sábado, 16 de agosto de 2008

Carta Aberta a Gustavo Dourado


27/09/2006 23h47
Carta Aberta a Gustavo Dourado


Luciene Oliveira,estudante de Letras manda-me um e-mail dizendo que havia impresso uma carta que eu escrevera a Gustavo Dourado, motivo de um debate em sua sala de aula,que levou a turma a ler Phalábora.Mas que perdeu a folha onde a imprimira e não se lembrava onde a encontrara.
Vou então, republicar a carta(que originalmente,está no Recanto das Letras), pois gosto da idéia de estudantes dissecando nossas produções...Rsss...À época, Gustavo viria para um evento chamado Belô Poético, organizado por Virgilene e Rogério Salgado, o que acabou por não se concretizar....
Clevane


Caro amigo douro,dourado:

Quando te indiquei para o Encontro Nacional de Poesia,do Belô Poético, para o qual também estava sendo convidada,além de apreciar há tempos nossa amizade virtual, que embora parca e à distãncia,muito me aquece,o fiz em especial por um motivo:seres cordelista.Não porque, mas apesar de.Incluis o cordel em tuas transições poéticas e quando percorres de uma galáxia à outra de tua caminhada de versos,ele é teu cartão de visistas.
Ando fula com certos poetas emproados que chutam trovas e cordéis, porque as rimas dão a falsa impressão de des/literatura.Lembro que quando conhecia tua verve, foi através de Phalábora, e-livro virtual que deixou-me meio que sem fôlego, num valsar de energia pura,e então, te escrevi:
"Gustavo:Parabéns pela coragem de colocar um livro tão precioso na Internet.Confesso que até hoje só ousei colocar a poesia menos elaborada, por já ter sido vítima de plagiadores.Gostaria de saber se Phalabora existe também editado no papel...Em caso positivo,mande a editora e indique-me como tê-lo.
Preciso dizer o quanto gostei?O título já é de per si, um achado.O labor elaborado.A fala do labor.O labor da fala.O Falus.Phalas Atena determinando a Philosofia.A SOPHIA.A POIESIS parlando por teu falo.O fato falado.A IMAGEM no enganjement.O poder do falus e das falas.Teu poder de Poeta/metapoeta/metaphórico.Rico de imagens sincronizadas,"o tempora, o mores!".Que belíssimos jogos!LUDUS x LIÇA:o brincar e o combater.O Prazer embutido nos NÃO e nos SIM.A Perfeita Harmonia .Assimilação do SER ao aparente Não SER.A simbologia cromática.Embutida nos versos, a falacusatória, a falamante,a falardente:sarça que não se apaga...
Um abraço:Clevane Pessoa de Araújo Lopes"
Nem sei se te lembras disso.Nem eu lembro em que ano foi.Phalabora é de Poesia concreta, densa, mas abstrata,tênue.Mais a beleza plástica das iluminuras hodiernas.E acentuo:somente o bom poeta é bom cordelista, de patativa do assaré, com a grandiosidade da alma simples, jamais simplória,a Rodolfo Cavalcanti,de Jequié,na Bahia, para quem, mocinha fiz,capas de livros,enviando-as, de Juiz de Fora, onde militei na imprensa, para ele.
Quando soube que havias feito uma tese de formatura em codel, vibrei.E daí em diante, venho acompanhando teu tracejar de cordelista.O mais recente(penso),foi para cantejar Raul Seixas-em seu (U)niver(so):Uni, verso,só relembrado.
Às vezes, Gustavo, surpreendo-me a rir,imaginando um desses poetaços de versos brancos(tão deliciosos de fazer),a suar para conseguir metrificar as quatro linhas da trova, as seis da sextilha.Nunca mais haveria de menosprezar cordelistas.
Poesia é ave de grande envergadura, asa a asa...De grandes vôos.De muitos emplumares.Trocas de árvores, voltas aos ninhos e ninhais.E o Poeta a acompanha com amorosolhar.Assim és, se te permitem e se não.Tens a mesma grandiosidade de teu sobrenome.E brilhas.
Um abraço cordifraterno:de conhecer-te ando à espera.No real, pois no virtual,já te penso tanto quanto soi ser um amigo.E quero te apresentar uns que aqui em Minas Gerais fiz.O encontro cito é daqui a alguns dias,bem o sabes.

N:ARmagedon é o pseudônimo de Gustavo,esse baiano radicado em Brasília, prolífero autor.


Publicado por clevane pessoa de araújo lopes em 27/09/2006 às 23h47

Receita para Uma Nuvem de paz





26 de fevereiro
POEMA PARA UMA NUVEM DE PAZ

Uma Nuvem, uma promessa:
chuvas de PAZ.

Muitas nuvens artes móveis, preenchem o azul:
muitas imagens, cores e tons de PAZ...

Tintas brancas, pincéis de fraternidade, desenham arabescos
e o vento da solidariedade, é suposto: tela de PAZ...

Brancos lírios, antúrios brancos, jasmins, magnólias,
pétalas brancas, ramalhetes olorosos, cheiro de PAZ...

Ninhais de garças, pombos aos beijos,
símbolos pacíficos bandeiras de PAZ...

Origamis, papéis com poemas, lanternas japonesas
a tremular à luz interna: falam de PAZ...

Junte tudo, no côncavo das mãos,
sopre e mande para o Alto:
mais nuvens grávidas de amor,
pela PAZ no Planeta Terra
a partir da vontade das pessoas de BEM...

Clevane Pessoa de Araújo Lopes

Clevane pessoa-Sextilha_Luz em Meus dedos


Luz em Meus Dedos


Publicado por amizadepoesia em Fevereiro 24, 2008(http://amizadepoesia.wordpress.com/2008/02/24/)

Para tocar-te no escuro
encontro muitos caminhos,
até mesmo os dos segredos.
Se nada entre nós é impuro,
para trocarmos carinhos
acendes luz em meus dedos…

Clevane Pessoa de Araújo Lopes

Aves em Liberdade



Aves em liberdade


Sim, alimento as pardais e as rolinhas, para elas, essas avezinhas meras, compro canjiquinha, painço, alpiste e dou do meu próprio pão...
Estou aprendendo a linguagem das rolinhas, que têm um código de asas muito interessante. Para guardar território, para espantar, atrair, expulsar.
Minha amiga, a pintora Neuza Ladeira, contou-me que na Tailândia são aves preciosas e sagradas.

Engraçadinhas, dão a impressão de serem meigas, se essa palavra pode ser aplicada às avezinhas. Mas, pelo que observo com meu olhar de desenhista e poetisa, são extremamente belicosas. Levam a luta aos ares, em rodopio. Em vão ponho bocadinhos aqui e outros ali, no beiral de meu terraço. Brigam pra valer... Enfrentam as pombas espaçosas que descem atraídas pelos grãos, bravamente.
E batem nas rolinhas menores, as bebés um pouco menos querelentas. E quando as assusto sem querer, com meus passos em chinelinhos de cetim, voam para os fios em frente e fingem que não estão vigiando a comida. De vez em quando, fazem que olham, quais as mocinhas de antigamente. Assim que sossego, voam de volta.

Os pardais são cheios de algaravia, ainda não lhes descodifico o linguajar. Chiam e chiam. Acordam-me pela manhã. Invadem-me a casa, entram por qualquer cantinho e depois rodopiam desesperados, à procura da liberdade. Já criei - mais ou menos - um pequenino que, machucado, tolerava a minha proximidade. Eu chamava-o de Jeremias, uma graça.
Os menininhos pardais entram pela sala de porta sempre aberta e, pulinho aqui, pulinho acolá, não são muito medrosos do bicho-mulher. Depois que saem para o mundo, à força de serem escorraçados, de se assustarem com os carros que passam, ficam arredios e medrosos...

Há uma família de bem-te-vis, que longe de ter as asas controladas como as das rolinhas, são de uma alegria enlouquecida. Parecem torcedores com pompons nas mãos. Agitam o que podem, rumorosos e encantadores, listinhas amarelas na cabeça e peito de camisa idem...

Claro, coloquei água para os beija-flores. Um dos bebedouros veio com néctar, mas será que é possível colectá-lo com essa facilidade? Misturo um tantico de açúcar Mascavo ou mel. Eles adoram e com precisão enfiam os bicos longos e finos entre o orifício da corola. A flor é de plástico, mas eles parecem não se importar. Brigam pelo território, como os demais aqui, pelo espaço no ar.
Um foi expulsar com tanto ímpeto o invasor, que o bebedouro foi lançado a muitos metros de distância e se quebrou. Ele andou uns dias passando á procura, até que comprei outro.

Há uns colibris micro, outros do tamanho de andorinhas, e com elas se parecem, rabinhos em tesoura.
Meu marido Eduardo, sabendo dessa minha paixão por passarinhos, veio contar-me que ouvira em uma reportagem na TV, que á noite, de tão cansados, os beija-flores desmaiam. Nada os faz acordar. Desde então, corro meu olhar nocturno pela nocturna noite - com redundância propositada -para ver se entre moitas, encontro essas maravilhas que param no ar batendo as asinhas deforma quase inacreditável, coraçãozinho batendo alucinadamente...

Tenho uma colecção de gravuras reproduzidas de beija-flores de famílias várias, pintadas pelo pintor naturalista Etiene Demonte. São de tal forma perfeitas em detalhes, que nem sei de que forma o artista pode fazê-lo. Numa delas, descrevendo o beija-flor "Bico-de-sabre" (Heliothrix aurita auriculata), o especialista Augusto Ruschi chega a atribuir emoções humanas à avezinha:

"A parada nupcial do Heliothrix se desenrola com maior destaque nas fases de apresentação e exibição de plumagem". Sei que no reino animal isso é comum. Iguaizinhos a nós, humanos...
E continua: "na apresentação, o macho, em voo de liberação, se põe diante da fêmea a 30cm, e em voo para cima, para baixo e para os lados, como se estivesse a dar pequenos saltos, pois se lança a tais distâncias, e estanca de etapa em etapa, abrindo e fechando a cauda.
Em voo acompanha a fêmea (é, parece que os machos humanos aprenderam nessa cartilha!) fazendo ascensão em rodopios, para descer a outro pouso onde se segue a fase de exibição de plumagem. Então, o macho, fazendo voos de liberação, faz saltar os tufos violeta laterais, tornando-os bem salientes, e a parte enegrecida que contorna tais tufos. Fica em constante movimento, além de abrir a cauda em leque para, de quando em quando fechá-la e abri-la, até que a fêmea, já psicologicamente conquistada, se entrega".
Entre os humanos, as mulheres usam desses artifícios de conquista. E as gueixas, com seus leques, na dança?!...
Quando me levantei para ir à pasta, buscar uma das gravuras que peguei aleatoriamente, não sabia que encontraria a resposta para a pergunta crucial: ONDE DORMEM OS BEIJA_FLORES?
O dormir é realizado em pouso, em local alto e no emaranhado da vegetação de uma copa fechada", conta Ruschi, o ornitólogo minucioso. Por isso não os encontro quando os procuro, à noite...
O desenhista Etiene ilustra o locus de observação com perfeitas cópias de vegetação...Que lindeza, meu Deus...

Noutro dia, eu queria comprar uns periquitinhos, para ter melhor de quem cuidar. Meu filho Gabriel assombrou-se e proibiu veemente. Não quer morar em um lugar onde algo esteja preso, ele que ama a natureza e a liberdade dos seres. Aquiesci. Em vão o vendedor me disse que as avezinhas coloridas já nascem em cativeiro e blá-blá-blá...
Uma vez, conheci uma senhora que deveria chamar-se D.Rolinha, tal sua semelhança: baixinha, encantadora, tão rolicinha (tão rolinha!). Peitoral arredondado e farto, que quando ia embarcar, as aeromoças gentilmente a deixavam tomar o avião na frente dos demais. Acreditavam-na grávida e ela, sorridente, aquiescia. Dulcíssima. Mas ai de quem lhe quisesse tomar o território: deu uns tapas na cara da amante do marido, brigou com todos os meninos que brigavam com seus filhos. Virava ave de rapina. Só lhe faltava o tamanho...
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25/04006
Clevane Pessoa de Araújo Lopes

Texto publicado em http://laurabmartins03.blogs.sapo.pt/




Publicado por Littlehut em 10:13 PM | Comentar (2)

A/Deus




A/Deus

Adeus sem Adeus,
você continua presente
pois os pais jamais abandonam os filhos gerados
quando são dedicados
qual você foi por toda a sua existência.
Mais perto de Deus,
agora,
foi encontrar sua senhora
-a que me deu à luz...
Esperem por mim,
que um dia chegarei
a esse misterioso jardim.

Clevane Pessoa de A.lopes
(para meu pai, que partiu dia 17/07/2008

Publicado, com poemas de outros autores em http://www.sollua.com.br/0708/ciranda_adeus.htm

Releituras de NERES



José Geraldo Neres , Poeta, ator e cinenasta, embro de O Formigueiro e webmaster de Palavreiros,gosta de fazer releituras.
Especialissimas,e gosto muito das que fez a partir de meus poemas.
É preciso usar sutileza e apreciação genuínas para releituras, senão ficarão grosseiras, ou cópias que beiram o plágio.
Nãomgosto muito que glosem meus versos ou ou reescrevam, exceto em casos assim especiais.
No caso de Neres, trata-se de reinterpretações que apontam novos ângulos, em novos moldes:




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José Geraldo Neres


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o autor?

entrevista

poemas(português/español)
"Ambrosia" (inédito)
"Homo-Sapiens" - poemas sombríos (inédito)
"poemínimos: -pássaros de papel-" (inédito)
"Poemas esparsos" (inédito)
relectura
releitura/homenagem

prosa(português/español)

Sobre obra poética/fortuna crítica




releitura/homenagem*(em construção)
Andityas Soares de Moura
Beth Brait Alvim
Cláudio Feldman
Clevane Pessoa de Araújo Lopes
Dalila Teles Veras
Fernando Girão
Graça Graúna
Gustavo Dourado
Lau Siqueira
Ricardo Mainieri
Sandra Regina Sanchez Baldessin
Yêda Schmaltz



Na noite de São José
a Beth Brait Alvim


a lua tenta furtar
as janelas dos sonhos
uma pena caiu de árvore imaginaria
outono; primavera convalescida
baila desatino em agenda eletrônica
caça o EU retirado
a compassivas horas







dia suspeito
a Cláudio Feldman

pássaro de asfalto
tatua o muro
solitário - tempo -

cristal das palavras
duelo na fonte
de árvores ocas
(bebo
o silêncio)

nesta montanha
de vulcões ocultos
rochas rasgam
o século

crepúsculo humano
entre os dedos da vida

: caracóis de chuva
aroma de madrugada

re-leitura do livro "dia suspeito" - Cláudio Feldman, ed. taturana





Um quase inverno
a Dalila Teles Veras

captura
papoulas
poesia ardente
a dançar um quase inverno

palavra-paisagem
madeira

crava na fúria
estradas e deuses
aprisiona segredos-signos-símbolos
e
tormentas

a palavra
desperta
a serpente urbe
en
cruz
ilhada
solo minado


homens rabiscados
formas
e
forças
fragmentos

janela dos dias



lendo "à janela dos dias - poesia quase toda" - Dalila Teles Veras, Alpharrábio edições





Canto Mestizo
a Graça Graúna

Canto de cigarra
na árvore do mundo
tear do tempo
oculta Lorca
e as doze pedras

labirintos



II

minha aldeia
escrita ferida
voz desnuda
sem ninho

o homem se fez
:criatura avessa ao tempo
flagelo-fome-novela

no pó, poesia

sagrado vôo dos peixes
nossa imagem de mistérios
semente
parto da terra

deserto de cidades

o destino
pavimenta
aldeia-meninas-cores-filhos

choro
versos
de restos mortais
sudário de pôr de sol

canto mestizo
de anjos e pássaros
deuses extintos

re-leitura do livro "Canto Mestizo" - Graça Graúna, Blocos editora







A travessia dos espelhos
a Ricardo Mainieri

armazena

pegadas
em verso-mundo
na calçada
(navego fantasmas)

balé:
textura-cimento-caos-humano
costura:
poeira
sinais
e
signos

céu néon

recolhe
a
ressaca
de outros heróis

quilômetros
de miséria

geografia
em jazz
sem dó

palavra
à deriva
faísca
no azul tietê

II


pausa

o
caracol
mudo
despe
a
música

hímen-blues
a
semear
poesia

infância
na
paisagem agreste

re-leitura do livro: "A travessia dos espelhos" - Ricardo Mainieri, coleção noventa - Inst. Est. Livro RS



poemas no ônibus

a Ricardo Mainieri

a cidade percorre
sinais
e labirintos
vasculha velhos roteiros
veiculo ex
tinto

lendo "Poemas no ônibus", Secretária da Cultura, Porto Alegre(2003)





segunda chuva

a Lau Siqueira

segunda chuva
abraça palavras
feito um so-
rriso
pre
gui
ço
so

duas asas
instinto tranqüilo
riso de pássaros

num cochilo
sopro
palavras em fuga

ruído de lua
trama impre-
visto
in
ver
so

desnudo

minha carne
segredo
incêndio
mergulho
nos anjos-carteiros

e
s
c
u
t
o

blusa-poeta
lágrima
trans-
pondo
versos
in-
vento
pegadas
na nascente lausiqueira
"sem meias palavras"


*a lau siqueira
lendo "sem meias palavras" idéia editora ltda





Yêda
a Yêda Schmaltz


palavras
verbo feminino
aprendiz
carmim e pluma
texto asteca
czar João Cabral
dicionário,
uma poeta-pássaro
indaga as fúrias
arte
águas;
ânforas, cântaros, âncoras
escrita cristal
feminino sol...

II

*poeta
manhã branca

ilha
de interiores

prata
pequena
perdi

lua
em silêncio
azul
afogado
em tranças

brilho
corre o mar
em
soluços

longos


*Re-leitura: "Poeta chorando pela Manhã" - Yêda Schmaltz, Livro: Prometeu Americano





Phalábora

a Gustavo Dourado


Ritmaste
:pássaro de luz tropical
lavra(a)dor
canto do abandonado
das metamorfoses sonoras
no oceano sertanejo
cadente nave
a morte dança como anjo louco
de sete sinas
vampiro meta.físico
língua de sete buracos
rouba o sopro da foice
estrelua pontiaguda
:baião-blues
saravá
xote maracatu
navega Netuno
serpente
lobisomem
bichomem
cigano da palavra



lendo: "Phalábora" Autor: Gustavo Dourado
http://www.bibliotecasvirtuais.com.br/biblioteca/gustavodourado/index.htm





O eremita

a Andityas Soares de Moura

o perfume da grama verde
nas sombras:
sussurra o sangue

crianças num copo antigo

desespero
solo-templo-metálico

pupilas de vinho
o verbo canoeiro das línguas
no caminho/seios
alfinetes de pássaros anfíbios

é o sal da carne
e na cintura à umidade das flores
o menino pisa o solo
sorri

na ventania das serpentes
gozo
de luz
rebelião nas bocas de anjos-negros
barcos do outono
chama do caos

suave trombeta
um manifesto nas vidraças da igreja

a esposa
cravada
na pequena gota do girassol


lendo o livro "LENTUS IN UMBRA" de Andityas Soares de Moura








Partes de Mim
a Clevane Pessoa de Araújo Lopes

rosa nebulosa
engaiolada no espaço:
alguém

ave sideral
mergulhada
nos sabores da alma
em medos espirais
poeira perplexa

corpo virgem
grávido
nos raios de um pequeno arco-íris

fúria

sementes


lendo: Partes de Mim, Clevane Pessoa de Araújo Lopes
re-leitura de José Geraldo Neres



Adagas

a Clevane Pessoa de Araújo Lopes

raro olhar
que faz sarar
o espanto de certas donzelas
ruídos da cidade
compasso
cheiro a rosa dos invisíveis portais
madrugada na alma de cada século
a história
a pedra
a brasa
bordada na pele


lendo: Partes de Mim, Clevane Pessoa de Araújo Lopes
re-leitura de José Geraldo Neres
26/03/2003



Chave

ínfimo
cosmos
mapa das almas,

evolução pequena
forma
traçada

irmão
nosso
à ele
transcender...


poesia: "Chave", autora: Clevane Pessoa de Araújo Lopes
re-leitura de José Geraldo Neres





lento tear
caracol de dias
o tempo arrasta a barriga
onda ardente da flauta de Pã
folhas caem: frutos de luz
o vento sopra a gestante
dança o desejo

nove mêses
uma orquídea
de botões de carne


19/10/2002






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À flor do verso

a Rio Claro
a Sandra Regina Sanchez Baldessin

I

n’alma
o livro
primavera
grávida
de
girassol
e
silêncio

o corpo
na
chuva
a
pele
soma

(insiste)

toque
de
símbolos
respira
a
palavra
abraçada
à
margem
azul

faca
de vestir
flores
nas
entranhas
da vida



II

poema
na voz
da
terra
na garganta
das estrelas

no útero
da chuva
os risos
da infância

na pele
da palavra
o silêncio
reza
tatua
o orgasmo
escorre o rio
na metáfora
no aroma
verde
a sombra
recita
versos


III

no verbo
a vida
no poema
a carne

pele-palavra

perfume
vira
página




*lendo “À flor do verso” livro de Sandra Regina Sanchez Baldessin (28/09/2003 – VII Encontro Regional de Escritores - Rio Claro / SP.).


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No canto d'alma
a Fernando Girão


Um grito
caído na terra
no canto d'alma
um traço de outra
pessoa
-a minha vida-
boca amarga
de segredos e
dilemas
um caminho
no fado
no espelho
no medo
no vôo raso
-a loucura pensa
e aceita-
poema de silêncio
:minha espada
caçando as bestas
nas batalhas da vida
:meu barco
nos labirintos humanos
e nessa bandeira
o destina sonha
e liberta
-a criança-
irmã do tempo
escreve
um ajuste de contas
-o milagre
num Deus ocupado-


"No canto d'alma" - José Geraldo Neres lendo "Fernando Girão - uma antologia híbrida" 24/01/2004

>>>***<<<<


Apesar de haver recebido cada um dos que me dedicou,do amigo José Geraldo Neres,essa mostra vem de http://www.palavreiros.org/josegeraldoneres_releituras.html . Neres, com quem tenho o e-book Pássaros de Papel em Nuvens de Algodão (eu escrevera um livreto de minipoemas e quando vi o Poemínimos dele, um de seus projetos lindos, convidei-o para estar nesse livro virtual.Primeiro foi publicado na AVBL, em trabalho de Maria Inês Simões e depois, uma versão foi feita por Lourivaldo perez baçam, para a então Biblioteca Virtual do CEN), é poeta de Diadema, S.Paulo e seus "Pássaros de pael foram editados (ou ainda serão), pelo belíssimo Projeto DULCINÉIA CATADORA(São Paulo), de livros artesanais.

Clevane Pessoa de Araújo Lopes
Diretora Regional do inBrasCi em Belo Horizonte,e pesquisadora do MUNAP
Vice-Presidente do IMEL Instituto Imersão Latina.

O OVO-muitos versos





Em 2006, lancei um concurso relâmpago cujo tema, foi OVO.
Acho fascinante verificar u p quanto um mesmo tema ou palavra, pode gerar tamtos resultados e enfoques...

Vejam:

" 2006
Agradeço a todas as pessoas que participaram.
Resolvi premiar com a antologia “Asas e Vôos” ou o Cd OISE, cinco participantes , no lugar de três e conceder menção especial à menina Marian Costa Oliveira, de onze anos, que mandou sua poesia, pela precocidade, agradecendo a sua mãe,Terezinha Lúcia, que autorizou a publicação em meu blog.

Eis o resultado:

Primeiro Lugar:Mercedes Paiva/

OVONOVONOVO

Prêmio : CD OISE, Antologia Asas e Vôos (Editora Guemanisse)
e “A Indiazinha e o Natal “ + surpresa.


Segundo lugar:Flávio Machado/O OVO

Prêmio:Antologia “Asas e Vôos”(Editora Gemanisse) , A Indiazinha e o Natal + surpresa.

Terceiro Lugar:Natália do Vale(Portugal)

Prêmio:Antologia Asas e Vôos (Editora Guemanisse), A Indiazinha e o Natal + surpresa.

Quarto Lugar:Jorge Linhaça

Prêmio: Asas e Vôos + A Indiazinha e o Natal

Quinto Lugar:João Pedro de Lima

Prêmio :Asas e Vôos



Prêmio Especial :Marian Costa Oliveira.

Prêmio: A Indiazinha e o Natal+ um jogo + surpresa.

Primeiríssimo Lugar:


OVONOVONOVO
Eme Paiva

Pássara mãe vela o ninho:
enfeita, ajeita com zêlo e carinho
afofa, afasta os bichinhos
canta acalanto...Se encanta...
Embala o rebento em gérmen,
que já é seu filho mais novo:
passarinho em estado de ovo.

() () () () () () () () () () () ()

Segundo Lugar:


O OVO

Flávio Machado





uma questão filosófica sempre nos assolou

quem primeiro teria nascido

ovo ou a galinha?



a questão se complica quando lembramos

que não apenas a galinha põe ovos

os dinossauros

os répteis

e outras aves também



mas afinal quem teria nascido primeiro

o ovo ou a galinha



a tese por demais polêmica tem seus defensores

os acadêmicos confirmam:

- foi a galinha



e outros mais céticos garantem foi o ovo



na criação quem teria a primazia

o ovo ou qualquer outro animal

seja ele tão antigo e extinto ou tão corriqueiro e doméstico



afinal quem terá a resposta

será necessário um segundo turno?

ou debates em rede nacional de televisão?



eu aposto no ovo

como o detentor da primazia divina da invenção

seria o ovo o primogênito da criação.



() () () () () () () () () () ()

Terceiro Lugar:Natália do Vale (Portugal)



“O OVO”
Natália Vale
(Portugal)

Era um ovo arredondado,
Sempre muito apreciado,
Mesmo quando embalado,
Em pratas reluzentes,
Recheado de presentes,
Que os olhos fazia brilhar,
Daquelas crianças carentes.

Trazia consigo alegria,
E também muita euforia,
Na ânsia da descoberta,
Do conteúdo escondido,
Debaixo do chocolate,
Em que estava envolvido.

Não era um ovo qualquer,
Nem tão pouco uma gulodice,
Não era um ovo real,
Mas que ovo era aquele, afinal?

Era o sonho das crianças,
Que o esperavam ansiosas,
Sem perder as esperanças,
Mesmo aquelas mais gulosas,
De um ovo de chocolate comer,
Além d’um presente receber…

15.10.2006


Quarto Lugar:Jorge Linhaça/O Ovo é Um Universo


O OVO É UM UNIVERSO
Jorge Linhaça
15/10/2006


Um simples ovo, desses que encontramos em qualquer supermercado,
é simplesmente um universo em si mesmo, poéticamente é inquietante.
quem nasceu primeiro? o ovo ou a galinha?
Para se colocar um ovo em pé, qual é realmente a sua base?
Já repararam que a gema do ovo é um sol?
Que a clara pode ser bem comparada a uma nebulosa?
Já pararam para pensar que o ovo é um simbolo da vida?
Ovos de pascoa são postos por coelhos mágicos...rsrs
O ovo de páscoa na verdade é um simbolo da renovação da vida,
o coelho, o símbolo da fertilidade, devido á sua capacidade
de prociar rapidamente, por isso os ovos de coelhos.
E não venham me dizer que coelhos não tem ovos, pois se não os tivessem não se reporduziriam, não é mesmo?
Nós mesmos nascemos de ovos...talvez dai falarem da tal cegonha.
Ovos são ao mesmo tempo frageis e fortes...tentem por exemplo, tomar um ovo entre as mãos, e, com as duas pontas encaixadas nas palmas, emaga-lo.
Vão descobrir que é muito difícil chegar a esse objetivo.
Mas se o fizerem com o oo em outra posição, não encontrarão dificuldade
para realizar o esmagamento do ovo.
( atenção, estou falando dos ovos de galinha, não tentem essa experiência com outro tipo de ovos, pois com certeza será extremamente dolorido para o dono dos mesmos.)
Não existem animais que não nasçam de ovos...aves, répteis, anfibios, peixes e mesmo os mamíferso tem isso em comum. A diferença é que os mamíferos não botam ovos,a gestação se dá no útero, protegido do mundo exterior.
Aliás, via de regra, todos nós somos fruto de três ovos.

Quinto Lugar:João Pedro de Lima

O ovo é frágil e é forte
Um mistério inexplicável.
Fica o fato:feto sem ar
Perfeitamente se faz.
E se abriga o passarinho,
Abriga a serpente
E o crocodilo,o jacaré
O ornitorrinco,
dele nasciam dinossauros.
E dele tem início um bebezinho.

() () () () () () () () () () () ()

MENÇÃO HONROSA:



Mãos não tão santas
Gui Oliva

mão não santa altera o milho
causando um grande estrago
que a terra pode arrasar

o milho de grão em grão
no papo da galinácea
não tem jeito vai parar
para o ovo poder botar!

e de toda confusão
cabe culpa a quem então?
a galinha muito esperta
responde de supetão:
ao ovo ! ele é o culpado
vive como um embrião
e acaba... nem nasce não!

o ovo, muito espantado
responde amedrontado:
não me bota nessa esparrela!
mas depois de grossa pinimba,
muita briga e confusão,
acabam os dois na panela!

bem servida a refeição
está na mesa a dupla:
ela ensopada ou assada
ele em supimpa fritada!

quem comeu lambuza os beiços
mas nem percebe os efeitos
da terrível alteração
tudo acaba em malefeito
dando um baita revertério:

os comensais com os dois
a caminho do cemitério!!!
maio/2005





() () () () () () () () () () () ()

PrêmioEspecial:

O Ovo

Marian Costa de Oliveira, de 11 anos.

O ovo é uma espécie de ninho
Que também é alimento.





Há algum tempo, fiz essa;

() () () () () () () () () () () ()

O OVO

Clevane



O ovo oferece universos
de mistérios e criações.
Do ponto menor que o lápis,
ovículo primordial,
morulam-se pontos de amoras
que serão.
Mórula de fascinantes indagações:
quem será o que ali se faz?
Nós,que nascemos a partir
de um ovo microscópico,
evoluímos dentro de outro ovo,
oval de água provedora,
líquido amniótico
que nos embala e protege,
devemos atentar
para os mistérios
desse fascinante Mistério maior.

Qual foi o Ovo onde Deus
se encolheu
para nascer?

O ovo ,princípio do povo,
é ainda princípio dos animais.
Fiquemos atentos:
do ovo nascerá a serpente ou o pássaro?
O crocodilo ou o dinossauro?
A avestruz ou o beija-flor?

A pedra é um ovo em cujo interior,
há cristais
e outras gemas...
Ocasulo,a ninfa,a pupa,
são ovos especiais.

Os olhos são ovos
que captam significantes e significados
e os remetem à cabeça...

Nossa cabeça é um ovo
em permanente gestação...

(Clevane Pessoa de Araújo Lopes,2000 )

HORS CONCOURS:


Meu amigo, o jornalista e poeta JoãoEvangelista, há tempos, enviou-me essa essa:


o ovo ou a galinha
inquire o galo gago
a outro galo vaidoso
no cento da rinha
insiste interroga
pergunta problematiza
revira a bibliografia
questiona pesquisa
incomoda sua madrinha
não há nada de novo
nesta ladainha
responde a velha
galinha amarela
antes do vôo
para a panela
ovo é recinto
liso objeto
invólucro
belo
sem norte
sem porta ou janela
é de sina enfrentá-lo
a duras penas
este cruel gargalo
mais velho que a serra
mais bonito que a lira
que a miséria do povo
que a pulga e o cavalo
nem verdade
nem mentira
nem adianta recorte
a resposta é clara
mais que o dia
a relevância é rara
ouro da gema
fina vã filosofia
que a vida alimenta
a linguagem afia
bica por dentro
no céu da boca
se reinventa
principia
por dentro de onde
o mundo se transforma
a dúvida se edifica
mistério e casca
calcário e lenda
brancura de enigma
nunca vi coisa mais louca
estranha cantiga
secreta ironia
a morte por fora habita
por dentro o sabor resiste
a qualquer geografia
o saber sempre se oculta
farsante muda
figura oca
herança indefinida
onde a acre-doce vida canta
sem razão em si o signo se multiplica


João Evangelista Rodrigues

E tenhp vontade de fazer um novo concurso, acho que será ´ptimo...
Clevane



Publicado por clevane pessoa de araújo em 16/10/2006 às 01h00

Belo Horizonte,Minas gerais, Br

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