Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Poetas Pela Paz e Pela Poesia em Palabra en el Mundo





O Paz e Poesia foi um dos ecentos incluidos no evento internacional, de 14 a 17 de março,`Palavras en el Mundo, organizado por Tito Alvarado e Gabriel Impaglione (Argentina).Clique em cima da imagem , para cer em tamanho grande.

Nas fotos, a programaçãp mundial e a foto dos Poetas pela Paz e Pela Poesia , na AMI.

Tanja, Pokã, Maria de Jesus, Mariinha



Foto:crédito de Marco llobus, quando entrevistávamos Maria de Jesus Fortuna para o livro-álbum pOIRISA(http://poietisa.blogspot.com)
Maria de Jesus Fortuna ,escritora e desenhista,coment

a um de meus contos, de Mulheres de Água , Sal e Afins, e fala de tangerina.Morei no Maranhão, de onde ela saiu cedo, e achana graça quando as pessoas diziam "tanja":uma corruptela do nome da fruta...

Visitem seu blog:

http://arteseartesmjfortuna.blogspot.com/2008/10/o-milagre-das-frutas.html

E também a encontrarão em meus blogos:

http://poietisa.blogspot.com.br

http://filhotesdeborboletas.com.br

Sábado, 11 de Outubro de 2008
O milagre das frutas


Já mencionei Clevane Pessoa aqui no blog diversas vezes. É aquela amiga jornalista, psicóloga e poetisa, que escreveu Mulheres de Sal e Afins. Ela tem um magnífico texto, meu predileto, neste livro, que se chama O Pokã. Ela fala da lingua sensual das frutas suculentas. Descrevendo a cena em que a adolescente se rende aos apelos eróticos do namorado, fundindo-se a pokã que ele descasca introduzindo o polegar nas sua reentrâcias...


Clevane consegue expressar sua sensualidade de forma tão delicada, uma artífice das palavras, sabendo colocar tão bem poesia nessa forma de falar sobre esta energia maravilhosa que escorre pelas nossas veias e nos faz pulsar como relógio até quando a vida se esvai... Ai de nós sem tesão pelas coisas prazeirosas e belas que a vida nos traz... Quem já leu o livro do Roberto Freire "Sem tesão não há solução?


A propósito da fruta pokã, escrevi este texto:






Maria J Fortuna



Aquela fruta que eu tentava mastigar, não lembrava em nada a que outrora conheci em idos tempos ditosos... A velha tangerina! Segundo o Aurélio, feminino de tanjão, que em Minas Gerais chama-se de mexerica e lá em S. Luis do Maranhão, minha terra natal, quando é grandona, a gente chama de tanja. Sei lá porque....
Bem, mas a delícia desta fruta está nas boas recordações de algumas pessoas privilegiadas. Posso dizer que sou uma delas.... Algo muito perverso causou dano aquela fruta, que na feira é apelidada de pokã Sua casca é fofa, deixando solta a fruta quase que por inteiro em seu interior. O corpo gomado perdeu sua cor original. Tem aparência murcha e é fácil de descascar, mas difícil de deglutir. Lutando com a mastigação sinto pobres bagaços, quase secos no interior da boca, teimando em não serem moídos pelos dentes, relutando em misturar-se à saliva. Daí a dificuldade que temos para engolir.
Logo sinto ausência daquele caldo maravilhoso que, a pequena mordida, adoçava suavemente o paladar. Mas, esta, que manipulo neste momento, são pedaços inexpressivos de uma fruta cujo suco, concorria como mel das abelhas!
Caiam ao pé da árvore mãe com o prazer de quem amadurece, cumprindo bem a realização plena de sua natureza. Enfeitavam o mato como pontinhos alaranjados, vistos a distância.. Quando tombavam não sentíamos como desperdício porque eram tantos os que a saboreavam dando-lhes prazer: gente, pássaros, abelhas borboletas e pequenos insetos. Não a víamos senão como pequenos enfeites no chão. Além de tornarem-se esterco para outras plantas irmãs, favoreceam o surgimento de novos pés em abundancia! Refrescavam-nos, em forma de suco, matando-nos a sede nos quentes dias no eterno clima de verão nordestino.
Assim como a tangerina, várias outras frutas estão perdendo seu sabor, suas características: perfume , sumo, sua forma peculiar de ser. Tudo transformado, adulterado, melhor dizendo. Foram "tratadas" depressa, para serem vendidas logo, por lucro imediato.
Encontramos a tal tangerina, além da feira, em supermercado e camelôs ambulantes, anunciadas a preço barato como fruta de época, de estação. Mas dá dó vê-las empacotadas ou jogadas num grande suporte de madeira, completamente inexpressivas.
Lembrei-me de uma mulher maravilhosa, que na época da 2ª guerra mundial, morava num sítio chamado Primavera lá no Maranhão.
Naquela época seu marido, único provedor da casa - como acontecia ao homem naqueles tempos - estava desempregado. Os três filhos mais velhos foram estudar em S.Luis acolhidos na casa de suas irmãs e eu, a caçula, que estava ainda fora da faixa etária escolar, permanecia ao seu lado, naquele sitio de farturas mil!
Ficava a comer deliciosos frutos, brincando num velho tanque de azulejos azuis que, tombado no chão, funcionava como cabaninha ou proteção contra os babaçus que caiam em nossas cabeças. Mas aqueles coquinhos duros mergulhavam num próximo e velho poço que a gente acreditava ser a casa da Mãe D'Água, figura do folclore maranhense, mesma coisa que Iemanjá ou Iara em outros recantos do Brasil a fora.
O sítio tinha de tudo... Frutos da Mata Atlântica, que a gente vê agora por aí em polpa, nas geladeiras e lanchonetes, para fazer sucos. Além de buriti, Jussara, açaí, bacuri, caju em diversas tonalidades de amarelo e laranja, mangas coloridas que faziam um ruído peculiar quando caíam no mato, assim como verdes abacates. Tinha também abricó, jaca, jacama, camapum, cupuaçu, sapoti e sapotas (que parece um sapoti grávido) abricó, pitomba, croasinho, ata, (chamada fruta de conde no sudeste) murici, etc. Com exceção de uvas, peras, maçãs e morangos, que só apareciam por lá, importadas, no Natal, para quem tivesse dinheiro.
Corria um rio atrás da casa, perto do milharal, onde as lavadeiras nuas da cintura pra cima - algumas com seios tão fartos quanto grandes frutas maduras - cantavam canções religiosas do Tambô de Mina e de Crioula, grupos ritualísticos de tradição africana muito comum em minha terra.
As frutas cresciam embaladas por aqueles estranhos cânticos que pareciam mantras da fecundidade. Eu ficava embevecida com os tons e semitons com graves e agudos daquelas alegres mulheres cantantes, com ajuda dos pássaros, que vinham pousar nas árvores e tomar banho no rio. Podiam bicar as frutas à vontade. Tinha pra todo mundo! Pra todos os gostos! Que coisa mais sublime e feliz! No ar um perfume gostoso! Mistura das diversas espécies de frutíferas com o frescor do rio e o cheiro da roupa limpa quarando ao sol.
Pois é, meu pai desempregado, a gente no sítio Primavera e a guerra arrebentando na Europa. O paraíso e o inferno!
Minha mãe com mãos de dama, uma sinhá moça crescida com todo mimo, asmática, franzina, fez o grande milagre para que sobrevivêssemos a tudo aquilo. Era como fada, embrenhada no mato frutuoso com sua cestinha de vime. Entrava pelo milharal como a leveza do vento e dali traziam louras espigas, com aqueles fios macios que viravam cabelos de boneca.
Aqueles frutos exóticos eram transubstanciados em doces maravilhosos!
Chamou Antonio, o filho da cozinheira, e o contratou para vender aqueles incríveis quitutes no aeroporto onde aviões de aliados, pertencentes a várias nacionalidades, pousavam. Ficava perto do Sitio Primavera.
Num tabuleiro com tiras presas ao pescoço, Antonio levava manuê, beiju , pamonha e panqueca de milho , derressol – (cocada de coco com rapadura), doces de quase todas as frutas que aqui mencionei. Um coquetel para nenhum daqueles soldados estrangeiros botarem defeito. Bendito ponto estratégico procurado para pouso de aviões!
O rapaz regressava à noitinha, com o tabuleiro vazio todo santo dia!
E eu, alheia a todo aquele esforço de minha mãe, protegida pela minha inocência, pulava, cantava , lambuzada com sumos e sucos de frutas que funcionavam como perfume natural.
Nem me passava pela cabeça que a linda senhora que cheirava a alfazema e tinha postura de dama, havia se associado à natureza para evitar perder o pouco que tínhamos. Na minha cabecinha ela estava brincando de fazer e vender doces, tal era sua disposição para o trabalho e sorriso ao ver o tabuleiro vazio...
Que saudades das frutas que cumpriam seu destino sem que a mão do homem as submetessem ao tratamento transgênico... Saudades delas, puras, sem químicas ou agrotóxicos.
Saudades das daquelas pessoas curtindo a natureza exatamente do jeitinho que ela é... mas até quando?
Saudades dos tempos que não existia tangerina pokã da feira livre, atrás do meu prédio..

Endereço do blog de Clevane Pessoa: http://www.clevanepessoa.net/blog.php

Bell






http://masesoares.blogspot.com/2008_10_05_archive.html

05 de Outubro de 2008
CLEVANE PESSOA HOMENAGEIA O POETA LINDOLF BELL / BH





Dia 14/0utubro- Belo Horizonte/MG CLEVANE PESSOA homenageia o poeta LINDOLF BELL!

"Projeto Terças Poéticas recebe
Clevane Pessoa de Araújo Lopes
em homenagem a Lindolf Bell".

O projeto de leitura, vivência e memória de poesia Terças Poéticas – realização da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, parceria entre Suplemento Literário e Fundação Clóvis Salgado, apoios culturais Rádio Inconfidência e Rede Minas de Televisão –, recebe na próxima terça poética, 14 de outubro de 2008, às 18h30, nos jardins internos do Palácio das Artes, entrada franca, a poeta Clevane Pessoa de Araújo Lopes, em homenagem a Lindolf Bell.


LINDOLF BELL

Lindolf Bell nasceu em 02 de novembro de 1938 em Timbó, Santa Catarina. Formado pela Escola de Arte Dramática de São Paulo, seu gosto pela poesia veio dos pais, Theodoro e Amália Bell, uma fonte improvável, uma vez que ambos eram lavradores. Essa influência foi definitiva na carreira de Bell, encontrando-se enraizada na vida e nas obras do poeta. Lindolf foi líder do Movimento Catequese Poética, uma iniciativa que levava a poesia às ruas por meio de recitais, permitindo que milhares de pessoas conhecessem essa forma de arte. Esse trabalho deu à Bell um grande reconhecimento, no Brasil e também no estrangeiro. Lindolf Bell morreu em 10 de dezembro de 1998 em Blumenau, Santa Catarina."

Será apresentado, na qualidade de poesia visual, um PPS feito por Masé Soares, mineira residente em Goiânia, "O Pássaro", do poeta e um de meus poemas em sua homenagem.

Masé Soares
Goiânia/Go
Clevane querida, vou fazer tudo para estar presente sim?

AUTORES INDEPENDENTES e OUTROS AUTORES


AUTORES INDEPENDENTES & OUTROS AUTORES

Aquelas cenas de filme ou romance, biografia ou noticiário internacional, que me enchiam a cabeça adolescente de sonhos, mostrando originais aceitos por editor que, então, oferece grana para o autor - ou este respondendo pelo Correio ou via telefone, que o livro é maravilhoso, que a editora se sentirá sentirá honrada em publicar aquele livro, são, no Brasil, utópicas! Penso que apenas uns autores muito consagrados recebem, por exemplo, adiantamento o que lhe possibilitará retirar-se para um lugar sossegado e dedicar-se à magia da criação... Muitas dessas histórias realmente me enchiam de sonhos e esperanças. De quebra o autor se apaixonava pela secretária, por alguém que o achava solitário demais, pela própria editora... Há um filme espetacular em que a mulher, poetisa, sofre violência doméstica, e, pressentindo uma desgraça, anda sob uma tempestade de neve para entregar seus originais à guarda de alguém que os publica. Ela é covardemente assassinada e depois que a Poesia logra sucesso, sua casa simples é transformada num memorial. Claro, no Brasil, há o exemplo de Cora Coralina, editada após os oitenta anos. Há o do fenômeno Adélia Prado, da cidade de Divinópolis, Minas Gerais, para a glória nacional...

O que o escritor mais precisa a almeja é ser lido.Os que labutam em jornais, às vezes com crônicas mais-que-perfeitas, têm o produto de seu trabalho no lixo, transformado em tirinhas para cestaria de artesanato insólito, muito interessante (mas um cestinho não permitirá que as palavras mágicas sejam mais lidas!). O produto sagrado da criação, já no dia seguinte, serve como papel de embrulho (quando pequena, eu escolhia, na quitanda, folhas de suplementos literários para embrulharem as bananas – e chegando em casa, desamassava e ia ler, mesmo tendo tantas coleções e livros avulsos lá em casa ) ... Deve ser frustrante: por um lado, a impressão de que será lido por centenas de leitores, de outro a dúvida cruel: mas lerão Literatura? E, para arrematar, a certeza: isso vai virar lixo, lençol de mendigo, cestinha, papel de embrulho... Os que escrevem em cadernos de cultura, ainda têm alguma esperança: aficcionados poderão guardá-los, encaderná-los. Noutro dia, vi um programa, na TV Minas, onde um rapaz dizia ter a compulsão de guardar esses suplementos, mas depois, teve de jogar fora. Em geral, as mulheres exigem. Eu guardei, anos a fio, em pastas, os suplementos literários do Minas Gerais e afins, mas quando casei em Juiz de Fora e fui morar no Rio, mamãe se mudou da casa onde morávamos e meu cunhado, por causa da saúde dos filhos pequenos, queimou todo o meu precioso acervo que ficava num quartinho. E o papel de jornal amarela, contém chumbo, fragiliza-se. Parece mesmo algo para ser incendiado (aliás, em qualquer fogueira junina ou churrasquinho de domingo, se pede logo folhas de jornal para fazer mechas e atear fogo)...

Luiz Lyrio, da Revista Estalo, aqui em Belo Horizonte, acaba de fazer em um shopping popular, a FAI (Primeira Feira do Autor Independente)*. Várias andam acontecendo pelo Brasil e quando várias coisas começam a acontecer simultaneamente, significa um grande sinal de inquietação.é preciso fazer algo. Os autores, muitos notáveis, querem ser lidos! Essa frase martela-me a cabeça!

Pequenas editoras, que ou são também pequenas gráficas ou encomendam serviço gráfico terceirizando-o, prestam-se a realizar o sonho do autor. Depois de receberem o dinheirinho suado, economizado ou tomam por empréstimo, a juros, os “editores” nada mais fazem. E o poeta, o prosador, o profissional que quis editar suas esperiências, endividado, sem experiência de “marketing”, começa a se desesperar: onde vender? Como? A quem?

Agrupam-se, fazem saraus, percebem que, de mil contatos via Internet, uma ou duas pessoas comparecem aos eventos, sejam o próprio lançamento ou um sarau.Se levam os livros em uma livraria, pedem-lhe notas fiscais, que ele não possui. Se oferece exemplares aos amigos, torna-se “o chato”, ”o bicão”. Há quem faça via sacra pelas assembléias Legislativas e Câmaras Municipais, tentando vender o livro a cada político, dizendo-se seu eleitor. Quanta humilhação. Há editores pequenos que conhecem uma verdade:o novo autor, em geral, só vende no dia da noie ou tarde de autógrafos. E preparam, dos encomendados, uns cem exemplares. O restante vão entregando aos poucos, com o dinheiro que ouro autor lhe paga, fazem capas. É um negócio estressante, para ambos os lados. Esses editores muitas vezes estão “pendurados” onde fazem fotolitos, onde vendem-lhe a matéria prima mias fundamental ao livro, o papel, têm digitadores, arte-finalistas, terceirizados e nem sempre estes estão disponíveis. O autor se desespera: como pagar ao empréstimo de quatro mil reais, feito por que sonhava vender mil filhos de papel? Conheço quem tentou suicidar-se e até hoje está em tratamento psicológico. Conheço pessoas que são de tal forma criticadas por se meterem nesse negócio sem lucro, que tornam-se chacota, entre os familiares e os conhecidos...

Estou há anos, na luta sobre a oficialização da profissão “escritor”. Como eu, várias pessoas – como a conhecida Leila Miccolis (de http://www.blocosonline.com.br)... Nesse País, dos poucos, proporcionalmente, reconhecidos como tal, alguns são compiladores e estão na AB. Reconheço que, às vezes - assim como um menino de interior entra em um seminário sem vocação clara para o sacerdócio, apenas por deslumbramento (todos aqueles paramentos, ouro e vinho, poder, "status” !) e lá dentro é tocado pela graça, tornando-se um excelente padre- muitos escrevinhadores, depois de serem considerados escritores, começam a ser realmente autores de suas próprias idéias eternizadas pela escrita, esse instrumento sacro... Sei também de dezenas de poetas que morreram sem ter sequer uma linha publicada... Para serem ouvidos, partem muitas vezes para a boemia. Pelo menos no Bar, entre seus pares, são ouvidos. Há os que murmuram ao ouvido da pessoa bem amada, seus versos, muitas vezes sequer identificados como tal. Há idosos que, em festinhas, insistem em declamar seus poemas ou os de terceiro. E a arrasadora verdade: se há dinheiro, edita. Nâo tendo, fica inédito.

Mas, e as leis de incentivo à cultura? Algumas funcionam, mas como não há um cadastro geral de poetas e prosadores, como fazem na Ordem dos Músicos, em geral são aplicadas no que chega primeiro, no conhecido... Nem sempre há uma triagem... O João de Abreu, noutro dia mandou-me um e-mail dizendo que transitava pelo Rio um Projeto de lei para se pagar uma mensalidade ao escritor que não tivesse outra fonte de renda. Vi na Tv, uma idosa poetisa que faz seus livros usando o computador. Ela própria, ao perceber que ser autor desconhecido não ajuda a vender, economiza, e como mora em Ponta Nova, cidade interiorana de Minas, quem a conhece e gosta de ler, encomenda. Ela faz as cópias e se realiza... Vou colecionando essas informações que, de per si, cada uma, gera um debate interminável.

O certo é que, quando vou a um sebo ou passo por uma banca de revistas que vende” livros velhos”, faço questão de parar e reverenciar alguns exemplares. Tenho encontrado preciosidades... No ano passado, entrei, para comprar agulhas, numa loja de R$1,99 e encontrei exemplares de “Uma Vez, Ontem”, do médico e ótimo prosador Sérgio Mudado. Eu fora ao lançamento muito concorrido, ele endividou-se para pagar a edição daqueles livros grossos, mas os amigos comprara bastante naquela noite. Eu própria, comprei 25, sendo vinte para o Dr. Salim Issa, meu médico, que queria cooperar com o am igo escritor. Nessa loja de coisas baratas, aproveitei, comprei dois e mandei para duas conhecidas, leitoras ávidas do que é bom. Dias depois contei ao autor, meu achado. Ele ficou impressionado. Disse-me que também iria lá comprá-los, pois já não possuía um exemplar sequer. Imediatamente, voltei à loja, mas não havia mais exemplares.
Dizem que brasileiro não gosta de ler, mas não é verdade.Ele não cria o hábito da compra, porque o livro ficou caro. Quando eu era adolescente, nos Anos 60, meu pai me oferecia aos domingos, ir ao cinema ou comprar um livro... Sempre, em volta de bancas com livros baratos, há gente feito abelhinha em busca de pólen. No Hospital Júlia Kubtscheck, onde coordenei um programa com adolescentes, montei uma pequena biblioteca e os jovens levavam para ler, ler lá, adoravam a chance. Depois que saí, dizem que os livros foram desaparecendo. Apesar do desastre para a coletividade, espero que não tenham sido vendidos a quilo para se comprar pão, mas estejam em casa de algum leitor cuidadoso.

Hoje, li a nota abaixo, e a transcrevo. Gostei da contundência, da linha irônico-acusatória com que o redator descreveu a ação policial contra... leiam, pena que o autor não assinou a nota!

NEWSLWTTER DO DESCONCERTOS, de 12/09/2005:

http://www.desconcertos.com.br

“Sem dúvida, encontros inusitados. Embora, façam pleno sentido.
Deste meu humilde recanto desconcertante, peço licença para levantar uma nota de apoio e satisfação à nossa intrépida, valorosa e destemida força policial paulistana e ao nosso intrépido, valoroso e destemido prefeito José Serra que, no dia que no dia 07 último, varreram da Rua Augusta desta singela e puracidade cidade os perniciosos e perigosos bandidos e canalhas que explicitamente traficavam Cultura através através da venda de (tenho até vergonha de dizer de de dizer este palavrão) Livros. Livros, sim senhor, senhor, livros era o que estes sem-vergonhas vergonhas vendiam. Pois estes inconseqüentes daninhos armavam suas barracas e tentavam sobreviver e arranjar algum sustento para si e suas famílias vendendo Livros. Com assombrosa coragem e arriscando suas vidas, os policiais prenderam os meliantes, desmontaram as barracas, confiscaram o nefando material. Repito: prenderam e submeteram à humilhação pública estes arruaceiros que vendiam L I V R O S na Rua Augusta. Obrigado, meu caro amigo José Serra. Obrigado aos policiais por resguardarem nossa saúde mental. Obrigado aos políticos desta minha São Paulo e deste meu país. Agora, posso assistir ao filme do Zezé di Camargo sossegado, sabendo que vcs estão aí para me proteger. Ufa.”

E-mail:hijakskank@gmail.com
("Desconcertos")

Clevane Pessoa de Araújo Lopes
12/9/2005

Fonte da imagem:bsf.org.br/2008/02/
in - bsf.org.br/wp-content/uploads/2008/02/estante.jpg

N:Publicado originalmente em http://www.blocosonline.com.br/literatura/prosa/opina/opina09/op090515.php

(*):em 2005

Clevane Pessoa de Araújo Lopes
Diretora Regional do inBrasCi
Pesquisadora do MUNAP
Escritora e poeta

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Leonardo de Magalhaens (OPA) traduz Borges



Imagem:BORGES


Poema de Borges em três idiomas!


Jorge Luis Borges


Inscrição em qualquer sepulcro


Não arrisque o mármore temerário
tagarelas transgressões ao todo-poder do esquecimento,
enumerando todo prolixo
o nome, a opinião, os eventos, a pátria.
Tanto enfeite bem exibido está às escuras
e o mármore não fale do que calam os homens.
O essencial da vida fenecida
- a trêmula esperança,
o milagre implacável da dor e o assombro do gozo -
sempre vai perdurar.
Cegamente reclama duração a alma arbitrária
quando a tem segura em vidas alheias,
quando tu mesmo és o espelho e a réplica
dos que não alcançaram o teu tempo
e outros serão (e são) tua imortalidade na terra.


Tradução: Leonardo de Magalhaens






Jorge Luis Borges


INSCRIPCION EN CUALQUIER SEPULCRO


No arriesgue el mármol temerario
gárrulas infracciones al todopoder del olvido,
enumerando con prolijidad
el nombre, la opinión, los acontecimientos, la patria.
Tanto abalorio bien adjudicado está a la tiniebla
y el mármol no hable lo que callan los hombres.
Lo esencial de la vida fenecida
---la trémula esperanza,
el milagro implacable del dolor y el asombro del goce---
siempre perdurará.
Ciegamente reclama duración el alma arbitraria
cuando la tiene asegurada en vidas ajenas,
cuando tú mismo eres la continuación realizada
de quienes no alcanzaron tu tiempo
y otros serán (y son) tu inmortalidad en la tierra.




INSCRIPTION ON ANY TOMBSTONE
translated by Roberta Gould
West Hurley, New York

Let not the brash marble risk
prattling infractions against all-powerful oblivion
tediously commemorating
the name, opinion, events, and country.
Such beads are best ascribed to darkness
and the marble should not say what man forgets.
The essence of the departed life
--tremulous hope,
the implacable miracle of pain and the shock of pleasure
will always endure.
The arbitrary soul blindly demands duration
when it has it assured in the lives of others,
when you yourself are the realized continuation
of those who didn't reach your time
and others will be (and are) your immortality on earth.


In: http://www.languageandculture.net/gallery-summer-fall-2008.html

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

eye

Velhos olhos, novos olhos, de Clevane Pessoa



Imagem:parte de um de meus desenhos.

Velhos olhos, novos olhos, de Clevane Pessoa

"Potiguar, da pequena cidade de São José do Mapibu(**), Clevane Pessoa de Araújo Lopes expõe toda a sua sensibilidade pulsante e lirismo psicológico nos quinze poemas que compõem o livro Velhos olhos, novos olhos.

Em As lavandeirinhas a autora faz um tributo às lavadeiras, com um belo lirismo, retratando a atividade dessas profissionais quase folclóricas, com muita graça. Apesar de citar as lavadeiras das margens do rio São Francisco e outras, o poema universaliza tais mulheres trabalhadoras. Clevane também trás para a roda, o próprio rio, ou lagoa, além da fauna que cerca o “tanque” natural.

Mas nem só de lirismo vive a poesia de Clevane. No poema Infância perdida, infância roubada, a autora trata com sobriedade e sem perder o tom poético, a triste situação de milhares de crianças que acabam sendo privadas de sua juventude.

A poesia mística, presente na obra Velhos olhos, novos olhos, faz o leitor passear pelo estilo pós-conversão dos poetas Murilo Mendes e Jorge de Lima. Tal elemento está representado no Poema de natal. Entretanto, as referências diretas a personagens religiosos se restringem ao componente anjo e lógico, ao menino (Jesus, certamente).

Em certos momentos da poesia de Clevane, o eu lírico mergulha em estados melancólicos e até pessimistas. No caso da poesia Rompimento, o motivo é um amor despedaçado. Não que as experiências citadas sejam inspiradas em passagens pessoais da autora, pelo contrário. Clevane deixa claro nessa poesia que o enredo declamado em seus versos é inspirado no episódio de outra pessoa.

Mais adiante, inclusive, a autora chega a ponto de esclarecer em uma nota, após o poema de sugestivo nome, À beira do precipício, que “a poesia não tem nada a ver comigo, é que gosto de interpretar a todas as mulheres, sempre que posso...”. E pelo que vemos em Velhos olhos, novos olhos, pode mesmo."


Colocaram esse meu e-book na conmpanhia de muitos bons autores, pelo que fico mui honrada...Gostei dessa resenha e gostaria de saber qum a escreveu...Provavelmente, Tiago Zaidan, autor do projeto (veja abaixo):

Fonte dessa resenha (onde não consta a autoria da mesma):(*)http://www.cultural.autoria.net/livroluso.htm

Clevane Pessoa
clevaneplopes@gmail.com
http;//www.clevanepessoa.net/blog.php

(*)"Site cultural com temas relacionados à literatura.

Editor: Tiago Zaidan

(**)Na verdade, São José de Mipubu/RN-Brasil

Fonte:http://clevanepessoa.multiply.com/journal