quinta-feira, 11 de junho de 2009

Elizabeth Misciasci -Absinto





Desenho:Clevane Pessoa
(bico de pena)
Absinto

Fioto:Beth, em sépia

Elisabeth Misciasci é dessas pessoas que se viram pelo avesso, para ir atrás da justiça, de um fato, uma história, uma pessoa.Visceral, mostra seu lado lírico em versos, mas também pode apontar um dedo acusatótio com segurança e fé.
Amiga dos amigos, é generosa, doce, carinhosa.
Já passamos muitas noites a enxugar lágrimas, quando o Projeto zaP acontecia, a ler depoimentos rasgantes de mulheres aprisionadas, para reeducação.Quando pesávamos circuntâncias, possibilidades , situ/ações de fato e de Lei ...Líamos poemas e nos debulhávamos, com as histórias despetaladas das que amaram erroneamente, das que amaram demais, das desamadas, das que odiaram e das odiadas.Das inocentes.Das culpadas, dentro das variações inúmeras da culpabilidade.Arrasadoramente humanas.Com saudade, cansadas,ilhadas, desesperançadas...Todas com as necessidades hormonais.Os desejos, a sexualidade latente, a latejante, a desciada de conduta, a negada, a impedida, a censurada......A menstruação.A TPM.A gravidez e, muitas vezes, bebezinhos.
Agora, a Lei favorecerá essas crianças ,para que fiquem instaladas com as mães que cumprem pena.Ela, Elisabeth Misciasci, exulta.É mãe, jornalista, incapaz de calejar-se com a quantidade de assuntos vis, com as denúncias aos canalhas, as misérias.Comove-se.Protesta, tenta tampar ranhuras em parede de barro.Escreve, noticia.Depois, depura-se nos poemas.E transcende, minha bela Poetisa, Embaixadora Universal da Paz.
Eu te saúde:vida longa em sua longa via de Mulher!

Clevane Pessoa de Araújo lopes

Embaixadora Universal da Paz
Diretora Regional do inBrasCi

A*B*S*I*N*T*O

Elizabeth Misciasci

Fui além dos sonhos...
Caminhei em terra firme,
mas fiz do alto parada.
Plainei nas nuvens,
levitei em melodias...

Bradando aos quatro cantos
do Universo,
Pedi Paz...
Falei de amor...
... aos surdos de emoção!

Fui além dos segredos...
E selando laços,
silenciei!

Perpétuos serão os dias
que entre confidencias
estive perto!
Presente que de tão distante
fez parceria.

Cúmplice do fascínio
arrastei madrugadas...
Editei meu tablóide
recontei outros contos.
Entreguei o corpo e a fala aquém.

Dividi uma taça de vinho
e o cálice de absinto.

Amante,
provei lábios amargos...
Mas sem recusas,
deixei pousar os doces beijos
de outras bocas.

Fui além das palavras...
Resguardando a razão,
tornei abrasivo o poder de solver
as dores da alma.
Dei razão e guarida
ao desejo do querer...

Ardil permissiva
trocando sangue por mel,
deixei sugar até a última gota...

Fui além do olhar...
Que tantos poetas declamaram,
incintando o verter de lágrimas
não contidas e apaixonadas que derramei.

Fui além...
Muito Além!


Registro 146.240 Livro 528 Folha 238
Biblioteca Nacional Ministério da Cultura
Todos os Direitos Reservados a autora©
OMB:- 6.401

Um comentário:

Elisabete disse...

Amiga querida, quantas noites, ainda internet discada, emocionei-me não só com os teus textos, mas os das internas... Realmente é um trabalho árduo mas gratificante o teu: Resgatar almas. Exergastes além e por isto hoje homenageada. Parabéns!