sábado, 16 de agosto de 2008

A Natureza Feminina-Clevane Pessoa de Araújo Lopes





Imagem:um de meus desenhos a bico-de-pena, que ilustra meu livro de contos Mulheres e Sal, Água e Afins (edit;Urbana-RJ/Libergráfica-BH
Clevane



Homenagem à Verdadeira Natureza Feminina
Clevane Pessoa de Araújo Lopes

A Mulher, Santo Graal,
por ter no útero sua taça,
onde alimenta afinal
o ser que em seu ser se faça:
Maga ou Fada, todo o Mal
com o Bem afasta - e enlaça
com puro amor em caudal,
toda causa que ela abraça...

Belo Horizonte, 21/02/2007

asasdeborboleta16@gmail.com

Publicado também em :
http://www.cirandasdeletras.cantodapoesia.net/a_ti_mulher.htm


Leia também "SEr POETA", em http://paginas.terra.com.br/arte/elnpoemasepoesias/44serpoeta.htm
numa encantadora formatação de Edson

Poema a Andréia Leal



Foto:
A artista Deia Leal(andreia Donad0n), em Itabira, posa junto à estátu de Drummond menino.
Na cidade do poeta, realizou, em julho, a concorrida expo de arte Portais de Mina, logo após realizar a Emaranhaminas, em Viçosa.


Poema a Andréia Leal

Percebe-se que Andréia
contempla a VIDA com seu olhar de poeta:
áVIDA,impáVIDA,comoVIDA.
Registra com cores e vocábulos
nuances e retábulos,
toalhas de banquete,
retalhos,
opúsculos, apocalípse,
calípso e samba, ballet,
o plástico
e o indevassável,
a forma e a norma,
mas sobretudo, a liberdade
do ser alado...

Clevane Pessoa de Araújo Lopes

Carta Aberta a Gustavo Dourado


27/09/2006 23h47
Carta Aberta a Gustavo Dourado


Luciene Oliveira,estudante de Letras manda-me um e-mail dizendo que havia impresso uma carta que eu escrevera a Gustavo Dourado, motivo de um debate em sua sala de aula,que levou a turma a ler Phalábora.Mas que perdeu a folha onde a imprimira e não se lembrava onde a encontrara.
Vou então, republicar a carta(que originalmente,está no Recanto das Letras), pois gosto da idéia de estudantes dissecando nossas produções...Rsss...À época, Gustavo viria para um evento chamado Belô Poético, organizado por Virgilene e Rogério Salgado, o que acabou por não se concretizar....
Clevane


Caro amigo douro,dourado:

Quando te indiquei para o Encontro Nacional de Poesia,do Belô Poético, para o qual também estava sendo convidada,além de apreciar há tempos nossa amizade virtual, que embora parca e à distãncia,muito me aquece,o fiz em especial por um motivo:seres cordelista.Não porque, mas apesar de.Incluis o cordel em tuas transições poéticas e quando percorres de uma galáxia à outra de tua caminhada de versos,ele é teu cartão de visistas.
Ando fula com certos poetas emproados que chutam trovas e cordéis, porque as rimas dão a falsa impressão de des/literatura.Lembro que quando conhecia tua verve, foi através de Phalábora, e-livro virtual que deixou-me meio que sem fôlego, num valsar de energia pura,e então, te escrevi:
"Gustavo:Parabéns pela coragem de colocar um livro tão precioso na Internet.Confesso que até hoje só ousei colocar a poesia menos elaborada, por já ter sido vítima de plagiadores.Gostaria de saber se Phalabora existe também editado no papel...Em caso positivo,mande a editora e indique-me como tê-lo.
Preciso dizer o quanto gostei?O título já é de per si, um achado.O labor elaborado.A fala do labor.O labor da fala.O Falus.Phalas Atena determinando a Philosofia.A SOPHIA.A POIESIS parlando por teu falo.O fato falado.A IMAGEM no enganjement.O poder do falus e das falas.Teu poder de Poeta/metapoeta/metaphórico.Rico de imagens sincronizadas,"o tempora, o mores!".Que belíssimos jogos!LUDUS x LIÇA:o brincar e o combater.O Prazer embutido nos NÃO e nos SIM.A Perfeita Harmonia .Assimilação do SER ao aparente Não SER.A simbologia cromática.Embutida nos versos, a falacusatória, a falamante,a falardente:sarça que não se apaga...
Um abraço:Clevane Pessoa de Araújo Lopes"
Nem sei se te lembras disso.Nem eu lembro em que ano foi.Phalabora é de Poesia concreta, densa, mas abstrata,tênue.Mais a beleza plástica das iluminuras hodiernas.E acentuo:somente o bom poeta é bom cordelista, de patativa do assaré, com a grandiosidade da alma simples, jamais simplória,a Rodolfo Cavalcanti,de Jequié,na Bahia, para quem, mocinha fiz,capas de livros,enviando-as, de Juiz de Fora, onde militei na imprensa, para ele.
Quando soube que havias feito uma tese de formatura em codel, vibrei.E daí em diante, venho acompanhando teu tracejar de cordelista.O mais recente(penso),foi para cantejar Raul Seixas-em seu (U)niver(so):Uni, verso,só relembrado.
Às vezes, Gustavo, surpreendo-me a rir,imaginando um desses poetaços de versos brancos(tão deliciosos de fazer),a suar para conseguir metrificar as quatro linhas da trova, as seis da sextilha.Nunca mais haveria de menosprezar cordelistas.
Poesia é ave de grande envergadura, asa a asa...De grandes vôos.De muitos emplumares.Trocas de árvores, voltas aos ninhos e ninhais.E o Poeta a acompanha com amorosolhar.Assim és, se te permitem e se não.Tens a mesma grandiosidade de teu sobrenome.E brilhas.
Um abraço cordifraterno:de conhecer-te ando à espera.No real, pois no virtual,já te penso tanto quanto soi ser um amigo.E quero te apresentar uns que aqui em Minas Gerais fiz.O encontro cito é daqui a alguns dias,bem o sabes.

N:ARmagedon é o pseudônimo de Gustavo,esse baiano radicado em Brasília, prolífero autor.


Publicado por clevane pessoa de araújo lopes em 27/09/2006 às 23h47

Receita para Uma Nuvem de paz





26 de fevereiro
POEMA PARA UMA NUVEM DE PAZ

Uma Nuvem, uma promessa:
chuvas de PAZ.

Muitas nuvens artes móveis, preenchem o azul:
muitas imagens, cores e tons de PAZ...

Tintas brancas, pincéis de fraternidade, desenham arabescos
e o vento da solidariedade, é suposto: tela de PAZ...

Brancos lírios, antúrios brancos, jasmins, magnólias,
pétalas brancas, ramalhetes olorosos, cheiro de PAZ...

Ninhais de garças, pombos aos beijos,
símbolos pacíficos bandeiras de PAZ...

Origamis, papéis com poemas, lanternas japonesas
a tremular à luz interna: falam de PAZ...

Junte tudo, no côncavo das mãos,
sopre e mande para o Alto:
mais nuvens grávidas de amor,
pela PAZ no Planeta Terra
a partir da vontade das pessoas de BEM...

Clevane Pessoa de Araújo Lopes

Clevane pessoa-Sextilha_Luz em Meus dedos


Luz em Meus Dedos


Publicado por amizadepoesia em Fevereiro 24, 2008(http://amizadepoesia.wordpress.com/2008/02/24/)

Para tocar-te no escuro
encontro muitos caminhos,
até mesmo os dos segredos.
Se nada entre nós é impuro,
para trocarmos carinhos
acendes luz em meus dedos…

Clevane Pessoa de Araújo Lopes

Aves em Liberdade



Aves em liberdade


Sim, alimento as pardais e as rolinhas, para elas, essas avezinhas meras, compro canjiquinha, painço, alpiste e dou do meu próprio pão...
Estou aprendendo a linguagem das rolinhas, que têm um código de asas muito interessante. Para guardar território, para espantar, atrair, expulsar.
Minha amiga, a pintora Neuza Ladeira, contou-me que na Tailândia são aves preciosas e sagradas.

Engraçadinhas, dão a impressão de serem meigas, se essa palavra pode ser aplicada às avezinhas. Mas, pelo que observo com meu olhar de desenhista e poetisa, são extremamente belicosas. Levam a luta aos ares, em rodopio. Em vão ponho bocadinhos aqui e outros ali, no beiral de meu terraço. Brigam pra valer... Enfrentam as pombas espaçosas que descem atraídas pelos grãos, bravamente.
E batem nas rolinhas menores, as bebés um pouco menos querelentas. E quando as assusto sem querer, com meus passos em chinelinhos de cetim, voam para os fios em frente e fingem que não estão vigiando a comida. De vez em quando, fazem que olham, quais as mocinhas de antigamente. Assim que sossego, voam de volta.

Os pardais são cheios de algaravia, ainda não lhes descodifico o linguajar. Chiam e chiam. Acordam-me pela manhã. Invadem-me a casa, entram por qualquer cantinho e depois rodopiam desesperados, à procura da liberdade. Já criei - mais ou menos - um pequenino que, machucado, tolerava a minha proximidade. Eu chamava-o de Jeremias, uma graça.
Os menininhos pardais entram pela sala de porta sempre aberta e, pulinho aqui, pulinho acolá, não são muito medrosos do bicho-mulher. Depois que saem para o mundo, à força de serem escorraçados, de se assustarem com os carros que passam, ficam arredios e medrosos...

Há uma família de bem-te-vis, que longe de ter as asas controladas como as das rolinhas, são de uma alegria enlouquecida. Parecem torcedores com pompons nas mãos. Agitam o que podem, rumorosos e encantadores, listinhas amarelas na cabeça e peito de camisa idem...

Claro, coloquei água para os beija-flores. Um dos bebedouros veio com néctar, mas será que é possível colectá-lo com essa facilidade? Misturo um tantico de açúcar Mascavo ou mel. Eles adoram e com precisão enfiam os bicos longos e finos entre o orifício da corola. A flor é de plástico, mas eles parecem não se importar. Brigam pelo território, como os demais aqui, pelo espaço no ar.
Um foi expulsar com tanto ímpeto o invasor, que o bebedouro foi lançado a muitos metros de distância e se quebrou. Ele andou uns dias passando á procura, até que comprei outro.

Há uns colibris micro, outros do tamanho de andorinhas, e com elas se parecem, rabinhos em tesoura.
Meu marido Eduardo, sabendo dessa minha paixão por passarinhos, veio contar-me que ouvira em uma reportagem na TV, que á noite, de tão cansados, os beija-flores desmaiam. Nada os faz acordar. Desde então, corro meu olhar nocturno pela nocturna noite - com redundância propositada -para ver se entre moitas, encontro essas maravilhas que param no ar batendo as asinhas deforma quase inacreditável, coraçãozinho batendo alucinadamente...

Tenho uma colecção de gravuras reproduzidas de beija-flores de famílias várias, pintadas pelo pintor naturalista Etiene Demonte. São de tal forma perfeitas em detalhes, que nem sei de que forma o artista pode fazê-lo. Numa delas, descrevendo o beija-flor "Bico-de-sabre" (Heliothrix aurita auriculata), o especialista Augusto Ruschi chega a atribuir emoções humanas à avezinha:

"A parada nupcial do Heliothrix se desenrola com maior destaque nas fases de apresentação e exibição de plumagem". Sei que no reino animal isso é comum. Iguaizinhos a nós, humanos...
E continua: "na apresentação, o macho, em voo de liberação, se põe diante da fêmea a 30cm, e em voo para cima, para baixo e para os lados, como se estivesse a dar pequenos saltos, pois se lança a tais distâncias, e estanca de etapa em etapa, abrindo e fechando a cauda.
Em voo acompanha a fêmea (é, parece que os machos humanos aprenderam nessa cartilha!) fazendo ascensão em rodopios, para descer a outro pouso onde se segue a fase de exibição de plumagem. Então, o macho, fazendo voos de liberação, faz saltar os tufos violeta laterais, tornando-os bem salientes, e a parte enegrecida que contorna tais tufos. Fica em constante movimento, além de abrir a cauda em leque para, de quando em quando fechá-la e abri-la, até que a fêmea, já psicologicamente conquistada, se entrega".
Entre os humanos, as mulheres usam desses artifícios de conquista. E as gueixas, com seus leques, na dança?!...
Quando me levantei para ir à pasta, buscar uma das gravuras que peguei aleatoriamente, não sabia que encontraria a resposta para a pergunta crucial: ONDE DORMEM OS BEIJA_FLORES?
O dormir é realizado em pouso, em local alto e no emaranhado da vegetação de uma copa fechada", conta Ruschi, o ornitólogo minucioso. Por isso não os encontro quando os procuro, à noite...
O desenhista Etiene ilustra o locus de observação com perfeitas cópias de vegetação...Que lindeza, meu Deus...

Noutro dia, eu queria comprar uns periquitinhos, para ter melhor de quem cuidar. Meu filho Gabriel assombrou-se e proibiu veemente. Não quer morar em um lugar onde algo esteja preso, ele que ama a natureza e a liberdade dos seres. Aquiesci. Em vão o vendedor me disse que as avezinhas coloridas já nascem em cativeiro e blá-blá-blá...
Uma vez, conheci uma senhora que deveria chamar-se D.Rolinha, tal sua semelhança: baixinha, encantadora, tão rolicinha (tão rolinha!). Peitoral arredondado e farto, que quando ia embarcar, as aeromoças gentilmente a deixavam tomar o avião na frente dos demais. Acreditavam-na grávida e ela, sorridente, aquiescia. Dulcíssima. Mas ai de quem lhe quisesse tomar o território: deu uns tapas na cara da amante do marido, brigou com todos os meninos que brigavam com seus filhos. Virava ave de rapina. Só lhe faltava o tamanho...
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25/04006
Clevane Pessoa de Araújo Lopes

Texto publicado em http://laurabmartins03.blogs.sapo.pt/




Publicado por Littlehut em 10:13 PM | Comentar (2)

A/Deus




A/Deus

Adeus sem Adeus,
você continua presente
pois os pais jamais abandonam os filhos gerados
quando são dedicados
qual você foi por toda a sua existência.
Mais perto de Deus,
agora,
foi encontrar sua senhora
-a que me deu à luz...
Esperem por mim,
que um dia chegarei
a esse misterioso jardim.

Clevane Pessoa de A.lopes
(para meu pai, que partiu dia 17/07/2008

Publicado, com poemas de outros autores em http://www.sollua.com.br/0708/ciranda_adeus.htm