domingo, 19 de julho de 2009

Olhares, Teares, Saberes-A Poética do Olhar"- na visão de Alberto Peyrano

Há alguns anos, publiquei um dos belos poemas de Alberto Peyrano, em Estalo, a Revista.
Tempos depois, Brenda Mars, presidente do IMEL, foi à Argentina, para o encontro VOCES, e quis que eles se envontrassem , mas houve desencontros de compromissos.Desta feira, a editora e poeta Tania Diniz iria com a filha, Ana Carol-que a presentou, pelo aniversário, com essa viagem.

Entreguei à Tânia, no Sementes de Poesia , do MUNAP , meu novo livro, no duia de seu pré-lançamentos, para amigos, principalemnte, e a cita revista .
Depois, em casa, Tânia verificou que o livro oferecido para o Alberto, não estava em seu poder.Alguém pode tê-lo apanhado por engano - já oferecido.Gentilmente, ofereceu-se para entregar-lhe o dela.Eu sugeri que ela escrevesse:"era meu , agora é seu", algo assim e aciseu ao Alberto, que nos enviara telefone e tudo mais.
Antes, Tânia e eu pensáramos em nos encontrar nas Terças Poéticas-no Bloomsday - mas ela ficou muito apertada de tempo, com malas e tudo mais, então...
Recebi um atencioso e-mail do Beto, dizendo que estava por perto do telefone.E ...um da Tania poedindo o telefone dele, que perdera.
Envie-lhes respontas, pedi que a amiga comum a nós duas, Lívia Tucci, que fornecesse o número do Alberto, caso a mãe lhe ligasse, etc...e não é que tudo deu certo:
Dia 20, chegou-me esse agradável e generoso e-mail do poeta e cantor de tangos-também psicanalista-desses amigos virtuais que são bem reais, pela amizade sincera, pela admiração que temos por seu trabalho.

Não resisto , e o compartilho, pois fala de meu filho mais novo, "Olhares, Teares, Saberes-A Poética do Olhar"- e vou enviá-lo para o editor e poeta Kiko Consulin, amigo do Maranhão, que o publicou por seu selo (Cultura Popular).Para a "corujice" de mãe e padrinho o generospo comentário é muito agradável de ler.
E eu, que gosto de resenhar livros de amigos, acredito que todo autor gosta que outros comentem sua publicação.
E mandarei ainda , para Tânia:afinal, ela é professora de espanhol-e ele elogia sua fala...
Ontem, o amigo argentino disse-me que foi buscar a revista, que ela esquecera de entregar e que me envia antologias e e-books.Maravilha!
Quando chegarem , vou marcar um encontro para eu saber sobre essa viagem , entregar-lhe o presente de anicersário, e receber os mimos do Alberto.
Isso, é o verdadeiro sentido da "rede":a NET nasceu para mecanismos de aproximação antes inamigináveis...


(*)Terças Poéticas:encontro semanal no Palácio das Artes,em Belo Horioznte, MG-BR com curadoria de Wilmar Silva, poeta e editor (anomelivros)

Tania Diniz>poeta e editora (Mulheres Emergentes)

Brenda Mars: Brenda Marques Pena,baterista, jornalista, performer, fotógrafa.
MUNAP-Museu Nacional da Poesia, cuja Diretora é a artista visual, poeta e fotógrafa Regina Mello.Sementes de Poesia é um espaço poético aberto, do MUNAP, que funciona da Praça dos Fundadores, dentro do parque Municipal Américo Renê Giaetti, na capital mineira.




responder aAlberto Peyrano
paraclevane pessoa dearaújolopes

data20 de junho de 2009 15:17
assuntoRe: CANTEIRO DE VERSOS - Atualização Junho 2009
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assinado porgmail.com

ocultar detalhes 20 jun (2 dias atrás) Responder



Olá Clevane! Muito obrigado pelo carinho e estas palavras que fazem me sentir honroso. Sei que meu trabalho é muito, pouco tempo tenho para me dedicar agora à cultura mas darei um tempinho, o pouquinho que tenho, para continuar a publicar poetas lusófonos que são as pessoas mais amáveis e bem educadas no mundo.
Hoje de manhã cedinho estive com a Tania e sua filha, a Carolina, fiquei encantado com elas e entregou-me teu livro, a antologia 18 de mulheres emergentes, e muitas folhas de "Mulheres emergentes".
Fiquei deslumbrado com a estética do teu livro, pareceu-me uma pequena joia e te parabenizo calorosamente por ele. É um livro para conservar muito cuidadosamente pois está muito bonito e também porque tu és uma boa, muito boa poeta. Obrigado Clevane!
O trabalho da Tania nas folhas gigantes de "Mulheres emergentes" pareceu-me muito inteligente e gostei muito desse trabalho que junta a estética com a poesia.
Lamentavelmente o tempo foi muito tirano conosco pois depois de uma hora de conversa no lobby do hotel, chegou a Carolina anunciando que o tempo tinha-se acabado: deviam partir para um passeio e então despedi-me delas muito feliz por te-las conhecido e ganhar assim mais duas amigas. A Tania fala muito bem em espanhol, domina a língua e fala com perfeição, se adatando aos regionalismos da pronunciação do nosso pais. Elas também gostaram muito do Uruguai onde visitaram a cidade de Colônia que fica aí na frente, atravessando o Rio de la Plata. Convidei elas para participar mensalmente do nosso Canteiro.
Obrigado por tudo, Clevane! Que bom tivesse sido conhecer também à Brenda naquela oportunidade, mas não deu!!!
e agora tem que vir você a nos visitar!!!!!!!!!!
Beijos e até breve querida amiga
Alberto

----- Original Message -----
From: clevane pessoa dearaújolopes
To: casasazuis
Sent: Saturday, June 20, 2009 1:58 PM
Subject: Fwd: CANTEIRO DE VERSOS - Atualização Junho 2009


Amigos:
visitem o Canteiro de Versos, mantido com bom gosto e cuidado pelo poeta, psicanalista e cantor de Tangos Alberto Peyrano, que mora em Buenos Ayres.
Além de nos publicar e ilustrar nossos poemas, escolhendo com atenção cada imagem ,para o contexto poético, ainda enriquece a mostra deste mês com um belo poema onde homenageia nossa língua.
Tenho o prazer de estar entre tantos autores-e , neste mês, meu poema foi escrito em homenagem a ele, assim que convocou-me para a participação mensal.Aliás, agora será bimensal, dado o acúmulo de trabalho de nosso amigo argentino.
Dou-lhe sempre grata, pela generosidade dessa hospedagem :enquanto há muitos que somente desejam receber, outros que apenas doam, há os que se equilibram lindamente, no arco íris da amizade:dar e receber, "eis a questão..." E Alberto é simplesmente assim.
Clique sobre o link e nevegue por esse jardim colorido e belo!

Clevane Pessoa de Araújo Lopes


ALBERTO PEYRANO


LÍNGUA PORTUGUESA

Cobriu-se de grácil luz
a caravela de sonhos!
A tua voz era o guia
do rumo do mareante,
mas na alma tu guardavas
o teu poema da selva
com que perfumaste as noites
do sertão e da senzala.
Na América espreguiçada,
deslumbraste estas paragens
num caudal inesgotável
de tantas canções do mar!
Ousaste rumos e rumos!
Do Paraná ao Orinoco!
Das Caraíbas aos Andes!
E os teus chilreios de ave
cifrando cantigas belas
que nos cantam com a alma
os teus filhos das estrelas!
Ah, mas a outra metade
da tua voz marinheira
ficara na Pátria-Mãe
bailando em tardes de rendas
deslumbrada ao vento sul!
Português, amada língua
que passeaste no mar
os teus sonhos impossíveis
e ousaste os teus tantos voos
pelas nuvens do amor!
Percorrendo o mundo inteiro,
tu nos trouxeste a ventura
de fundir os horizontes
dos filhos do solo pátrio
e dos filhos de além-mar!
Serás sempre eterna mãe
de tesouros em poemas,
de fortunas em canções!
E sulcarás os oceanos,
sempre e com o mesmo ardor
nos corações ancorando
a caravela do amor!

Versão em português: © José Augusto de Carvalho



© Alberto Peyrano
Buenos Aires, Argentina




Subject: CANTEIRO DE VERSOS - Atualização Junho 2009
















CANTEIRO DE VERSOS
Teu pasaporte para a Lusofonia
Atualização Junho 2009

POETAS PARTICIPANTES
Ana Ferreira Trindade
Antonieta Elias Manzieri
Arneyde Marcheschi
Cândido
Carlos Vilarinho
Carmen Flores
Cláudio Bento
Clevane Pessoa
Dilene Maia
Eda Carneiro da Rocha
Edna Liany Carreon
Elizabeth Misciasci
Emiele
Emília Possídio
Graça Campos
Grace Spìller
Gregório Guerreiro
Gui Oliva
Hilma Ranauro
Humberto Soares Santa
Iranimel
Jorge Humberto
José-Augusto de Carvalho
Lêda Mello
Leila Míccolis
Lígia Tomarchio
Lorenzo Yucatán
Luz Sampaio
Malu Otero
Manuel de Sousa
Marcos Milhazes
Maria Aparecida Macedo
Maria Petronilho
Marilena Trujillo
Mário Rezende
Marise Ribeiro
Margaret Pelicano
Nancy Cobo
Neuza Nóbrega Garcia
Ógui L. Mauri
Remisson Aniceto
Rui Pais
Ruth Gentil Sivieri
Simone Borba Pinheiro
Sulla Mino
Sylvia Cohin
Tere Penhabe
Thais S Francisco
Theca Angel
Vera Jarude
Walter Pereira Pimentel
Yara Nazaré
Zena Maciel


http://canteirodeversos.blogspot.com

Meu agradecimento a todos os poetas participantes

Midi: "Aliança eterna"
Composição e Voz: Adriana Mezzadri

© Alberto Peyrano
Buenos Aires, Argentina

Irmã da Alma

A escritora Lúcia Welt me escreve:


Querida Clevane!
Me emocionou receber o teu lindo comentário às fotos da arca da Alma, e saber que tanto aprecias os poema de minha irmã!
Fico honrada, vindo de tão ilustre poetisa que és, verdadeiro baluarte da poesia de Minas (e que pela Internet se torna do Brasil todo e do Mundo), o pedido de licença para publicares poemas da Alma. ELA ADORARIA! ( e adorará...) Quanto aos meus, é claro que também adorei embora ache que não mereço.
Fiquei linsongeada demais!. Sou uma poetisa intermitente, um tanto novata, de poucos poemas, que fiz quase todos em homenagem à saudosa Alma.
Escolha os poemas que quiser nos blogs da Alma. Estou contente demais com teu amável pedido!
E envio-te estes poemas que fiz para ela, para que publiques o que quiseres, se achar achar que algum vale a pena (fica ao teu critério). E também alguns poemas escrevi para o nosso querido amigo, Claudio Bento, grande poeta do Vale do Jequitinhonha.
Quanto ao Movimento Cultural Abrace, não, não vou participar. Estou sem condições... Infelizmente,acho que ainda não vai ser dessa vez que nos conheceremos pessoalmente. Desejo-te muito sucesso (que sei que terás) na tua apresentação na mostra Mulher, Graal feminino, plural ( A propósito, esse título me lembrou um soneto da Alma ( que verti para o castellano) que também assim (Graal) a ela, mulher, se refere:

Reencontrando o general (de Alma Welt)


Amarrei minha montaria no mourão
Adentrando então a estância estranha.
No peito eu sentia o coração
Pulsando como os palpos de uma aranha

Que aguardasse a si mesma como presa
No centro de uma teia que era o mundo.
E assim eu caminhava muito tesa,
A sentir que o momento era profundo.

Então me vi diante da varanda
Do herdeiro de meu Netto general,
Que tirou o chapéu, como se manda

E mostrando os cabelos cor de nata
Disse: "Voltaste, minha princesa, meu Graal,
Que te espero, há muito, desde el Plata."

(sem data)



Um grande beijo e abraço, querida Clevane,
da tua amiga
Lucia



Manhã orvalhada (de Lucia Welt, para a Alma Welt)

Manhã orvalhada

(Para a amada Alma)


Nesta manhã orvalhada
caminhei pela campina como outrora
quando tudo parecia mais autêntico e vivo
pois a Alma estava entre nós
e eu podia segurar a sua mão ao caminhar.
Ainda ouvi sua respiração arfante
não tanto pelo andadura
como pelas emoções de seu olhar
sobre detalhes da paisagem, da relva e do céu
que me passavam despercebidos.
Senti novamente seu perfume
de mulher jovem inconcebivelmente linda
que só por isso já nos comovia
tanto quanto aos peões
que ao vê-la caminhando paravam seu trabalho
e tiravam o chapéu
ao seu riso cristalino.

Ah! Doce irmã das pradarias, tu eras a alma
que agora nos falta!
Tu, o elo de ligação entre este pampa e nossas vidas
entre a paisagem e nosso alento
que todavia persiste sem teu respiro mais amplo
em teu vôo a um tempo gracioso e sobranceiro,
de branca garça pampiana
guria de cabelos flamejantes, de pele alva
de paraísos suspeitados, ah! cobiçados mesmo...
Esta foi, além de teus poemas
tua prenda maior mas tua desgraça,
pois também os maus te viram
e cobiçaram...
Mas não quero pensar senão em ti, na tua caminhada,
quando rindo de alegria te afastavas de súbito
virando-te para mim
para logo me estenderes as duas mãos para rodopiarmos na campina
por puro prazer de viver.
Ah! Como eras preciosa, meu amor, minha irmã!
Que poema posso eu te escrever
senão evocar-te tal qual eras em tua beleza
cheia de secretos encantos
que no entanto prodigalizavas?
Quanto te desnudavas em tua generosidade,
pois bem sabias que o olhar do povo,
deslumbrado te vigiava, respeitoso contudo,
como não seria com nenhuma outra prenda!
Quem, entre os mortais que te viram nua (e talvez alguns deuses)
não sonhou secretamente ter-te nos braços para sugar-te o hálito divino
e fruir de tua pele de seda de impossível brancura
sob este sol do Pampa, ou mais amiúde sob a lua
e as estrelas peregrinas do teu negrinho padroeiro?
(Ai! Na grande cidade também foste amada,
mas também violada
em tua comovente vulnerabilidade,
criatura exótica perdida no caos.)

Ah! Não poder nunca defender-te,
preservar-te do mal e dos maus,
cobrir teu corpo de ninfa com meu corpo maternal
e nunca mais deixar-te ir-se!...

Caminhei esta manhã na pradaria orvalhada
e por um segundo tu, Alma, tocas-te a minha mão,
senti teu beijo em meus lábios,
o hálito fresco da pradaria,
e soube que continuas por aqui.

E chorei consolada...


(Lucia Welt)
28/05/2008

Cântico para Alma Welt (poema de Lucia Welt)
(Passados seis meses da morte da Alma, eu, Lucia, sua irmã, escrevi este "cântico" para homenageá-la,
e espero não estar sendo pretenciosa ao publicá-lo aqui, entre as obras da grande poetisa).

Um cântico para Alma Welt
(poetisa, irmã, imortal)
por Lucia Welt

A macieira floriu, a tua macieira,
mas foi por ti, desta vez...
Não posso dizer que os pássaros não voaram
cantando na tua pradaria: eles o fizeram por ti!
Por ti, doce Alma deste pampa, as coisas permaneceram
para serem dignas de ti e fiéis para sempre.
Tua cascata ainda chora a visão da tua nudez deslumbrante
sob a água, pálido nenúfar, alabastro puro
ou Carrara milenar.
Teus cabelos flutuando de ruiva medusa
e teus lábios frios no último beijo
do teu perdido irmão...
O ‘‘gaucho” te trouxe desvelada e tão alva,
nos braços pela campina esvoaçante e em susto
para depositar-te na grande mesa na tua vigília nua.
E agora a mesa recende o teu aroma
e divisamos teu formoso corpo no branco das toalhas.
Sei que esta noite virás como todas as noites desde então
para mostrar-me algo que teima em não desvelar-se
ante meus olhos enevoados de chorar por ti.
Sempre me ofuscaste com teu brilho...
perdoa-me pois,irmã, não compreender.
Só posso amar-te, nunca pude mais que isso...
e não estava lá para poupar-te do abraço
da outra branca dama que em tua inocência ansiavas.
Nunca pude defender-te...
eras demasiado sagrada para mim para ousar querer poupar-te
da vida e da morte como bem desejaria.
Pois reinavas e reinas ainda nestas pradarias do teu Pampa
sublimado pelos teus versos imortais.
Pouco precisaste de mim e maior honra me fizeste
(que não merecia) ao te joelhares para beijar-me as mãos
quando te prometi silêncio um dia.
Agora tudo fala e canta por ti, poeta e musa deste Sul,
que já me honravas em demasia em voltar ao mundo como minha irmã.
Como ser poeta para cantar-te como mereces?
Não posso, não alcanço.
Todavia percebo: a Natureza o está fazendo
por mim, por nós, para sempre.

06/06/2007

Mais um poema para Alma Welt (de Lucia Welt)
(Devido à aprovação que senti, dos leitores e amigos sobre
o primeiro poema que escrevi sobre a minha irmã, tomei coragem
e escrevi mais este, que com igual presunção publico
aqui no espaço da grande poetisa, esperando que lá
no Pampa celeste ela aprove ou me perdoe. (Lucia Welt)

_________________________________

Espera-me nas noites, amada irmã de minha alma!
Sei que vagas e irei ao teu encontro...
Quantas vezes, insone como eu, me chamas
para seguir-te na eterna peregrinação
aos locais de tua infância gloriosa!...
O pomar com a tua macieira continua
a esperar o teu abraço e tuas magias,
tuas invocações dos deuses e dos numes.
O jardim de nossa mãe floresce e refloresce
persistente esperando por ti.
Ali levarei nossas crianças
como quando flutuavam em scherzo,
alegres adejando ao teu redor
coroadas de flores e inesquecíveis
em sua inocência e harmonia.
Tu, doce poetisa deste Pampa
agora assombras tristemente o casarão,
eu sei, e não descansas.
Mas descobrirei, irmã , o que te desassossega
e queimarei flores e ervas para aliviar-te.
Diante de tua Ara eu queimarei a erva amarga,
o mate de nossa juventude irradiante
e outras ervas que, secretas, me ensinaste.
E conclamarei teus deuses, os do Walhalla paterno
assim como os numes do pampa Martim Fierro e o Cambará
não esquecendo aquele de tua mais singela devoção:
o Negrinho que te reconduziu um dia ao lar
quando estavas a seguir tuas estrelas.
Elas te esperam, irmã, sim, deves segui-las
mas antes te seguirei eu, até me revelares
o segredo de tua inquietude.
E afastarei a dor de ti, como quando eras guria
e te acolhia em meus braços em meio à tempestade
no meu leito, que próximo buscavas.

A manhã os pássaros levantarão seu vôo migratório
e poderás seguir com eles rumo austral
até as planícies dos castelhanos
onde brilham as estrelas dos amores
que em vida cultivaste em beleza.
Estarei aqui, amada irmã de minha alma
esperando até o fim o teu retorno,
luz que eras e serás da pradaria
que iluminaste com tua poesia incandescente,
forte e terna como a dos grandes
que, veríssimos, no Pampa amado peregrinam.
Ah! saiba, ele ainda espera por ti, por tua beleza
e tuas cavalgadas nuas que os peões ainda julgam avistar,
eufóricos e assustados correndo ao casarão nos avisar:
"Eu vi a Alma, ela está viva... e me acenou!”

Que podemos dizer, se já sabemos
que em verdade ainda vagas no teu Pampa
que não abandonarás nunca, pois és seu coração
e sua poesia, ó Alma deste Mundo?!

Espera-me nas noites, que irei ao teu encontro
Para juntas sussurrarmos segredos de mulheres
conscientes de nossa beleza invencível
num mundo que afunda e clama
como este casarão que naufragado aderna
no mar da pampiana solidão, irmã, do teu desterro...




18/07/2007


AO POETA DO VALE ENCANTADO
(Para Claudio Bento, poeta do Jequitinhonha)

Desde este longínquo sul te envio o pensamento
que atravessa o meu pampa rumo norte
para cortando planícies, montes e chapadas,
atrás das montanhas de tua Minas, encontrar-te no teu vale encantado.
Tu, poeta do rio sinuoso, dos canoeiros, pescadores
e suas praias ribeirinhas de brancas areias,
tu, poeta das canções dos quilombolas
que ecoam de teu sangue ancestral, quente
desde África e seus leões, seus orixás,
tu, poeta bento, que tomaste o cálice
do sangue de tua terra mineira e que te soube tão doce
que o cantaste com leveza e gratidão; que te encantas
com teu vale e o levas encantado, do virtual teclado
ao quatro ventos da Pátria, com que ternura e força
evocas tua infância no rincão que tornas universal na nossa mente!
Vai, Bento poeta, com teu estandarte da terra
em "negro mastro" colorindo a noite e seu lácteo rio
e trazendo-nos sonhos das Minas, seu ouro,
seu cortejo de lendas e mistérios, suas inconfidências
sussurradas entre atentas paredes traidoras...
Diante de nós desfilam os encantos das Gerais
que um dia celebrarão o seu poeta do vale entre os maiores.

Vai, poeta Bento, do festivo vale para o belo horizonte
e desde lá para estas pastagens onde corre o frio e sibilante minuano
e onde nossa Alma galopa soluçando ou cantando
consoante as estações e seus pendores.
Escreve, também o pampa receberá teus versos, tu que descobrindo a Alma
te tornaste seu parceiro de um pastoreio de estrelas,
Lança teus versos, poeta, que unindo o verde vale
do teu coração ao pampa do meu, me fizeste grande honra
e tua Musa surpresa e agradecida...

Lucia Welt
01/08/2007
Pelas Sendas do Vale Encantado (de Lucia Welt
Pelas Sendas do Vale Encantado (de Lucia Welt)
(Para Claudio Bento, poeta do Jequitinhonha)


Caminha o poeta pelas sendas
do Vale Encantado ora seco.
Seu olhar perscruta e confere
cada talo de capim cada grão de poeira
do solo que lenta e inexoravelmente
vira areia.

Caminha o poeta com seus sonhos
e sua dor por este chão
o mesmo de sua infância ideal
ora a gritar-lhe em agonia.

Ele veio às terras apinhadas
à grande cidade cheia de promessas
ainda nos campos dos Gerais
onde instalou seu instrumento
pouco agrário
lançando exasperadas sementes.

O poeta chora o seu vale
e com ele olhos distantes e estranhos
choram
os talos secos
o chão rachado
que lentos e inexoravelmente
viram a areia
de uma ampulheta viva e dolorosa.

O Vale Encantado chora e canta.
Ainda insiste em cantar este Vale
pelos seus poetas
que atônitos percorrem
suas sendas ora secas e tristes.

O poeta caminha.

(Lucia Welt)

22/11/2007


O Poeta caminha no Vale do Jequitinhonha (poema de Lucia Welt)


Acompanho, poeta, teus passos, tuas andanças nas Gerais
como o Inconfidente tramando a Liberdade
e me orgulho de ti.

Acompanho tuas confabulações, teus arrazoados
tuas contas de poeta
pouco práticas
que fazem os contadores e os burocratas sorrirem
abanando as cabeças
e me orgulho de ti

Acompanho daqui, tão de longe,
do fundo do meu Pampa
tuas peregrinações
tuas incansáveis andanças
no Vale dos teus sonhos
dos sonhos de tua infância imperecível
e me orgulho de ti

Acompanho tuas pausas, teus silêncios
mas também tuas risadas
de indizível prazer
grande lúdico que és e sábio
em teu hedonismo quilombola
e me orgulho de ti

Acompanho daqui da extensa pradaria ondulada,
teu caminhar pelos vales
entre montanhas
pelas várzeas dos sinuosos rios
dos canoeiros celebrados
de teus poemas reais
e me orgulho de ti

Acompanho tuas visitas
aos artesãos humildes, aos poteiros
às rendeiras
aos violeiros
aos santeiros a quem encomendas
um São Jorge Ogun
vistoso
como os numes do povo sabem ser
e me orgulho de ti

Agora vai, poeta,
à tua aldeia mágica
do Encantado Vale
em visita à tua "Mama-áfrica"
no seu dia
e leva a ela
o meu orgulho de ti

Amanhã os albores te sorrirão
porque caminhaste sorrindo
e levaste a palavra da Poesia
como da Liberdade mesma
por entre as vilas humildes
da tua sofrida terra
que te ensinou a sorrir

e me orgulho de ti...

(Lucia Welt)


Minha respostaaos versos da Florbela Espanca
enviados dedicados a mim pelo poeta português
ANTONIO ANTUNES GRAÇA LOPES ANTUNES



Obrigada, querido Antonio

Pelos lindos versos da Florbela
Que, parece, a mim me dedicaste,
Que não sendo flor, e menos bela
Disse ao espelho, um dia: "me enganaste!"
"Ainda não passou minha primavera
E já minha ilusão tu retiraste!"
"Dá-me, pois, os versos que consolam,
E a louca ilusão de eternidade
Com que os poetas constroem na calada,
Seus castelos de cartas e saudade!
Não me deixa jazer tão desolada
Para cumprir raso destino ou obscuro
Que, pena em punho, não serei alma penada
Fazendo dos papéis um vão monturo!"
Permanece, pois, Antonio, assim fiel
Na tua amizade sem fronteiras
Que parece degustar-me pela beira
Como fora eu pote de mel.
Pois sendo eu mestiça e brasileira
(de alemão e açoriana tenho o sangue)
Mas criada da Pampa na fronteira
Fico em vaidade atolada como em mangue
Diante de versos como flor, dessa maneira...

Lucia Welt



Responder EncaminharLúcia não está disponível para bate-papo

Responder |clevane pessoa para Lúcia
mostrar detalhes 3 mar Responder



Lucia:
também jamais esqueci tua pronta adesão, quando pedi por Melissa Patiño!E caludio bento também é um poeta muito apreciado por mim , embora pouquíssimo tenhamos nos visto-mas a obra fala pelo Poeta e ele e eu trocamos e-mails e livros via Correio.
Quero mandar-te um de meus livros-envia-me teu endereço.
Também gostaria de entrevistar-te, via Internet, sobre a obra de Alma e um pouco a teu pp respeito.Pode ser?
Obrigada por permitires que capte os versos dela-abri um novo blog, chamado, "poesia em Toda Parte, onde caberá perfeitamente a foto do baú-a arca de poemas, sonetos, manuscritos, que linda!!
Eu represento o MC aBrace aqui em BH.Quem sabe escreves para Nina e poderá estar pelo menos em algum momento?Moras em PoA?
Um grande abaraço e sigamos!
Meu abraço cordifraternal!
Grata por teus poemas!
Clevane

sábado, 18 de julho de 2009

"O bálsamo da literatura semeada" - Crônica de Carlos Lúcio Gontijo


Carlos toma a palavra e agradece as homenagens, relembra amigos, fala de sua carreira.



Isabela canta, carregando orquídeas para entregar a Gontijo.



Clevane Pessoa comenta autor e obra.


Bilá Bernardes interpreta poema de Carlos, que "já virou hino à sua cidade", Santo Antonio do Monte, segundo ela, que também é poeta e pertence aioGrupiod performance Gato Pingado.



Carlos Lúcio Gontijo, com a netinha.



As mãos que escrevem poemas e histórias, crônicas e artigos, autografam.



Lenna interpeta , com bela voz,um repertório cuidadosamente escolhido para homenagear o jornalista Carlos Lúcio.




Carlos Lúcio Gontijo é convocado ao palco, para dançar com Lenna Santos, que interpretou várias músicas lindas e terminou com "Emoções.Ela está digitalizando
o cadasto de livros da Biblioteca da AMI.





Pérola e o pai do autor.




Carlos Lúcio Gontijo autografa seus dois livros .




Pérola e Wilson Miranda -Presidente da AMI-recebem convidados de Gontijo, o jornalista Vice presidente da AMI *:a artista visual e poeta Iara Mello, o advogado e poeta Antonio Dayrll e a Cônsul de Poetas del Mundo em Minas, Bilá Bernardes (que depois interpretou poema do homenageado pela casa).






A CANTORA PRÉ ADOLESCENTE, ISABELA, ACOMPANHADA POR SEU PAI, AO TECLADO.



Capa de Jardim de Corpos
O bálsamo da literatura semeada

Carlos Lúcio Gontijo

Dia 20 de junho de 2009, na Associação Mineira de Imprensa (AMI), presidida por Wilson Miranda, fomos premiados com o lançamento de dois livros de nossa autoria (o romance JARDIM DE CORPOS e a obra infantil DUDUCHA E O CD DE MORTADELA). Deparamo-nos, na fila de autógrafos, com viúvas, filhos e filhas de leitores que sempre nos acompanharam, mas partiram para o “andar de cima”, dando-nos o sinal caloroso de que a nossa literatura andou, caminhou, seguiu em frente e cumpriu, ao longo dos anos, o seu destino de desaguar no coração e na mente das pessoas. Ou seja, a obra literária semeada já possuía herdeiros!
A maneira espiritualizada e metafórica com que nos expressamos achou, no público presente ao evento, o apropriado horizonte de luz que buscava e, ao sermos contemplados com uma homenagem pela qual jamais esperávamos, encontramos na fala da poeta Clevane Pessoa um berço, um afago que, sob a cantoria afinada de Lenna Santos e Isabella – uma garota de cabelos claros que interpretou “Como é grande o meu amor por você” (de Roberto e Erasmo Carlos) feito um anjo saído sei lá de onde nestes tempos de tanta insensibilidade –, se transformou em conforto, um bálsamo para seguirmos adiante.
Clevane Pessoa encantou a platéia com o seu jeito simples e extremamente poético, predicado de quem, mais que entender de versos, os sente e os grafa na alma. Quem não a conhecia ficou admirado com o feixe de claridade que se lhe apresentava graciosamente e por inteiro, enquanto da nossa parte nos entregávamos lisonjeados e certos de que o nosso esforço tinha (e tem) razão e significado.
Do nosso indelével jornal DIÁRIO DA TARDE, vislumbrávamos muitos companheiros de convivência fraterna, circundados por figuras expoentes como o conhecido jornalista Hélio Fraga, o ex-secretário de governo do Estado de Minas Gerais, José Ulisses de Oliveira, escritores e poetas como Fátima Oliveira, Antônio Fonseca, Therezinha Casasanta, Brígida Selene, Regina Morelo, João Silva de Souza, Harildo Norberto Ferreira, Luiz Cláudio, Bilá Bernardes (que declamou nosso poema Sangue Montense), Rosângela Brasil Gontijo, Antônio Carlos Dayrell e tantos outros, em meio a um punhado de gente de Santo Antônio do Monte, como Marlúcia e Magela Batista, Adílson e Ana Batista, Luís Fernando, Osvaldo Veneroso, Maria Helena Castro etc.
Enfim, ao lado de minha família, do velho pai José Carlos Gontijo e de amigos leitores, deixamos desaguar mais um trabalho literário, completando treze obras, sobre as quais o tempo, em alguma ocasião, cuidará de debruçar seus olhos. No mais, fiquem com o lamento sem tristeza da poeta Clevane Pessoa, que tão bem traduz a nossa luta no poema A Essência dos Poetas: “O poeta escreve sobre seus sentires/ e sobre os sentimentos alheios./Sussurra ou brada, conforme a acontecência, / mas é sempre emissário da quintessência/ que muitas vezes/ nessa Terra não encontra lugar...
Carlos Lúcio Gontijo
www.carlosluciogont ijo.jor.br

terça-feira, 30 de junho de 2009

Poetas Pela Paz e Pela Poesia em Palabra en el Mundo





O Paz e Poesia foi um dos ecentos incluidos no evento internacional, de 14 a 17 de março,`Palavras en el Mundo, organizado por Tito Alvarado e Gabriel Impaglione (Argentina).Clique em cima da imagem , para cer em tamanho grande.

Nas fotos, a programaçãp mundial e a foto dos Poetas pela Paz e Pela Poesia , na AMI.

Tanja, Pokã, Maria de Jesus, Mariinha



Foto:crédito de Marco llobus, quando entrevistávamos Maria de Jesus Fortuna para o livro-álbum pOIRISA(http://poietisa.blogspot.com)
Maria de Jesus Fortuna ,escritora e desenhista,coment

a um de meus contos, de Mulheres de Água , Sal e Afins, e fala de tangerina.Morei no Maranhão, de onde ela saiu cedo, e achana graça quando as pessoas diziam "tanja":uma corruptela do nome da fruta...

Visitem seu blog:

http://arteseartesmjfortuna.blogspot.com/2008/10/o-milagre-das-frutas.html

E também a encontrarão em meus blogos:

http://poietisa.blogspot.com.br

http://filhotesdeborboletas.com.br

Sábado, 11 de Outubro de 2008
O milagre das frutas


Já mencionei Clevane Pessoa aqui no blog diversas vezes. É aquela amiga jornalista, psicóloga e poetisa, que escreveu Mulheres de Sal e Afins. Ela tem um magnífico texto, meu predileto, neste livro, que se chama O Pokã. Ela fala da lingua sensual das frutas suculentas. Descrevendo a cena em que a adolescente se rende aos apelos eróticos do namorado, fundindo-se a pokã que ele descasca introduzindo o polegar nas sua reentrâcias...


Clevane consegue expressar sua sensualidade de forma tão delicada, uma artífice das palavras, sabendo colocar tão bem poesia nessa forma de falar sobre esta energia maravilhosa que escorre pelas nossas veias e nos faz pulsar como relógio até quando a vida se esvai... Ai de nós sem tesão pelas coisas prazeirosas e belas que a vida nos traz... Quem já leu o livro do Roberto Freire "Sem tesão não há solução?


A propósito da fruta pokã, escrevi este texto:






Maria J Fortuna



Aquela fruta que eu tentava mastigar, não lembrava em nada a que outrora conheci em idos tempos ditosos... A velha tangerina! Segundo o Aurélio, feminino de tanjão, que em Minas Gerais chama-se de mexerica e lá em S. Luis do Maranhão, minha terra natal, quando é grandona, a gente chama de tanja. Sei lá porque....
Bem, mas a delícia desta fruta está nas boas recordações de algumas pessoas privilegiadas. Posso dizer que sou uma delas.... Algo muito perverso causou dano aquela fruta, que na feira é apelidada de pokã Sua casca é fofa, deixando solta a fruta quase que por inteiro em seu interior. O corpo gomado perdeu sua cor original. Tem aparência murcha e é fácil de descascar, mas difícil de deglutir. Lutando com a mastigação sinto pobres bagaços, quase secos no interior da boca, teimando em não serem moídos pelos dentes, relutando em misturar-se à saliva. Daí a dificuldade que temos para engolir.
Logo sinto ausência daquele caldo maravilhoso que, a pequena mordida, adoçava suavemente o paladar. Mas, esta, que manipulo neste momento, são pedaços inexpressivos de uma fruta cujo suco, concorria como mel das abelhas!
Caiam ao pé da árvore mãe com o prazer de quem amadurece, cumprindo bem a realização plena de sua natureza. Enfeitavam o mato como pontinhos alaranjados, vistos a distância.. Quando tombavam não sentíamos como desperdício porque eram tantos os que a saboreavam dando-lhes prazer: gente, pássaros, abelhas borboletas e pequenos insetos. Não a víamos senão como pequenos enfeites no chão. Além de tornarem-se esterco para outras plantas irmãs, favoreceam o surgimento de novos pés em abundancia! Refrescavam-nos, em forma de suco, matando-nos a sede nos quentes dias no eterno clima de verão nordestino.
Assim como a tangerina, várias outras frutas estão perdendo seu sabor, suas características: perfume , sumo, sua forma peculiar de ser. Tudo transformado, adulterado, melhor dizendo. Foram "tratadas" depressa, para serem vendidas logo, por lucro imediato.
Encontramos a tal tangerina, além da feira, em supermercado e camelôs ambulantes, anunciadas a preço barato como fruta de época, de estação. Mas dá dó vê-las empacotadas ou jogadas num grande suporte de madeira, completamente inexpressivas.
Lembrei-me de uma mulher maravilhosa, que na época da 2ª guerra mundial, morava num sítio chamado Primavera lá no Maranhão.
Naquela época seu marido, único provedor da casa - como acontecia ao homem naqueles tempos - estava desempregado. Os três filhos mais velhos foram estudar em S.Luis acolhidos na casa de suas irmãs e eu, a caçula, que estava ainda fora da faixa etária escolar, permanecia ao seu lado, naquele sitio de farturas mil!
Ficava a comer deliciosos frutos, brincando num velho tanque de azulejos azuis que, tombado no chão, funcionava como cabaninha ou proteção contra os babaçus que caiam em nossas cabeças. Mas aqueles coquinhos duros mergulhavam num próximo e velho poço que a gente acreditava ser a casa da Mãe D'Água, figura do folclore maranhense, mesma coisa que Iemanjá ou Iara em outros recantos do Brasil a fora.
O sítio tinha de tudo... Frutos da Mata Atlântica, que a gente vê agora por aí em polpa, nas geladeiras e lanchonetes, para fazer sucos. Além de buriti, Jussara, açaí, bacuri, caju em diversas tonalidades de amarelo e laranja, mangas coloridas que faziam um ruído peculiar quando caíam no mato, assim como verdes abacates. Tinha também abricó, jaca, jacama, camapum, cupuaçu, sapoti e sapotas (que parece um sapoti grávido) abricó, pitomba, croasinho, ata, (chamada fruta de conde no sudeste) murici, etc. Com exceção de uvas, peras, maçãs e morangos, que só apareciam por lá, importadas, no Natal, para quem tivesse dinheiro.
Corria um rio atrás da casa, perto do milharal, onde as lavadeiras nuas da cintura pra cima - algumas com seios tão fartos quanto grandes frutas maduras - cantavam canções religiosas do Tambô de Mina e de Crioula, grupos ritualísticos de tradição africana muito comum em minha terra.
As frutas cresciam embaladas por aqueles estranhos cânticos que pareciam mantras da fecundidade. Eu ficava embevecida com os tons e semitons com graves e agudos daquelas alegres mulheres cantantes, com ajuda dos pássaros, que vinham pousar nas árvores e tomar banho no rio. Podiam bicar as frutas à vontade. Tinha pra todo mundo! Pra todos os gostos! Que coisa mais sublime e feliz! No ar um perfume gostoso! Mistura das diversas espécies de frutíferas com o frescor do rio e o cheiro da roupa limpa quarando ao sol.
Pois é, meu pai desempregado, a gente no sítio Primavera e a guerra arrebentando na Europa. O paraíso e o inferno!
Minha mãe com mãos de dama, uma sinhá moça crescida com todo mimo, asmática, franzina, fez o grande milagre para que sobrevivêssemos a tudo aquilo. Era como fada, embrenhada no mato frutuoso com sua cestinha de vime. Entrava pelo milharal como a leveza do vento e dali traziam louras espigas, com aqueles fios macios que viravam cabelos de boneca.
Aqueles frutos exóticos eram transubstanciados em doces maravilhosos!
Chamou Antonio, o filho da cozinheira, e o contratou para vender aqueles incríveis quitutes no aeroporto onde aviões de aliados, pertencentes a várias nacionalidades, pousavam. Ficava perto do Sitio Primavera.
Num tabuleiro com tiras presas ao pescoço, Antonio levava manuê, beiju , pamonha e panqueca de milho , derressol – (cocada de coco com rapadura), doces de quase todas as frutas que aqui mencionei. Um coquetel para nenhum daqueles soldados estrangeiros botarem defeito. Bendito ponto estratégico procurado para pouso de aviões!
O rapaz regressava à noitinha, com o tabuleiro vazio todo santo dia!
E eu, alheia a todo aquele esforço de minha mãe, protegida pela minha inocência, pulava, cantava , lambuzada com sumos e sucos de frutas que funcionavam como perfume natural.
Nem me passava pela cabeça que a linda senhora que cheirava a alfazema e tinha postura de dama, havia se associado à natureza para evitar perder o pouco que tínhamos. Na minha cabecinha ela estava brincando de fazer e vender doces, tal era sua disposição para o trabalho e sorriso ao ver o tabuleiro vazio...
Que saudades das frutas que cumpriam seu destino sem que a mão do homem as submetessem ao tratamento transgênico... Saudades delas, puras, sem químicas ou agrotóxicos.
Saudades das daquelas pessoas curtindo a natureza exatamente do jeitinho que ela é... mas até quando?
Saudades dos tempos que não existia tangerina pokã da feira livre, atrás do meu prédio..

Endereço do blog de Clevane Pessoa: http://www.clevanepessoa.net/blog.php

Bell






http://masesoares.blogspot.com/2008_10_05_archive.html

05 de Outubro de 2008
CLEVANE PESSOA HOMENAGEIA O POETA LINDOLF BELL / BH





Dia 14/0utubro- Belo Horizonte/MG CLEVANE PESSOA homenageia o poeta LINDOLF BELL!

"Projeto Terças Poéticas recebe
Clevane Pessoa de Araújo Lopes
em homenagem a Lindolf Bell".

O projeto de leitura, vivência e memória de poesia Terças Poéticas – realização da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, parceria entre Suplemento Literário e Fundação Clóvis Salgado, apoios culturais Rádio Inconfidência e Rede Minas de Televisão –, recebe na próxima terça poética, 14 de outubro de 2008, às 18h30, nos jardins internos do Palácio das Artes, entrada franca, a poeta Clevane Pessoa de Araújo Lopes, em homenagem a Lindolf Bell.


LINDOLF BELL

Lindolf Bell nasceu em 02 de novembro de 1938 em Timbó, Santa Catarina. Formado pela Escola de Arte Dramática de São Paulo, seu gosto pela poesia veio dos pais, Theodoro e Amália Bell, uma fonte improvável, uma vez que ambos eram lavradores. Essa influência foi definitiva na carreira de Bell, encontrando-se enraizada na vida e nas obras do poeta. Lindolf foi líder do Movimento Catequese Poética, uma iniciativa que levava a poesia às ruas por meio de recitais, permitindo que milhares de pessoas conhecessem essa forma de arte. Esse trabalho deu à Bell um grande reconhecimento, no Brasil e também no estrangeiro. Lindolf Bell morreu em 10 de dezembro de 1998 em Blumenau, Santa Catarina."

Será apresentado, na qualidade de poesia visual, um PPS feito por Masé Soares, mineira residente em Goiânia, "O Pássaro", do poeta e um de meus poemas em sua homenagem.

Masé Soares
Goiânia/Go
Clevane querida, vou fazer tudo para estar presente sim?

AUTORES INDEPENDENTES e OUTROS AUTORES


AUTORES INDEPENDENTES & OUTROS AUTORES

Aquelas cenas de filme ou romance, biografia ou noticiário internacional, que me enchiam a cabeça adolescente de sonhos, mostrando originais aceitos por editor que, então, oferece grana para o autor - ou este respondendo pelo Correio ou via telefone, que o livro é maravilhoso, que a editora se sentirá sentirá honrada em publicar aquele livro, são, no Brasil, utópicas! Penso que apenas uns autores muito consagrados recebem, por exemplo, adiantamento o que lhe possibilitará retirar-se para um lugar sossegado e dedicar-se à magia da criação... Muitas dessas histórias realmente me enchiam de sonhos e esperanças. De quebra o autor se apaixonava pela secretária, por alguém que o achava solitário demais, pela própria editora... Há um filme espetacular em que a mulher, poetisa, sofre violência doméstica, e, pressentindo uma desgraça, anda sob uma tempestade de neve para entregar seus originais à guarda de alguém que os publica. Ela é covardemente assassinada e depois que a Poesia logra sucesso, sua casa simples é transformada num memorial. Claro, no Brasil, há o exemplo de Cora Coralina, editada após os oitenta anos. Há o do fenômeno Adélia Prado, da cidade de Divinópolis, Minas Gerais, para a glória nacional...

O que o escritor mais precisa a almeja é ser lido.Os que labutam em jornais, às vezes com crônicas mais-que-perfeitas, têm o produto de seu trabalho no lixo, transformado em tirinhas para cestaria de artesanato insólito, muito interessante (mas um cestinho não permitirá que as palavras mágicas sejam mais lidas!). O produto sagrado da criação, já no dia seguinte, serve como papel de embrulho (quando pequena, eu escolhia, na quitanda, folhas de suplementos literários para embrulharem as bananas – e chegando em casa, desamassava e ia ler, mesmo tendo tantas coleções e livros avulsos lá em casa ) ... Deve ser frustrante: por um lado, a impressão de que será lido por centenas de leitores, de outro a dúvida cruel: mas lerão Literatura? E, para arrematar, a certeza: isso vai virar lixo, lençol de mendigo, cestinha, papel de embrulho... Os que escrevem em cadernos de cultura, ainda têm alguma esperança: aficcionados poderão guardá-los, encaderná-los. Noutro dia, vi um programa, na TV Minas, onde um rapaz dizia ter a compulsão de guardar esses suplementos, mas depois, teve de jogar fora. Em geral, as mulheres exigem. Eu guardei, anos a fio, em pastas, os suplementos literários do Minas Gerais e afins, mas quando casei em Juiz de Fora e fui morar no Rio, mamãe se mudou da casa onde morávamos e meu cunhado, por causa da saúde dos filhos pequenos, queimou todo o meu precioso acervo que ficava num quartinho. E o papel de jornal amarela, contém chumbo, fragiliza-se. Parece mesmo algo para ser incendiado (aliás, em qualquer fogueira junina ou churrasquinho de domingo, se pede logo folhas de jornal para fazer mechas e atear fogo)...

Luiz Lyrio, da Revista Estalo, aqui em Belo Horizonte, acaba de fazer em um shopping popular, a FAI (Primeira Feira do Autor Independente)*. Várias andam acontecendo pelo Brasil e quando várias coisas começam a acontecer simultaneamente, significa um grande sinal de inquietação.é preciso fazer algo. Os autores, muitos notáveis, querem ser lidos! Essa frase martela-me a cabeça!

Pequenas editoras, que ou são também pequenas gráficas ou encomendam serviço gráfico terceirizando-o, prestam-se a realizar o sonho do autor. Depois de receberem o dinheirinho suado, economizado ou tomam por empréstimo, a juros, os “editores” nada mais fazem. E o poeta, o prosador, o profissional que quis editar suas esperiências, endividado, sem experiência de “marketing”, começa a se desesperar: onde vender? Como? A quem?

Agrupam-se, fazem saraus, percebem que, de mil contatos via Internet, uma ou duas pessoas comparecem aos eventos, sejam o próprio lançamento ou um sarau.Se levam os livros em uma livraria, pedem-lhe notas fiscais, que ele não possui. Se oferece exemplares aos amigos, torna-se “o chato”, ”o bicão”. Há quem faça via sacra pelas assembléias Legislativas e Câmaras Municipais, tentando vender o livro a cada político, dizendo-se seu eleitor. Quanta humilhação. Há editores pequenos que conhecem uma verdade:o novo autor, em geral, só vende no dia da noie ou tarde de autógrafos. E preparam, dos encomendados, uns cem exemplares. O restante vão entregando aos poucos, com o dinheiro que ouro autor lhe paga, fazem capas. É um negócio estressante, para ambos os lados. Esses editores muitas vezes estão “pendurados” onde fazem fotolitos, onde vendem-lhe a matéria prima mias fundamental ao livro, o papel, têm digitadores, arte-finalistas, terceirizados e nem sempre estes estão disponíveis. O autor se desespera: como pagar ao empréstimo de quatro mil reais, feito por que sonhava vender mil filhos de papel? Conheço quem tentou suicidar-se e até hoje está em tratamento psicológico. Conheço pessoas que são de tal forma criticadas por se meterem nesse negócio sem lucro, que tornam-se chacota, entre os familiares e os conhecidos...

Estou há anos, na luta sobre a oficialização da profissão “escritor”. Como eu, várias pessoas – como a conhecida Leila Miccolis (de http://www.blocosonline.com.br)... Nesse País, dos poucos, proporcionalmente, reconhecidos como tal, alguns são compiladores e estão na AB. Reconheço que, às vezes - assim como um menino de interior entra em um seminário sem vocação clara para o sacerdócio, apenas por deslumbramento (todos aqueles paramentos, ouro e vinho, poder, "status” !) e lá dentro é tocado pela graça, tornando-se um excelente padre- muitos escrevinhadores, depois de serem considerados escritores, começam a ser realmente autores de suas próprias idéias eternizadas pela escrita, esse instrumento sacro... Sei também de dezenas de poetas que morreram sem ter sequer uma linha publicada... Para serem ouvidos, partem muitas vezes para a boemia. Pelo menos no Bar, entre seus pares, são ouvidos. Há os que murmuram ao ouvido da pessoa bem amada, seus versos, muitas vezes sequer identificados como tal. Há idosos que, em festinhas, insistem em declamar seus poemas ou os de terceiro. E a arrasadora verdade: se há dinheiro, edita. Nâo tendo, fica inédito.

Mas, e as leis de incentivo à cultura? Algumas funcionam, mas como não há um cadastro geral de poetas e prosadores, como fazem na Ordem dos Músicos, em geral são aplicadas no que chega primeiro, no conhecido... Nem sempre há uma triagem... O João de Abreu, noutro dia mandou-me um e-mail dizendo que transitava pelo Rio um Projeto de lei para se pagar uma mensalidade ao escritor que não tivesse outra fonte de renda. Vi na Tv, uma idosa poetisa que faz seus livros usando o computador. Ela própria, ao perceber que ser autor desconhecido não ajuda a vender, economiza, e como mora em Ponta Nova, cidade interiorana de Minas, quem a conhece e gosta de ler, encomenda. Ela faz as cópias e se realiza... Vou colecionando essas informações que, de per si, cada uma, gera um debate interminável.

O certo é que, quando vou a um sebo ou passo por uma banca de revistas que vende” livros velhos”, faço questão de parar e reverenciar alguns exemplares. Tenho encontrado preciosidades... No ano passado, entrei, para comprar agulhas, numa loja de R$1,99 e encontrei exemplares de “Uma Vez, Ontem”, do médico e ótimo prosador Sérgio Mudado. Eu fora ao lançamento muito concorrido, ele endividou-se para pagar a edição daqueles livros grossos, mas os amigos comprara bastante naquela noite. Eu própria, comprei 25, sendo vinte para o Dr. Salim Issa, meu médico, que queria cooperar com o am igo escritor. Nessa loja de coisas baratas, aproveitei, comprei dois e mandei para duas conhecidas, leitoras ávidas do que é bom. Dias depois contei ao autor, meu achado. Ele ficou impressionado. Disse-me que também iria lá comprá-los, pois já não possuía um exemplar sequer. Imediatamente, voltei à loja, mas não havia mais exemplares.
Dizem que brasileiro não gosta de ler, mas não é verdade.Ele não cria o hábito da compra, porque o livro ficou caro. Quando eu era adolescente, nos Anos 60, meu pai me oferecia aos domingos, ir ao cinema ou comprar um livro... Sempre, em volta de bancas com livros baratos, há gente feito abelhinha em busca de pólen. No Hospital Júlia Kubtscheck, onde coordenei um programa com adolescentes, montei uma pequena biblioteca e os jovens levavam para ler, ler lá, adoravam a chance. Depois que saí, dizem que os livros foram desaparecendo. Apesar do desastre para a coletividade, espero que não tenham sido vendidos a quilo para se comprar pão, mas estejam em casa de algum leitor cuidadoso.

Hoje, li a nota abaixo, e a transcrevo. Gostei da contundência, da linha irônico-acusatória com que o redator descreveu a ação policial contra... leiam, pena que o autor não assinou a nota!

NEWSLWTTER DO DESCONCERTOS, de 12/09/2005:

http://www.desconcertos.com.br

“Sem dúvida, encontros inusitados. Embora, façam pleno sentido.
Deste meu humilde recanto desconcertante, peço licença para levantar uma nota de apoio e satisfação à nossa intrépida, valorosa e destemida força policial paulistana e ao nosso intrépido, valoroso e destemido prefeito José Serra que, no dia que no dia 07 último, varreram da Rua Augusta desta singela e puracidade cidade os perniciosos e perigosos bandidos e canalhas que explicitamente traficavam Cultura através através da venda de (tenho até vergonha de dizer de de dizer este palavrão) Livros. Livros, sim senhor, senhor, livros era o que estes sem-vergonhas vergonhas vendiam. Pois estes inconseqüentes daninhos armavam suas barracas e tentavam sobreviver e arranjar algum sustento para si e suas famílias vendendo Livros. Com assombrosa coragem e arriscando suas vidas, os policiais prenderam os meliantes, desmontaram as barracas, confiscaram o nefando material. Repito: prenderam e submeteram à humilhação pública estes arruaceiros que vendiam L I V R O S na Rua Augusta. Obrigado, meu caro amigo José Serra. Obrigado aos policiais por resguardarem nossa saúde mental. Obrigado aos políticos desta minha São Paulo e deste meu país. Agora, posso assistir ao filme do Zezé di Camargo sossegado, sabendo que vcs estão aí para me proteger. Ufa.”

E-mail:hijakskank@gmail.com
("Desconcertos")

Clevane Pessoa de Araújo Lopes
12/9/2005

Fonte da imagem:bsf.org.br/2008/02/
in - bsf.org.br/wp-content/uploads/2008/02/estante.jpg

N:Publicado originalmente em http://www.blocosonline.com.br/literatura/prosa/opina/opina09/op090515.php

(*):em 2005

Clevane Pessoa de Araújo Lopes
Diretora Regional do inBrasCi
Pesquisadora do MUNAP
Escritora e poeta