleira negra,meus irmãos detestaram e eu adorei).Posando,não vi o moço aparecer.
Um dia,marcamos nas prévias do Festival de Música popular,no Clube Juiz de Fora.Eu lhe disse que iria de calças compridas Saint Tropez brancas,blusa "Mamãe Dolores"(feita de estampa floral miudinha,com fundo preto,assim chamada por causa da escrava que era personagem na novela "O Direito de nascer",ave!).Ele riu,dizendo que não ia precisar de detalhes.Ele já me vira,pois estava um dia com o diretor de teatro e ator Natálio Luz,quando este me apontou e nomeou para ele."Você estava de mini-vestido verde limão,meias arrastão pretas",contou."Lindas pernas",concluiu.Claro,depois contei sso a mamãe e papai,como quem diz:eu também tenho pernas bonitas...rsss
O rapaz não era muito alto,mas era ,como se dizia na época, "um pão"...Dessas prévias,recordo os membros de júri com dicionário na mão,procurando saber o que queriam dizer termos usados por Suely Costa...
Aliás,essa talentosa compositora,que faz tantas boas músicas gravadas por Chico,Betânia e outros expoentes,tinha,além de voz afinadíssima e conhecimento musical, belas pernas.Noutro dia,emocionei-me assistindo-a na TV Cultura,repassado pela Rede Minas,ao ouví-la,com sua voz grave,ir contando sua trajetória...Certa feita,fui com amigos assistir às "Irmãs Costa":ela,Telminha e Lisieux(uma delas canta com Chico "Eu te Amo",numa gravação de LP do mesmo nome-não me lembro se foi regravada,uma maravilha de canção),vestidas de minivestidos curtíssimos e meias-calça brancas,translúcidas e brilhantes.Um show à parte,cada uma com um tipo físico diferente,o irmão ao violão.A mãe delas chegava no Ginásio Estadual Patrus,onde estudei por dois anos,de lambreta,as belas pernas aparecendo.Situação inusitada.Os professores e alunos olhavam para o outro lado,a despistar o interesse.Depois alongavam o olhar.Mas ela já descera,simpática e sorridente.Pianista,era nossa querida professora de "Canto orfeônico",então matéria obrigatória.Graças a essa base musical clássica,os filhos sairam-se músicos assim apurados...Dona Aparecida fazia parte da plêiade feminina de mulheres que nos anos 50,60 e 70,eram avançadas para a época,ignorando solenemente os velhos vetos e tabus.
Agora,as mulheres seguem a moda das calças,saias e shorts com o cós superbaixo.Apenas cobrem as pélvis.Há as mais gordinhas,que não ligam em mostrar banhas,para não ficarem de fora da tendência.Mas as de barriga chata,ficam lindas.Claro há quem censure:(...)"só faltam mostrar"(...)"e agora deram para mostrar pelo cós,as calcinhas!"(...)"Calcinhas?Que nada,agora mostram é uma tal de cueca feminina,que horror"...Juro que já ouvi,inúmeras vezes,tais comentários...Moda é moda!Penso apenas que apenas a questão estética devesse ser resguardada,mas,ao esmo tempo,lembro que,quando pequena, fui ao Rio de Janeiro com meu pai e vi,tanto na Praia de Copacabana quanto na feira ,senhoras,das quarentonas às idosas ,felizes com pouca roupa,as pelancas aparecendo impunemente(não,não se falava em operação plástica para fins estéticos),fiquei encantada porque elas podiam ser felizes sem regras próprias às sua idades,tão em moda na época.Comentei com papai e mamãe e ambos riram."Não é o hábito que faz o Monge",aprendi,para sempre.E a palavra "hábito",nos dois sentidos.
Que bom ,pra minha vida,eu ter tido pais assim abertos,ensinando que a moral vem de dentro para fora.Bom é ter o moral lá nas estrelas...

Clevane Pessoa de araújo Lopes

Belo Horizonte,11/10/2005
N:Infelizemnte,não posso dar crédito às fotos de Moda que repasso. Tininha recebeu de alguém que também não sabia...
Se alguém conhece a fonte,avise-me...
Clevane
clevane pessoa de araújo lopes

domingo, 21 de outubro de 2007

Gocho Bersolari e eu:opiniões trocadas entre poetas.





Encontrei um arquivo de 2003, com uma troca de poemas e opiniões entre o poeta Gocho Bersolari e eu.
Posto aqui,onde quero estar entre outras pessoas, para registrar:


Gocho Bersolari escreveu:
Querida Clevane

"Tu poesía es formidable: tiene la tensión de un cuento, la profunda reflexión de una meditación y una lírica comparable a la de Safo. A esto se suma que sólo puede haber sido escrita por una mujer que sienta profundamente su condición de tal. Me parece excepcional e insuperable
Más besos para ti A lo qu
© Gocho Bersolari
Poeta"

“Cuando veas un centauro,
confía en tus ojos”

José Saramago


----- Original Message -----
From: Clevane Pessoa
To: lapoesia@yahoogroups.com
Sent: Sunday, October 03, 2004 3:46 PM
Subject: Re: [lapoesia] Pantera


Amigos:Leiam a forte e bela poesia do GOCHO e caso queiram, a minha...
Repassem...comentem...
abraços:
Clevane

Gocho Bersolari wrote:
Clevanne
Gracias por tus palabras y en especial por la hermosísima y lírica poesía que nos regalas.
Muchos besos
Gocho Bersolari
Poeta

“Cuando veas un centauro,
confía en tus ojos”

José Saramago


----- Original Message -----
From: Clevane Pessoa
To: lapoesia@yahoogroups.com
Sent: Saturday, October 02, 2004 4:13 PM
Subject: Re: [lapoesia] Pantera


Gochop:belíssima poesia.Gostei muito.Parabéns.
Clevane Pessoa
Envio-te uma das minhas.Caso haja algum erro de espanhol,rogo-te que o corrijas, pois versei do Português, minha língua, para o espanhol e posso ter cometido algum engano.Caso queiras que passe alguma das tuas para o Português, avisa-me.
Atenciosamente:
clevane pessoa de Araúyjo


LA MUJER Y LA VENTANA

Para "La Poesia" e ainda Grocho Bersolari

El viento traía el murmullo de l'água
.La mujer lloraba
por la misma causa recorriente:
la lucha por la libertad...
De vez en cuando,
por la ventana abierta
la mujer, ardiente pero melancólica
miraba en el espejo del aire
-observaba el vuelo
de los pájaros libres
encima del mar, en el horizonte rojo.
(Creo que con esta imagen
se podría elucidar la realidad
de la mujer ;
limitada en su espacio
en los años que fueren negados
muy arraigada en cuentos de hadas,
pero limitada
en ciertos deseos...
para las mujeres,el amor

non constituye el mismo sentido
que para el hombre...)


Pero parecía aliviada, ahora...
Casi cerró los ojos que le doían...
Cerró las manos...
Pasaron unos minutos...
El hombre, arrastando los pies
se acercó
sussurandole al oído:"Adiós"
_"Adiós", repetió la mujer
-parecía en reposo,
sin la percepción de la dolor
de l'alma padeciente...


Un calor abrasador la invadió.
Las venas de sus manos
sobresalían,azuladas,
como ríos en fuego, todavía...
Las palmas, con los dedos encorvados
llevaban el compas indeleble
de las vibraciones de la furia...
Esperó hasta que la puerta
amarillenta e pesada
se cerró, como para sellar el adiós.
Una vez más,solamente sola,
in soletude
pero renovada...

El calor, la ultima expresion posible
tanto en el comiezo
com en el termino
profundamente sumergido
a las raíces de su cuerpo.
Repentinamente el viento
sibilla en las ventanas...

En la vivencia, el hombre
-objeto amado de deseo
se haya convertido
en su problema...
La pasion
se haya convertido
en distancia e ausencia

(Clevane Pessoa de Araújo Lopes)

12122002




Gocho Bersolari wrote:
Hay una pantera
pugnando por salir de las horas
que se clavan
que se clavan
en el costillar del día. La pantera
mira con sus brillantes ojos
un retrato de Mozart
mientras la sinfonía Nº 40
no deja de estallar
en peces de notas y palabras.

Entonces
la pantera calza botas
de cabritilla
y camina entre nuestros silencios
como la dueña
de la plantación de nuestros dolores.
Debemos extraerlos diariamente
en insomnes amaneceres cuando el tiempo
es un tronco agudo que se clava en los ojos,
es un insecto
que se alimenta de nuestro esternón,
es un lipoma azul y sostenido
en el aura de los ojos del día
que se asoma
que se asoma
como un animal tenue, enorme y suave

Ahora
la pantera se instala en la tarde
y sueña con la llegada de la noche
para rasgar la luna
y beberla
con mi sangre descalza.

© Gocho Bersolari
Poeta



Flores que vuelven

volando a la rama

eran mariposas.
Moritake


Este camino

ya nadie lo recorre

salvo el crepúsculo



Dentro de la olla

Un pulpo reposa en sueño fugaz

Bajo la luz de la Luna de Verano


MATSUO BASHO
1644 - 1694

sábado, 20 de outubro de 2007

Nobre Mensageiro






O poeta Alain de Paula está na tarefa de concluir seu livro primevo, "As Margens da Iluminação", mas já escreve novos versos, para o próximo.

Mineiro de Belo Horizonte, mora em Bóston e já nos Estados Unidos há duas décadas.Pai de Svetly e Leela, marido de Anna, está na área de Educação.Recentemente apresentou-se lá em Novos Talentos.

Sua Poesia transita entre o lírico e o profundo, o profano e o divino:um ser de alma poética, em busca da iluminação.



NOBRE MENSAGEIRO

o nefasto cria espaços
e vem ao som da chuva
no ápice dessa fraqueza
tentar me condenar

concorda com a discórdia
e permite que esse mundo
em um raio de segundo
transforme-se no pior lugar

mas tudo é passageiro
e o nobre mensageiro
consciente e destemido
chega para me salvar

ele traz a alegre notícia
da possibilidade bendita
da exorcisão das trevas
e de um novo caminhar

ele diz que posso tudo
e que a luz que tanto quero
reside no próprio escuro
que previne meu iluminar

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Na ASVPE



26/08/2006 10h38

Omagem:trabalho de Fernando Barbosa(*), autor e ator,fotógrafo, sobre foto de Alex.Aí, participo do mega show "Poesia Abraça a Música",organizado pela jornalista e produtora cultural Dayanne Timóteom no Teatro Chico Nunes, em Belo Horizonte, MG

(*) De seu site Espaço Cultural Casa do Fernando:

http://eccasadofernando.arteblog.com.br/

Poetas suicidas XX
Clevane Pessoa,
para Eduardo, sempre.


Rasgo-me
o ventre da alma,
para um harakiri
de oferenda.
Não por honra perdida,
mas por desejo interrompido,
impecilho à livre expansão
da completude a dois.

Quimono de seda,
camadas superpostas de dor
e de saudade.
Bordados sutis
quão foi o amor profundo
de raízes imensuratas.

A adaga ritual.
A entrega plena,absoluta.

Antes, simbioses desideratas,
limites de limitaçõs sem limites.

Promessa de reencontro
em outra dimensão...

e vôo, então.

Publicado por
clevane pessoa de araújo
em 26/08/2006 às 10h38


O VISITADOR
Clevane Pessoa - Belo Horizonte - MG


Todas as noites
Passa um fita de luz
Pela fresta,
Atravessa a cortina
E me seduz
Fazendo uma festa
Para a menina
Que dormita
Dentro da mulher
Que acorda...
Com energias fluorescentes,
Florescentes,
Pega o açoite
Que o dia usou
Para castigar
Minha poesia
_ A companheira
etérea
da fantasia _
E o transforma
Em um fio de luar...


Apaixonada,
Embora,
Meu desejo constranjo
Em pleno deslumbramento
Quando re/descubro
Que esse espectro
É um anjo

Poesia destaque em concurso da
ALPAS XXI,de Cruz Alta,RS,depois
editada na coletânea
"Desafios"/2002,por Rozélia Rasia


MÃE DE MEL
CLEVANE PESSOA DE ARAÚJO LOPES


MÃE DE MEL, SEIOS DE NÉCTAR,
OLHOS DE SAL-O QUE SIMBOLIZA A VIDA,
A EMOÇÃO DE CONTEMPLAR
UM PEQUENO SER A NINAR,
A PEQUENA GRANDE PESSOA
QUE SEU ÚTERO TÃO BEM SOUBE ABRIGAR...
E A BOQUINHA QUE SE ENTREABRE,
BOTÃOZINHO A SUGAR!
E O SUSPIRO SATISFEITO,
IRROMPENDO A ENCANTAR!
E O CHEIRO DE LAVANDA,
E A RENDA NOS PUNHOS
DOS PEQUENOS PULSOS DE SEDA!
E O LENTO E TORNEADO ESPREGUIÇAR,
COM OS BRACINHOS MACIOS
A ESTICAREM QUAIS BROTOS
DE JOVENS REBENTOS,
A AVANÇAR
PELOS ESPAÇOS !
E O PESADO LEVE PESO, NOS TEUS BRAÇOS:!
MÃE DE MEL,FARTURA, TERNURA,
TU CARREGAS ALGUÉM
QUE ORA SENDO UM ENTE ASSIM PEQUENO,
ALGUÉM ADULTO UM DIA SERÁ
E DE TEUS CARINHOS
TERÁ SIDO FEITO
E INCONSCIENTEMENTE SABERÁ
DO FAVOS DE TEUS CUIDADOS



CONTATO SACRO
Clevane pessoa de Araújo Lopes

Mesmo quando as tempestades são duras
Minha alma quer manter-se pura e intocada
Erguendo-se, qual condor, nas alturas
De energia, gastando quase nada...

De costas para o vento, vai flutuando
Conduzida pelas bolsas de ar quente
Não há desgastes nem cansaço: voando
Faz-se parte do Cosmos, resiliente...

Alvo de flechadas, tiros, pedradas
Protege-se subindo mais e mais
Além das nuvens, no azul absoluto

E acha, asas abertas, não rasgadas,
Em átomos infinitesimais,
Deus, que mesmo sendo tudo, é impoluto...


Este soneto,em Concurso do saudoso
site "www.notivaga.com"da Magriça,patrocinado
por Mirkos Von Breysky,foi menção honrosa,
fazendo parte da coletânea(de papel)
"Antologia dos Poetas Notívagos"


Sou patrono da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores(AVSPE), que me doaram ali um belo espaço.
Visite e conheça os demais patronos, acadêmicos e presidentes.

Entrevista com Bernardo Erwin




Bernardo Erwin, um artista completo.

Entrevista o autor,violonista e cantor Bernardo Erwin.

1)Qual sua formação?

Comunicólogo (trabalhando atualmente nas áreas de comunicação, design e programação web)

2)Como a Estrada Real entrou em sua vida?

Essa coisa de gostar desses cantinhos escondidos de Minas foi ganhando muita força na minha vida nos últimos anos, o "fugere urbens" me transformou num arcadista radical e apaixonado pelo interior, pelo sertão, pelo distante. Foi que conheci o Instituto Estrada Real através do pesquisador Márcio Santos e descobri que seria uma forma de trabalhar com essa natureza (refiro-me também à natureza humana) que me encanta. Já são quase quatro anos vivendo o dia-a-dia deste projeto.

3)Por que "Serra do Espinhaço"? Fale de suas vivências com esse trecho tão belo das Minas Gerias e com a natureza...

Observei que minhas composições sempre se inspiravam em algo em comum...mais tarde fui saber que se tratava de uma tal Serra do Espinhaço. Tenho a sensação de que é ledo engano o fato de nos meus "idos burocráticos" estar registrado que sou natural de BH. Gosto desta cidade, mas somente na cordilheira me sinto mais parte do lugar...Isso tomou conta até da minha forma de ver as coisas, por isso digo que são músicas do espinhaço, mesmo que eu vá pra outra natureza levo comigo o olhar do espinhaço, a forma de viver e interpretar...O Espinhaço está para mim em muitos lugares e não somente onde a geografia o definiu. O Espinhaço está tb na alma das pessoas, percebo-o em ambientes, instâncias e universos variados.

4)Desde quando vc escreve poesia?

Não me considero um poeta. Na verdade sou um poeta com os olhos, interpreto as paisagens com lirismo, música e letras vem depois como se existissem para perenizar o sentimento de ver as paisagens.

5))Ser poeta para você é um trabalho ou uma maneira de ser?pretende editar algum livro?

Tratando de forma lúdica: Ser poeta é não ter alternativa, ou ter todas as alternativas e escolher a melhor.
Mas eu realmente não me considero um poeta. Precisamos valorizar mais esta profissão, e pra começar devemos tratar como poetas somente aqueles que realmente o são (como você por exemplo).

6))E desde quando a música o interessa?E compor, é um prazer ou ocupação?O que tenho criado atualmente?

Música esta na minha vida desde cedo. Minha mãe é pianista e acabei me enveredando por estes caminhos através deste instrumento. Mais tarde entrou o violão, as flautas, outros instrumentos e a vontade de viver isso mais a fundo. Compor é um estado de espírito (espero que isso não soe muito clichê). E as criações surgem sem muita explicação...

7)) Fale de você:o que gosta de fazer, de ter, de crer...

Aí vc me entorta....

8)Comente o site www.serradoespinhaco.com.br, tão belo.Quem é o webmaster?Vc participou de sua concepção?Qual a sua intenção ao dá-lo à luz?

O site foi desenvolvido por mim mesmo, com a contribuição generosa de grandes amigos. São três objetivos: dar vazão ao meu trabalho autoral, comercializar o CD-rom "O Caminho Diamante" e, principalmente, conseguir patrocinadores para novos projetos.

9))Mostre-nos algumas de suas poesias.

fico com a letra da música "Extrema Ponta", parceria minha com o Rafa Furst

Extrema Ponta
Estranhas entranhas de mim

Extrema, imensa
Intensa dilema em mim

Se encontrar ou se encontrar?

Do outro lado está
um outro como eu
a desembocar o seu pensar no mar,
o seu tocar no chão,
o seu tocar na terra:
percussão
o seu tocar na terra:
coração

******

O parceiro de Bernardo,Rafa Furst,é músico que abre-se em leque de vertentes relacionadas:compõe, canta, faz percussão, toca violão.

Esses rapazes talentosos somente precisam ser ainda mais descobertos...

E,claro, não posso resistir a lhes dar por presente ,um pouco de minha Poesia;

1º Mo(vi)mento:

Bernardo

No espaço de ser,
vértices e vertentes.
Cantante,mordente.
Cantata intimorata
preenche espaço
antes de amplitude infinita:
música em expansão adentra
sem necessidade de licença.
Mítica, mística,
a crença fundamenta-se
na nagnífica face
da serra.
Espinhaço:
espinha delineia
tamanho e forma.
Respirar fundo
a umidade do mundo
ignoto e especial.
A mão nas cordas,
cantas o que recordas
e tudo que afasta o mal.

Mo(vi)mento 2

Rafael

Repinicas sons
achas os tons,
te espraies ,
fibrilas o coração
e imitas seu pulsar
com as batidas de teus dedos,
revelas segredos,
pois alma,
ali no Espinhaço se acalma
e é doce e é aço.
De ti mesmo, sais;
vais de encontro
à natureza viva.
Insetos e aves fremem
ao teu compasso.

Mo(vi)mento 3

Bernardo e rafael

E a voz que cresce
e o sol que nasce
e a noite que desaparece.
Luz e calor,
frio e umidade,
ar puro que até dói,
"fugere urbens',
abris os braços
e abraçais as montanhas.
Esse a quem acompanhas,
que te acompanha,
no duo onde a manha
afasta qualquer sanha
e santifica manhã...

Mo(vi)mento 4

O sol

O sol escorrega
nos escorregadores da serra;
menino tornado,
o sol derrama luz,
entorna toda a amora
que alimentará a aurora...
E os companheiros
de viagem rumo à beleza original
abraçam um mar de poente,
abraçam a luz solar...
Percebem aceiros
dentro do olhar.

Movimento 5 / Aparentemente Estático:

Serra do Espinhaço

Mamas projetadas
seduzem a vista.
Desafias o banal,
pois de ti,por um lado, perene.
A vida brota de mil maneiras
e cada des/emaranhada rota
mesmo se prevista,
é sempre diferente.
Serra do espinhaço:
pinha
no espaço,
serrilhada
entre a bruma,
paleta de verdes,
precisas saber
o quanto és amada,
ordenhada
pela poesia
de dois cantantes
viajantes
da fantasia,
moços de silêncios intermitentes
e cantares - orações...
E os amamentas.

Momento 5

Não há mais nada
que eu queria dizer não,
en/cantada
com os cantos,
os sons
da percussão,
a voz,a composição,
o contexto
do absoluto
numa bolha de sabão...

Clevane Pessoa de Araújo Lopes
Poeta Honoris Causa,pelo Clube Brasileiro de Língua portuguesa,para oito países Lusófonos.

Cônsul Z-C em Belo Horizonte,Mg,Brasil por "Poetas del Mundo".

23 de maio de 2007

***
Visite o site e ouça música prá lá de boa...

Clevane

Serviço:

espinhaco@gmail.com

www.serradoespinhaco.com.br
e
www.musicasdoespinhaco.com.br

Publicado oroginalmente por clevane pessoa de araújo lopes em 23/05/2007 às 00h05 em

http://www.clevanepessoa.net/blog.php

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Fernando Fabrini e Taquaraçu







Fernando Fabrini (a meu lado nessas fotos, na Lagoa do Nado,em belo Horionte, Mg, onde funciona, entre muitas outras atividades, o Centro Cultural - em junho/2007, tiradas por vários fotógrafos da Rede Catitu:Llobus, Xisto Guiga e outros)estudou Shakespeare em Londres.De retiorno ao Brasil, soube dfe uma comunidade fantástica, em taquaraçu, inde a espressão teatral tivera início ...num curral.

Conversamos antes de gravarmos a entrevista e essa maleta fabulosa, guarda tesouros :em cadernos simples e antigos, os autores locais escrevem suas peças.Fabrini, apaixonado, já está agora há dezessete anos com a comunidade, a fazer teatro e levando adiante um projeto incrível de resgate das raízes, com a parceria da Rede Catutu e o entusiasmo do fotógrafo ,poeta e cantador Marco Llobus.

O nome deste blog foi inspirado no nome que deram a essas gravações de entrevistas:"Clevane entre Pessoas".

Na mesma data, entrevistei também os Guiga (cujo patriarca levou os bailes ao interior)e, aos poucos, registrarei aqui "o rumo dessas prosas..."conforme se diz no interior mineiro.Ainda há o projeto dos cavucos e dos griôs da Serra do Cupó.Beleza destilada em raízes e continuidade...Uma festa para alma, conhecer tamanha tradição e seu resgate.