sábado, 17 de janeiro de 2009

Mestre Conga e Jadir Ambrósio:samba é com eles mesmos



Imagem:mestre Conga no surdão(arquivo Alessandro)Texto de Clevane Pessoa Lopes, para encarte CD(setembro,2006,após entrevista)

MESTRE CONGA

José Luiz Lourenço,-o Mestre Conga-oriundo de Ponte Nova,cidade mineira,ainda criança,é a história viva do samba em Belo Horizonte.Participou ,mocinho ainda,dos primórdios das escolas de samba,que originaram,de maneira direta ou indireta, as atuais.Agora,octogenário,faz parte,na UFMG,da Faculdade do Samba,onde a velha guarda busca ensinar às novas gerações,as manhas do ritmo.
Figura bastante marcante,possui memória invejável,nomeando pessoais e datando acontecimentos com precisão.Seu apelido foi-lhe dado por colegas do Grupo Escolar Flávio dos Santos,quando participava,com o irmão,Oswaldo Luiz, da Guarda de Conga N.Sra.do Rosário,que era coordenada por “Antonio Grande: tinham de amarrar latinhas de massa de tomate nas pernas,para conseguir a necessária percussãoOs colegas,quando apareciam,apontavam:”olha os Congas”....Também foi essa iniciação que gerou nele o gosto pela dança,uma paixão,pelo público em redor,uma necessidade.
Mestre Conga gostava muito dessa atividade,desempenhada depois que iam para o serviço do pai,braçal,na lavoura.Conta que a mãe era dona de casa,ambos analfabetos.Dançavam o congado,habituando-se aos espectadores,que ficavam espiando a função.Ele fazia os passos,agachando e levantando.”A Conga,conta-me o mestre,música oriunda da América Central”foi proibida durante a Ditadura”-como tudo que estava relacionado a Cuba..Dançava como vassalo e no início, era acompanhado quase por toda a sua família,tios primos,restando por fim,o irmão e ele.O pai não gostava da Conga e sim de “dançar,ao som de sanfoninha de oito baixos”.Um dia,Seo Antônio,o capitão da Guarda,aborrecido com o adolescente,mandou-o para casa descansar.Ele não voltou mais.
Com treze para catorze anos,jogava futebol,em times que eles mesmos,da comunidade,formavam.Com a elasticidade adquirida na dança,por certo levava bem a bola.Logo,passou a se interessar por dança de salão,no Rádio Dançante Clube.Esmerava-se de segunda a sexta-feira, das 20 às 23 horas,mas ele e os amigos,não podiam freqüentar os bailes de domingo,por serem “de menor”.
Com quase dezessete anos,perde o pai.A mãe não consegue ter a mesma autoridade e dá mais liberdade aos jovens.No barro preto,havia um clube chamado “Original do Barro preto”freqüentado por pessoas mais escuras e humildes,conta.Havia outra casa dessa ,o “Original de Santa Efigênia”.
Nos Anos Quarenta,logo após a II Grande Guerra Mundial,sai na Bateria da escola de Samba “Surpresa”,que funcionava onde depois se instalou o Sindicato dos Tecelões em Belo Horizonte:
-“Ensaiávamos lá mesmo,no miolo da pedreira,à luz de lamparinas,já que não havia como usar eletricidade.”
Foi nesse local que surgiu a Primeira escola de samba da capital,fundada por Popó e Chuchu(1938).Popó era Mário Januário da Silva.Chuchu,José Dionísio de Oliveira.Antigamanete,denominados “Maiorais”.Mestre Conga fala sorridente e brandamente,com precisão,faz questão de nomear as pessoas.Na verdade,é a história viva do samba belorizontino ,legítima testemunha de todas essas décadas.Mestre Conga,fiel à verdade,diz que ,apesar de jamais ter sido componente da “Surpresa”,acompanhou-a muito,nas batalhas de confete,tão usadas na época.
A “Surpresa” era uma remanescente da “Escola de Samba Pedreira Unida”.Posteriormente,houve uma cisão entre Popó e Chuchu,”um racha”,explica.Popó,que era pandeirista da rádio Inconfidência, então,criou,na Barroca,bairro da capital,sua própria escola e,”por gozação,ou para irritar”,chamou-a de “Escola Primeira de Samba”.Chuchu,por sua vez,era tamborinista da Rádio Guarani.Os dois tocaram com muita gente famosa em sua época, como Geraldo Tavares,o Cancioneiro,Paulo César de Aguiar.
O jovem Mestre Conga,então volta para a gafieira.Nessa altura,ganhava a vida como sapateiro.Conta que afetou a vista direita, numa fábrica de calçados,ao colocar um rolo de arame em uma grampeadora .
Adora dançar desde mocinho dançar.Rememora sempre os conhecidos de sua época.
Nessa ocasião,conheceu uma grande sambista,que representou,para o samba da capital mineira,o que Tia Ciata foi para o samba do Rio de Janeiro.D.Lourdes Maria de Souza,conhecida como ”Lourdes Bocão”,mãe do “Nenê da Bateria”.Até hoje,aos noventa e quatro anos de idade,ela ainda sai na “Inconfidência Mineira”. Na gafieira, conheceu Plínio Saxofonista e Zé Luiz do Trombone,entre outros.Já do pessoal das rádios,a partir de 1958,conheceu Rui Martins,Maestro Ofir Mendes,o pandeirista e compositor Jair Silva,o Maestro da Rádio Inconfidência Moacir Pontes,o Maestro Dele(José Brás de Oliveira),já falecidos.Cita tr se encontrado,no Rio de janeiro,o maestro e pianista Guio de Moraes ,fala de Jadir Ambrósio,compositor.
Mestre Conga começa então a compor.Explica que ,à época,compunha-se apenas um verso,numa espécie de mote e os demais iam atrás,improvisando versos.A roda de samba era o que hoje chamam de pagode,acentua.
Da gafieira,através dos companheiros passistas,de escola de samba,em 1946,estreou na Surpresa,a cita remanescente da Pedreira Unida.Fazia seus próprios instrumentos,e por certo a profissão de sapateiro o ajudou a criar seus próprios tamborins.”Era jovem,dezessete anos,gostava de desfilar.”Em 1947,por motivos de paixão por alguém,deixou-se levar por um “Maioral” um fundador da Escola de Samba Remodelação da Floresta”,Ildeu Amaral da Silva.Nessa época, muita boa,teve início “verdadeiramente,a amor pelo samba.”
Dois concursos o marcaram muito, o da “Rainha do samba”,promovido pela Rádio Inconfidência,e o Concurso “Cidadão do Samba”,promoção dos Diários Associados,Estado de Minas,Diário da tarde e Rádio Guarani.Foram o “ponto alto” do carnaval deBelô.Em 1948 com pouco menos de 21 anos,foi o ganhador-e como cidadão do samba,”não parou mais”.Samba-enredo,algo mais elaborado,teve início,na capital mineira, de 1956 para cá.Então,passou a escrever letras mais completas.Sua Escola, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Inconfidência,para ele “muito querida,é a mais antiga, a mais pobrezinha”,afirma.Resulta de uma cisão da “Remodelação da Floresta”:ele,companheiros como Lourdes Bocão,Fefeu.Cici,Arroz,Severino,Silvio Porciano,Amintas,Alírio de Paula,além de familiares também engajados na nova escola,ensaiam até hoje,no terreiro de sua casa,no bairro Concórdia.
A partir daí,tomou gosto em escrever o samba de uma estrofe,improvisando o restante da composição, desse ano em diante(1956)-“Agora,a escola de samba deve apresentar sambas enredos inteiros,com alegorias”,explica.
Para Mestre Conga, o auge do carnaval na capital mineira,aconteceu na gestão do Prefeito Maurício Campos.O último bem administrado,foi na do prefeito Ferrara,em sua opinião.Agora,acredita que o desfile vai melhorar,com a promessa do sambródomo.
Gosta de todos os seus sambas,mas acredita ser o mais bonito um chamado “A Saga dos Índios na Terra das Gerais,que está para ser gravado pelo pessoal da “Faculdade do Samba”,que reúne a Velha Guarda na UFMG.Mestre Conga também acontece nos saraus do centro Cultural S.Bernardo(Lagoa do Nado).E sempre está proto para apresentações.
Este jovem octogenário,gosta do samba porque ele o mantém,”em movimento”e da confraria a que pertence,a de S. Vicente de Paula”.Claro,de futebol e de arte afro.Também sai todos os dias e cita :”melhor andar à toa,do que ficar à toa”,uma ds máximas de seu pai..
Para o carnaval de 2006,concorre com um samba-enredo, chamado “Petrobrás,Um Sonho Que Deu certo”.Diz que o é preciso sonhar:”O cidadão,o ser humano que pensa e tem um pouco de vaidade,está sempre sonhando”.Sente-se grato pelo projeto aprovado:”Veio como um presente de Deus,que inspirou ao Júlio César Coelho Rosa fazer esse projeto,sobre minha pessoa...Eu não esperava que,depois de velho,fosse ser assim útil,para ele ganhar a aprovação.Fico lisonjeado e satisfeito.Fui criado em família muito humilde e mesmo tendo perdido meu pai muito cedo,nem por isso me prostituí ou marginalizei.Chegando aos setenta e oito anos,pretendo encerrar a vida da maneira como sempre fui e sou:embora simples,tenho dentro de mim a vaidade que simboliza a auto-estima”.
Mestre Conga recebeu o título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte,agraciado pelo “saudoso vereador Francisco Alves,depois Secretário de admnistração da capital mineira”.Pensa que,de seus momentos inesquecíveis,ter sido eleito “Cidadão do Samba”,em 1948,foi o momento mais significativo:”Me senti quase como um imperador”,entrega.Quandoa escola logra os primeiros lugares, a emoção é enorme,muita alegria,espera que ainda alcance novamente essa colocação.
Esse eterno “ Cidadão do Samba,de Belo Horizonte,posando ,no Palácio das Artes,para uma sessão de fotos,satisfeito e natural,revela no brilho dos olhos, que valeu a pena a espera pelo reconhecimento de sua trajetória.

Clevane Pessoa de Araújo Lopes
Escritora e psicóloga
(01/09/2005)



Texto resultante da entrevista,que aconteceu no Palácio das Artes,sem nenhum sinal de cansaço pelo velho sambista.Quando nos despedimos na porta,ele seguiu e ao atravessar a Av. Afonso Pena,virei-me para olhá-lo.Andava lépido,como se dançasse,como se ouvisse música...
Clevane Pessoa de Araújo Lopes
Belo Horizonte,05/08/2005



13/09/2005 20h26

MEU ENCONTRO COM JADIR AMBRÓSIO

Em 27 de junho de 2006

Há pouco tempo,no evento Poesia Abraça a música,que reúniu no Teatro Chico Nunes,37 músicos,musicistas e poeta,declamadores e performáticos, conheci Jadir Ambrósio.

Deu-se que peguei um táxi e cheguei ao Parque Municipal, onde se situa o referido teatro Francisco Nunes.
Pelo portão que dá para a Av Afonso Pena, entrou perto de mim, uma leva bem variada de pessoas, de várias idades,pois escolas mandaram seus adolescentes.
Ao descer a rampa, vi os que esperavam por algo ou alguém e, pelos vidros do hall, os que lá estavam.Fiquei por uns momentos breves,sem saber como proceder,pois ia me apresentar e sempre fôra lá como expectadora ou representando a Casa da Criança e do Adolescente,que coordenava,no HJK.Perguntei pela entrada dos artistas e o Jadir ,que já havia feito o mesmo,andou ligeiramente atrás de mim.Descemos a rampa e virei-me para conversar com ele.Negro alto e elegante,de cabelhos em capulhos de algodão,sorriso aberto.
Contou-me que seu acompanhante não viera,por isso,nãoia poder se apresentar."Que pena",eu disse,com tantos músicos,um deles não o acompanharia?"Ele se espantou.explicando que é preciso ensaiar.O que bem sei,pois sou mãe de músico e sei a importância da perfeita harmonia entre os músicos ,para os números apresentados...
Nos bastidores,camarins e coxias,todos os procuravam.
Eu andava a ver conhecidos e num momento,aproximei-me ,a tempo de vê-lo,bem baixinho,enquanto dava seus passos,cantar uma das músicas que defende.
Em vez de irritar-se acintosamente,se ficou frustrado por não aprecer para o grande público,Jadir Ambrósio tratou foi de proceder conforme a sua essência:ser artista.E o aplaudimos sem fazer barulho,o que fez brotar um grande sorriso no seu rosto quase sem rugas.
Benditos sambistas!
Quem puder,vá vê-los,Jadir Ambrósio,e Mestre Conga,conforme salienta Aécio cunha:da seara do samba mineiro(19/07) no Teatro da Biblioteca municipal.às vinte horas,sempre ás quartas feiras,como também aos demais artistas...


13/09/2005 20h26
Mestre Conga,Press release
Mestre Conga
◊◊ Press Release ◊◊

A Petrobrás, entre muitos outros projetos, escolheu o de Júlio César Coelho Rosa, que visa promover a história do mineiro José Luiz Lourenço, mais conhecido como Mestre Conga.O apelido, o sambista traz da infância, quando pertencia a uma Guarda de Conga. O autor do cito projeto visa resgatar, através da própria história desse personagem, a história do Samba e do Carnaval de Belo Horizonte.
Oriundo de Ponte Nova,nascido em 1927 onde o pai era lavrador, cedo Mestre Conga, sempre fascinado pelo ritmo, entrosou-se às gafieiras e posteriormente às escolas de samba.
Em 1948,o jovem artista recebe o título de Cidadão do Samba, que até hoje, lhe cai como uma luva. O concurso,um dos pontos altos do carnaval da época,era promovido pelos Diários Associados:jornais Estado de Minas,Diário da Tarde e Rádio Guarani,contraposto ao da Rainha do Samba,organizado pela Rádio Inconfidência.
Como exerce a profissão de sapateiro, quando convidado para integrar os percussionistas da Escola de Samba “Surpresa”,como tamborinista,ele próprio confecciona seu instrumento.
Mestre Conga narra que os samba-enredos eram feitos coletivamente: fazia-se um mote,cujos versos, nas rodas de samba, segundo ele, a mesma coisa que os “pagodes” de hoje, eram seguidos pelos compositores. O “samba de estrofe”, somente teve lugar “de 1956 para cá, explica”.
Lépido, sorridente,dono de memória privilegiada,faz parte, com outros veteranoas,da Faculdade do Samba da UFMG. Sua escola atual é a “Grêmio Recreativo Escola de Samba Inconfidência”, cujos ensaios acontecem no terreiro de sua casa.
Mestre Conga terá, como ponto alto do projeto, o lançamento do Cd “Decantando em Samba”.

Clevane Pessoa de Araújo Lopes
(dados obtidos em entrevista)
Publicado por clevane pessoa de araújo em 27/06/2006 às 12h15
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

CAPORI-Antologia 44 Anos e Ieda Cavalheiro






Fotos:Sede da CAPORI, Ieda cavalheiro lê poemas em programa de rádio mensal, na Rádio Pampa.


Com prazer, recebo e-mail de Ieda Cavalheiro, da CAPORI(Casa do Poeta Riograndense.A CAPORI completou 44 anos de existir.Vida longa à entidade e seus afiliados!
Fui convidada a integrar a antologia comemorativa e agora, recebo o pedido de envio de meu endereço para receber vinte volumes.
Além disso, a presidenta cita, conta-me que leu vários poemas de minha autoria em seu programa de rádio.Também alegra-me o convite para afiliar-me a esse consistente e sério grupo.


Ieda Cavalheiro
Date: 2009/1/14
Subject: Urgente! Urgentíssimo!
To: clevane pessoa dearaújolopes


Bom-dia, Clavane! Salve!
(...) Apenas para enviar-te mesmo os exemplares que combinamos que receberias por tua participação, cinco por página paga. Tens quatro páginas na obra, vinte exemplares a receberes(...)

Tivemos cinqüenta e um autores escritores e dois artistas plásticos na Coletânea. (...)

Li algumas vezes teus poemas na Rádio Pampa, onde fazemos um Programa uma vez por mês, de três horas de Poesia e Cultura juntamente com Altayr Venzon, da Tribuna Popular.

Estou saindo para Pelotas, cedinho e volto no final da próxima semana. Então te enviarei os exemplares porque hoje já não tenho mais tempo para fazê-lo.
(...)
Se quiseres ser associada da CAPORI, envio-te nossa Ficha para te inscreveres com todas as orientações, o que me dará imensa alegria e orgulho a nossa casa , com certeza. Ainda não tens nenhum pedido de sócia anterior.
(...)

Obrigada por atenderes rápido, pena que vais ter que esperar mais um pouquinho, agora. Ontem à tarde viesse, teria dado tempo de ir ao correio.
Beijo fraterno. Ieda
!


(...)Estimada Yeda:

Aproveito para desejar aos afiliados e a você um super ano, de muito
sucesso e alegrias genuínas.
MANTENHA-ME A PAR DAS SEUS BELOS EVENTOS;
Paz e luz para todos.

Clevane




Clevane:
Boa-Tarde! Feliz 2009!
Gostaria muito de te enviar os exemplares da CAPORI 44 Anos. Por favor,
envia-me um endereço postal.
Beijo fraterno e carinho da ieda

E um delicioso poema da autora cita, presidente da CAPORI:

Rosa dos ventos
Rosa dos Ventos

Rosa dos ventos não venta,
Toda prosa, faz-se estrela,
O norte pensa que norteia,
O Sul em pé, só campeia,
No Leste, o sol é nascente,
No Oeste, a estrela é cadente,
Entre os pontos, faz – se ponte,
Os Estes entremeados:
Nordeste, Sudeste,
Noroeste, Sudoeste,
Os ventos são encantados?
E a flor? Não vejo de nenhum lado!
Rosa dos Ventos não venta,
Ou aprendi tudo errado?

Ieda Cavalheiro

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Joaquim Evónio-Sem peias- e minhas trovas sobre Estrelícias







Imagem:tela de Tigo-Retrato de Joaquim Evónio

Foto:Eu(Clevane Pessoa) escrevendo),créditos de Ciléia Botelho.
Imagem:estrelícia.Fonte:http://www.infoflor.es/wp-content/uploads/2008/07/strelitzia_3.jpg

foto enviada a meu pedido, pelo Poeta Joaquim Evónio-um grande amigo a quem ainda não conheço pessoalmente, mas faz-me a finura de hospedar-me em seu belo blog "Varanda das Estrelícias"(*)


A criatividade é a Primavera da alma...


SEM PEIAS



Quero fazer versos

sem bitola

sem ter andado na escola

a aprender poesia...



Estou-me nas tintas para a métrica

desde que o sentido obedeça

à imagem verdadeira

que quero transmitir!...

E o mesmo para a rima!



Eu sou livre

e faço o que quero.

Tudo é tão claro,

tão verdade

e com tanta estima...

Que é poesia

só pela liberdade tão liberta

de conter mensagem

sem escola, sem métrica e sem rima

mas sempre verdade,

verdadeira,

daquela que não se ensina!



joaquim evónio



Seja bem-vindo ao meu site - (*)Varanda das Estrelícias

www.joaquimevonio.com

Trovas de Clevane Pessoa sobre estrelícias- para Joaquim Evónio:



Estrelítzias são estrelícias
no antigo e bom Português!
Estrelas que são delícias,
flores-aves,prá vocês!
XXX*XXX

Quais aves do paraíso,
longos bicos nos apontam
se são pétalas ,preciso
pensar em asas que contam...

XXX*XXX

Num jardim só de estrelícias,
trinam versos, quais as flores
que são aves sem malícias,
já suas formas...já suas cores...

XXX*XXX

Quando o vento assobia
o segredo das primícias,
balerinas da alegria,
dançam leves, estrelícias...

Clevane, para Joaquim Evónio, com os muitos agradecimentos de sempre!
De belo Horioznte, Brasil, até Lisboa, portugal.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Para sermos Nós Mesmos-Clevane Pessoa de Araújo Lopes



A foto tem crédito de meu marido, Eduardo Lopes da silva, que até passar para outra dimensão, acompanhava-me em meus trabalhos e lazer-e gostava de fotograr-me.Nessa ocasião, em Boa esperança, estávamos na Academia de Letras, quando proferi palestra sobre Carlos Drummond de Andrade e recebi a antologia, onde estava meu texto premiado.À época, presidia a Academia Dorense de Letras o saudoso João lourenço naves,Atualkmente, a escritora e pesquisadora marisa parreiras ocupa esse cargo.

PARA SERMOS NÓS MESMOS

Clevane Pessoa de Araújo Lopes *


Temos que aprender a reedificar nossas edificações interiores, que muitos tentam destruir. Dentro de nós, nos vem um instrumento belo e forte que se chama intuição. Caímos num mundo feito muito, muito tempo antes de nós, e ele está cheio de dogmas, leis, normas e preceitos, conceitos e preconceitos. Necessidades que nos afastam de nós mesmos. Crianças costumam acreditar - e uma de nossas maiores "conquistas" apreendidas do mundo externo é desacreditar no outro, desconfiar de quem nos cerca. Como nos enganam, quando nos fazem esquecer a criança dentro de nós...

Se estamos a caminhar apressados e nos perguntam as horas, levamos um susto, a carga adicional de adrenalina no sangue, a taquicardia paroxística, traduzidas do medo que hoje sentimos de outros humanos, é muito triste.

Claro, há motivos: assaltos, arrastões, seqüestros relâmpagos e demorados. Numa capital, por exemplo, não se fica a conversar na porta de casa, não se cumprimenta quem por nós passa muito depressa, tão depressa quanto nós também passamos pelos outros. Nas praças, caminha-se, corre-se, sem sequer olhar para os lados. Às vezes, um cãozinho na coleira nos proporciona um dedo de prosa. Não são contados "causos".

Aquele que morre, é um entre dezenas. O que nasce, na Maternidade, já terá a companhia de outras pessoazinhas nos berçários.

Não somos mais "o" alguém... O filho de seu fulano, o neto do velho beltrano. Passamos a ser " um". Um médico, um carteiro, uma advogada, mais um, mais uma.

Kierkegaard,em 1850, já chamava a atenção para o fato de que um indivíduo será sempre superior à sua espécie vista como um todo.

A nossa individualidade é que nos torna singulares. Claro, a adaptabilidade é um exercício: sofre menos, quem se adeqüa ao necessário. Mas não precisamos ser quais animaizinhos amestrados, aquele que se curva ao mestre, ao dono, ao chefe, a patrão, a ponto de perder-se de si, nem adestrados, aqueles que renunciam aos seus próprios ideais e filosofia de vida, à sua maneira de ser, para não perder um emprego, um status, um casamento sem amor, mas que traz benefícios pecuniários, por exemplo.

Há um tempo, na vida, em que precisamos, sim, ser alunos e ter mestres. Somos filhos a quem os pais ensinam. Temos de respeitar os que vieram antes, os que já estudaram mais, os mais sábios, instrutores de fé, de crenças. Mas nem estes têm direito de nos subjugar, amordaçar, calar.

Respeitar alguém não significa ser-lhe subserviente. O brio de ser, o brilho da individualidade, somente lustra nossa personalidade.

Quantos, para agradar a companheiros conjugais, amantes e namorados, não raras vezes, amigos, anulam-se, desconstroem-se, desinstalam-se de seus melhores traços? Renunciam a suas metas, a seus dons, a seus talentos.

Somente deveremos exercer profissões que nos atraiam, nas quais nos sintamos realizados e felizes.

A propósito: há algo de mal na felicidade? Quantas pessoas acreditam-se não merecedores da felicidade plena? Pois saibam que a busca da ventura é o primeiro dever do seres humanos.

Quando, em outubro, fui ao CLESI(*), em Ipatinga, MG, receber a antologia Prosa Gerais e o troféu de segundo lugar por "O balão Amarelo", conheci, na van do Resort San Diego, que nos levava ao auditório da USICULTURA, um jovem e talentosos poeta e contista.

Conversa vai, conversa vem, ele contou que morava em Juiz de Fora (onde morei), que era belorizontino (onde agora resido). E, pasmem (eu não!), deixou o cursos de Medicina, para ser... Poeta.

Adorei conhecer tal força, tal auto-respeito, em alguém ainda longe dos trinta anos anos. Ele subiu ao palco três vezes. Certamente as palmas, para os conhecedores, como eu, dessa escolha maravilhosa, tinham um sentido muito maior.

Sim, às vezes, é belo renunciar. Mas por uns tempos, por favor! Como viver longe de si mesmo, da pessoa que você veio destinada a ser? É preciso adquirir a habilidade de estabelecer espaços, hiatos de temporalidade, momentos de generosidade em prol do outro. Isso é belo. Mas assim que puder, rasgue os ombros e deixe que dos cortes, nasçam asas. E voe, sendo você mesmo...

Há quase três décadas, escrevi:

"A liberdade de ser
É o espaço do ser,
Dentro do estar, para fazer-se."

Eu própria, embora não divorciada da Literatura, nem dissociada de minha essência poética,p ara responder às necessidades de ser companheira e mãe, deixei por uns tempos,paralela a tudo mais, a minha vocação de escrever.

Assim que pude, no entanto, retomei as hastes de minhas flâmulas, redesenhei os brasões de meu ideal e voltei ao meu fazer de escritora, amante das palavras, sacerdotisa do verbo.

E jamais escrevi tanto: eu , de mim, aqui estou, militante por mim mesma, pelo meu modo de ser- estar no mundo...

O sentido da Vida, é simples:viver. Mas não se traia, nem se esqueça. Lembre-se de você, fruto de si mesmo. Lembre-se sempre de ser único. Você...

Com os melhores votos de feliz e consciente Ano Novo. Sempre é tempo de mudar, quando é preciso. Mude para melhor. Você tem esse direito. Todos nós temos: o direito de sermos nós mesmos.

Belo Horizonte, 28/12/2006



"* Escritora e poeta, artista plástica e psicóloga , quatro livros de poesia está presente em mais de oitenta antologias, por premiação ou cooperativismo, no Brasil e no Exterior. Escreve e desenha desde a infãncia.

Publicado originalmente, em 2006, no site Comunidade Maytê.

(...)"Vânia Diniz pedira mais um texto para o Comunidade Maytê, "por um mundo melhor"
(http://www.comunidademayte.com/Portal/artigos.php?id=1289&idCanal=4)e o escrevi, botando a alma boca a fora...
Aproveito a primeira tarde do Ano, para agradecer a delicadeza com que Maytê e Vânia convidaram-me a integrar seu staff de colunistas.
O aroma de dignidade que se evola do "Comunidade Maytêe", muito nos preenche a satisfação de ali estar, acompanhada dos autores postados no index abaixo.
Que em 2007, continue esse lindo trabalho.
A revista virtual sai agora e há muitos autores interessantes, confira(...)"

Rimas para Clevane-Ademar Macedo -in trova



Crédito da foto: click da jornalista Luciana Campos,de 31/12/2007 para 01/01/2008, em minha casa (Clevane)

As rimas para Clevane?
É só abrir meu baú...
se você não for insane,
acha rimas pra xuxu!...

(Ademar Macedo/RN)

Rima para Clevane-Lisieux



Foto:Terezinha de Lisieux, durante a entrevista para o projeto POIETISA, fotografada pelo poeta-fotógrafo Marco llobus (Marco Antonio de Melo Rodrigues)
Na rememória da escola Tropo, regida sabia e jsutamente pelo Prof. Nilson Matos,Terezinha de Lisieux, Pastora e Poeta, lemtbra as "rodadas" de temas em que nós, professoras, corrigíamos as eventuais falhas dos trovadores-aprendizes, a maioria, formada por grandes poetas, mas desacostumados a rima e métrica da trova...
Brindou-me então, com esse mimo, a respeito de rima para meu nome raro (Lisieux é apurada sonetista, além de tudo:aprendeu cedo, com a mãe, essa difícil arte):




From: lisieux
Date: 2007/1/6
Subject: Re: [escolatropo] Primeiro Poetrix para Clevane
To: escolatropo@yahoogrupos.com.br



E pensando nas rodadas de correções de trovas:


Metro Certo

A rima certa deu pane...
Quem concerta?Clevane!

lisieux - BH

sábado, 3 de janeiro de 2009

Generosidade-Vânia Moreira Diniz, para mim




FOTO:O CASAL DINIZ NO T-BONE, NA BIBLIOTECA DO FAMOSO AÇOUGUE CULTURAL ,QUANDO DO LANÇAMENTO DE MEU LIVRO "MULHERES DE ÁGUA, SAL E AFINS".

IMPOSSIBILITADA DE COMPARECER, TIVE TODO APOIO DO CASAL, INCLUSIVE VÂNIA OCUPANDO MEU LUGAR NO DEBATE ENTRE AUTORES E PRESENTES, O QUE MUITO ME HONROU E ALEGROU. AMIGOS MEUS LÁ ESTIVERAM E EU, AUSENTE, ESTIVE PRESENTE ATRAVÉS DESSA SOLIDARIEDADE. ALGO PARA JAMAIS ESQUECER.

Generosidade

Por Vânia Moreira Diniz
Para minha amiga Clevane Pessoa

Quando encontrei tua alma entendi,
O porquê de meu intenso carinho,
Repousei em nuvens densas e vivi
Respirando o ar puro do caminho.

Já podia crer na suavidade e calma,
Observar o por do sol e na vida confiar,
Sentir o pranto suave de minha alma,
E para o ilimitado sem receios olhar...

Lá no infinito já encontrara meu mar,
Segredos misteriosos de generosidade
E em tua essência vislumbrei essa verdade.

Parei ofuscada pelo que transparecia,
Em tua alma profunda energia,
Que em certos momentos me fazia chorar.

O Gmail avisou-me que eu estava com excesso de armazenagem, então, de trás para grente, comecei a deletar uns guardados.
Encontrei, datado de 19/12/2006, esse soneto de Vânia Diniz para mim.

Então,comovo-me com essa delicadeza e, dois anos depois, republico-o, reagredeço e espero que os laços estejam tão fortes quanto sempre foram.A "generosidade" cita no título, é típica ...da autora...

Clevane Pessoa de Araújo Lopes